Milton Leite é alvo de operação sobre infiltração PCC no transporte
A Polícia Civil procura o ex-vereador na investigação sobre a influência de facção em empresas de ônibus. Ele afirma estar em viagem.
- Publicado: 17/09/2026 07:28
- Alterado: 17/09/2026 07:36
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
A Polícia Civil de São Paulo considera Milton Leite foragido após tentativa frustrada de cumprir mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta. A ação deflagrada nesta quinta-feira investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital no sistema de transporte coletivo paulista.
Agentes não localizaram o investigado em sua residência durante a manhã. Uma funcionária do imóvel relatou aos policiais que o político saiu para um compromisso de campanha na noite anterior.
“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas”, declarou o ex-vereador em nota oficial, prometendo provar sua inocência em todas as acusações.
Investigação aponta Milton Leite como peça-chave do esquema

Decisões estratégicas em empresas de ônibus suspeitas de ligação com a facção dependiam do conhecimento de Milton Leite, apontam os investigadores do caso. Relatórios e interceptações indicam que o político atuava como dono de fato de algumas companhias, incluindo a Transwolff.
A operação cumpriu mandados contra outras figuras públicas ligadas ao setor. Os policiais prenderam Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, candidato que teve seu registro cassado à Prefeitura de Praia Grande em 2024.
A nova fase da ofensiva policial mira 12 empresas de transporte coletivo de passageiros. Companhias da capital assumiram operações anteriormente realizadas por viações que já haviam sido alvo da Justiça.
Núcleo jurídico e histórico de financiamento ilícito
Os agentes apuram também a “Sintonia dos Gravatas”, grupo de advogados acusados de ceder escritórios e contas bancárias para a movimentação financeira dos criminosos. O principal nome desta etapa é José Daniel Satilite, suposto intermediário entre empresários, advogados e a cúpula do crime organizado.
Interceptações telefônicas e dados extraídos de celulares em fases anteriores apontam um forte vínculo de candidatos com a organização. A polícia encontrou evidências de campanhas eleitorais patrocinadas integralmente pelo caixa do tráfico de drogas.
A Justiça paulista expediu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em sete cidades. O desfecho desta fase das apurações agora depende da apresentação voluntária de Milton Leite às autoridades nas próximas horas.