Mendonça cobra PGR sobre mensagem de Vorcaro a Moraes
Ministro do STF dá cinco dias para órgão se manifestar sobre anotações de ex-dono do Banco Master sugerindo blindagem nas investigações.
- Publicado: 01/09/2026 11:35
- Alterado: 01/09/2026 11:35
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça cobrou explicações formais da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre anotações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso na operação Compliance Zero. O banqueiro mencionou a necessidade de proteção institucional envolvendo altos escalões da Justiça em mensagens interceptadas.
Os investigadores apreenderam o aparelho no final de outubro do ano passado. A Polícia Federal (PF) elaborou um relatório detalhando o material, que incluía recados possivelmente direcionados ao ministro do STF Alexandre de Moraes. O executivo relatava pressão crescente das autoridades contra a instituição financeira.
Ofício à PGR detalha pedido de proteção de Vorcaro
O documento policial revela que Vorcaro teria recebido informações privilegiadas de membros do Banco Central. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e outros diretores estariam sofrendo exigências intensas do Ministério Público Federal para agir contra o banco.
Diante da gravidade dos relatos, Mendonça despachou na última segunda-feira (31) um ofício exigindo um posicionamento da PGR. O magistrado, que atua como relator do inquérito sobre fraudes financeiras, estabeleceu o prazo de cinco dias para a manifestação oficial da procuradoria geral.
Anotações citam autoridades de cúpula
A estratégia de comunicação de Vorcaro consistia em salvar textos, capturar a tela e enviar a imagem com visualização única para dificultar rastreios. O conteúdo sugere uma articulação para frear o avanço das apurações nas instâncias inferiores.
“O investigado afirmou ser importante reforçar a necessidade de impedir que subordinados praticassem alguma sacanagem, pois aí vai tudo pro saco”, aponta o relatório oficial da Polícia Federal.
As mensagens cobravam que o destinatário acionasse diretamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O objetivo do banqueiro era garantir que as equipes de base fossem contidas por seus superiores hierárquicos.
Os desdobramentos do caso dependem da análise do STF sobre a legalidade das provas e a materialidade das conversas. O Supremo aguarda o retorno da PGR para definir os próximos passos do inquérito que apura crimes no sistema financeiro nacional.