Mauricio Pochettino: o técnico que talvez tenhamos julgado mal

Após anos de críticas em PSG e Chelsea, treinador argentino reencontra sua identidade e volta a convencer na Copa do Mundo

Crédito: (Divulgação/FIFA)

Quando Mauricio Pochettino assumiu a seleção dos Estados Unidos, a notícia foi recebida com curiosidade, mas sem grande entusiasmo. Afinal, aquele era o mesmo treinador que, poucos anos antes, havia levado o Tottenham a uma final de Champions League e era apontado como um dos nomes mais promissores do futebol europeu.

As passagens por Paris Saint-Germain e Chelsea deixaram a sensação de que algo havia ficado pelo caminho. Apesar dos títulos conquistados na França e da recuperação apresentada pelos Blues em sua reta final, Mauricio Pochettino passou a ser visto por muitos como um treinador incapaz de transformar boas ideias em conquistas de grande impacto. Para parte da opinião pública, o argentino era um técnico superestimado, alguém que recebia mais elogios do que osresultados justificavam. A Copa do Mundo de 2026, entretanto, pode estar oferecendo uma nova perspectiva sobre essa narrativa.

A estreia na Copa do Mundo

Na vitória por 4 a 1 sobre o Paraguai, os Estados Unidos não chamaram atenção apenas pelo placar. O que impressionou foi a forma como a equipe se comportou. Organizada, intensa e agressiva sem a bola, a seleção americana apresentou características que marcaram os melhores trabalhos de Mauricio Pochettino ao longo da carreira.

Mais do que uma simples estreia convincente, a atuação serviu como lembrete das qualidades que fizeram do argentino um dos técnicos mais valorizados de sua geração.

O auge do treinador

Durante sua passagem pelo Tottenham, Mauricio Pochettino transformou o clube em um competidor constante pelas primeiras posições da Premier League. Sob seu comando, jogadores como Harry Kane, Dele Alli, Heung-min Son e Christian Eriksen atingiram alguns dos melhores momentos de suas carreiras. Em uma época dominada por equipes com orçamentos muito superiores, os Spurs disputaram títulos nacionais e alcançaram uma final de Champions League durante os cinco anos e meio de trabalho do argentino.

A virada de chave

O ponto de virada na percepção sobre Mauricio Pochettino veio justamente quando ele alcançou o topo do futebol europeu. Após os anos de sucesso no Tottenham, assumiu o PSG cercado por expectativas enormes. Com Messi, Neymar e Mbappé à disposição, conquistou títulos nacionais, mas fracassou no principal objetivo do projeto: vencer a Champions League.

A situação não melhorou muito no Chelsea. Contratado para liderar a reconstrução de um elenco inflado e extremamente jovem, Mauricio Pochettino conviveu com resultados irregulares durante boa parte da temporada. Embora a equipe tenha apresentado evolução nos meses finais e garantido vaga em competições europeias, a campanha ficou distante do que se espera de um clube do tamanho dos Blues.

Em menos de três anos, o treinador passou a carregar a imagem de alguém incapaz de transformar potencial em conquistas. Talvez por isso sua chegada aos Estados Unidos tenha sido encarada apenas como mais um passo atrás. Treinar uma seleção nacional, especialmente fora do eixo das potências do futebol, parecia distante das expectativas que cercavam seu nome uma década antes.

O outro lado da moeda

Mauricio Pochettino - EUA - Copa do Mundo
(Divulgação/FIFA)

O que poucos veem é que os Estados Unidos oferecem a Mauricio Pochettino algo que ele raramente teve em seus últimos trabalhos: tempo. Tempo para construir uma identidade, desenvolver uma geração talentosa e preparar uma equipe para competir em uma Copa em casa. Em vez de administrar crises semanais ou lidar com a pressão constante dos clubes de elite, o argentino encontrou um ambiente mais favorável para aplicar suas ideias.

Os primeiros sinais são animadores. Uma única partida não redefine uma carreira, mas a estreia americana foi suficiente para reabrir o debate sobre a imagem construída em torno do treinador.

Depois de tanto tempo sendo acusado de receber crédito demais, o argentino pode finalmente estar vivendo o oposto: o momento de se tornar um treinador subestimado. E, se os Estados Unidos continuarem evoluindo nesta Copa do Mundo, essa percepção talvez não dure por muito tempo.

  • Publicado: 19/06/2026 11:45
  • Alterado: 19/06/2026 11:45
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC