Medicina ABC mapeia DNA em doença rara com auxílio de pesquisador inglês
Eritroqueratodermia pode ter sua classificação alterada
- Publicado: 03/04/2012 14:54
- Alterado: 03/04/2012 14:54
- Autor: Eduardo Nascimento
- Fonte: FUABC
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Médica residente da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Medicina do ABC, Dra. Beatriz Alessi Rodrigues acaba de concluir relato de caso sobre doença genética rara e que atualmente suscita discussões na comunidade científica: a eritroqueratodermia. Trata-se de doença que provoca surgimento de placas na pele bastante perceptíveis em diferentes partes do corpo, que causam problemas de ordem social, baixa autoestima e consequente prejuízo da qualidade de vida.
A enfermidade é dividida basicamente em 2 tipos. Na variabilis (mutação no gene GJB3 e GJB4), as lesões podem aparecer em qualquer parte do corpo. Já na simétrica-progressiva (mutação no gene GJB2), a manifestação ocorre em forma de placas simétricas no tronco e membros. O tratamento é à base de medicamentos orais ou de uso tópico e visa a regressão do problema.
O trabalho na FMABC teve início a partir do atendimento de três irmãos com a doença, que têm pelo menos 35 familiares paternos sofrendo do mesmo problema. Os casos chamaram a atenção porque, apesar da hereditariedade, um paciente apresentava o fenótipo variabilis e os outros dois simétrica-progressiva. “Há poucos anos, pensava-se que genes diferentes determinavam manifestações clínicas diferentes. Dessa forma, irmãos teriam que ter sempre o mesmo fenótipo de doença. Isto significa que, ou todos teriam eritroqueratodermia variabilis, ou todos teriam a doença simétrica-progressiva”, detalha Dra. Beatriz Alessi Rodrigues.
Segundo a médica residente da FMABC, hoje a comunidade científica já revê essa classificação e o estudo da disciplina de Dermatologia será importante para essa discussão: “Definitivamente tínhamos irmãos com o mesmo gene afetado, mas com manifestações diferentes da doença. Decidimos realizar o mapeamento genético para confirmar essa hipótese diagnóstica”, completa a médica.
Com auxílio do setor de Genética e Reprodução Humana da FMABC foi possível estabelecer parceria com o pesquisador David Kelsell, do Institute of Cell and Molecular Science de Londres. O estudioso da área se interessou no caso e realizou mapeamento genético gratuitamente – trabalho que no Brasil custaria pelo menos R$ 2.000. Com o resultado, a suspeita inicial foi confirmada e o relato de caso será publicado, corroborando com a necessidade de revisão das atuais classificações para eritroqueratodermia.