Marieta Severo completa 80 anos com carreira marcante
Marieta Severo completa 80 anos com seis décadas de carreira no teatro, cinema e televisão, além de integrar o elenco da série Dom de Iludir, da Netflix
- Publicado: 31/10/2026 12:55
- Alterado: 31/10/2026 12:55
- Autor: Carlos Enriki
- Fonte: Assessoria
A atriz Marieta Severo completa 80 anos no dia 2 de novembro, com uma trajetória de seis décadas marcada por personagens que atravessaram diferentes gerações da dramaturgia brasileira. Do teatro ao cinema, passando pela televisão, a artista construiu uma carreira reconhecida por trabalhos como Nenê, de A Grande Família, e participações em produções como Laços de Família, Verdades Secretas e O Outro Lado do Paraíso.
A nova fase profissional também inclui sua estreia na Netflix com Dom de Iludir, série lançada em 28 de outubro. Na produção, Marieta interpreta Lúcia Rossetti, uma colecionadora de arte que enfrenta uma relação conturbada com a filha, Maíra, personagem de Alice Wegmann.
Em entrevista durante o lançamento, a atriz defendeu a tradição brasileira na produção de melodramas e destacou a experiência acumulada pela teledramaturgia nacional. “Esse DNA, nós, brasileiros, temos. Fazemos isso há 50 anos e com uma excelência no mundo, né?”, afirmou.
Marieta Severo construiu carreira de seis décadas
Nascida no Rio de Janeiro, Marieta iniciou sua trajetória artística em 1965, com trabalhos no cinema e no teatro. No ano seguinte, estreou na televisão com a novela O Sheik de Agadir, da TV Globo.
Desde então, acumulou participações em mais de 30 peças teatrais, dezenas de filmes e mais de 20 produções televisivas, entre novelas, minisséries e seriados.

Na televisão, passou por produções como O Homem Proibido e E Nós, aonde Vamos?. Na década de 1980, ganhou projeção com novelas como Champagne (1983), Vereda Tropical (1984) e Ti-Ti-Ti (1985).
Outro papel de destaque foi Madeleine Bouchet, de Que Rei Sou Eu? (1989), personagem que a própria atriz definiu como uma heroína idealista e com características pré-feministas. Nos anos seguintes, integrou o elenco de Deus nos Acuda (1992), Pátria Minha (1994) e Laços de Família (2000), na qual interpretou Alma.
Nenê de A Grande Família marcou gerações
Um dos personagens mais conhecidos da carreira de Marieta Severo é Nenê, matriarca da família Silva em A Grande Família. Exibido entre 2001 e 2014, o seriado acompanhou o cotidiano de uma família de classe média e permaneceu por 14 temporadas na programação da Globo.
Na produção, a atriz contracenou com Marco Nanini, intérprete de Lineu, seu marido na ficção. A personagem conquistou diferentes gerações de telespectadores e permanece entre os trabalhos mais lembrados da artista.

Depois do seriado, Marieta voltou às novelas em produções como Verdades Secretas (2015), O Outro Lado do Paraíso (2017) e Um Lugar ao Sol (2021).
Trajetória no cinema brasileiro
A carreira de Marieta também atravessou diferentes momentos do cinema nacional. Sua estreia nas telonas ocorreu com Society em Baby-Doll (1965). Posteriormente, participou de filmes como Todas as Mulheres do Mundo (1967), Chuvas de Verão (1978) e Bye Bye Brasil (1979), dirigido por Cacá Diegues.
Na década de 1990, integrou o elenco de Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995), de Carla Camurati, obra considerada um marco da retomada do cinema brasileiro. Também atuou em Guerra de Canudos (1997) e Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme (1999).
Em 2004, esteve em Cazuza – O Tempo Não Para, produção que retrata a trajetória do cantor e compositor Cazuza. Ao longo da carreira, recebeu reconhecimentos em festivais e premiações, entre eles o Troféu Oscarito, concedido pelo Festival de Cinema de Gramado em 2002, em homenagem à sua contribuição para o audiovisual brasileiro.
Em entrevistas sobre sua trajetória, a atriz já relembrou as inseguranças do início da carreira e a dedicação necessária para permanecer na profissão. Ao completar 60 anos de trabalho, em 2025, afirmou que nem sempre teve confiança no próprio talento, apesar de sua determinação.
“Eu fico olhando a menina lá atrás, que achava que era muito ruim, que não tinha talento, que não ia conseguir nunca nada, mas que batalhava, batalhava, que tinha uma seriedade de escolha e de maneira de estar na profissão”, declarou.
Teatro Poeira ampliou atuação na produção cultural
Fora das câmeras e dos palcos, Marieta Severo também construiu uma trajetória na administração e na produção cultural. Em 2005, ao lado da atriz Andréa Beltrão e do diretor teatral Aderbal Freire-Filho, seu então marido, inaugurou o Teatro Poeira, no bairro de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro.
A parceria artística entre Marieta e Andréa começou em 1989, durante a montagem de A Estrela do Lar, espetáculo de Mauro Rasi. As duas voltaram a trabalhar juntas em produções como A Dona da História (1996), Sonata de Outono (2005), As Centenárias (2007) e O Espectador (2022).
O Teatro Poeira abriu as portas em 23 de junho de 2005, com a montagem de Sonata de Outono, de Ingmar Bergman, dirigida por Aderbal. Em 2011, a parceria também deu origem ao Teatro Poeirinha, segundo espaço dedicado às artes cênicas.
Exílio durante a ditadura e vida pessoal
A trajetória de Marieta também foi marcada por acontecimentos políticos e pessoais. Durante a ditadura militar, a atriz viveu no exílio ao lado do cantor e compositor Chico Buarque, com quem foi casada. O casal deixou o Brasil em 1969, em meio ao agravamento da repressão política, e passou um período na Europa.
A atriz estava grávida da primeira filha, Silvia, quando deixou o país. A criança nasceu no exterior, e Marieta já relatou as dificuldades emocionais e financeiras enfrentadas durante aquele período. “Eu emagreci seis quilos no oitavo, nono mês de gravidez”, recordou em entrevista.
Outro relacionamento importante em sua vida foi com o diretor teatral Aderbal Freire-Filho, com quem esteve por quase duas décadas. Ele morreu em 2023. Ao falar sobre a relação, Marieta destacou a intensidade do sentimento e a maturidade com que viveram juntos.
“A gente se apaixonou com 50 e tantos anos, então sabia exatamente o valor disso. Não tinha dúvidas, pequenas questões, nada. Tinha a coisa central, que era o amor e viver aquilo”, afirmou.
A atriz também abordou o etarismo na indústria audiovisual e as dificuldades enfrentadas por mulheres mais velhas para conseguir papéis de protagonismo. Apesar dos desafios, afirmou estar vivendo um período produtivo na carreira. “O que está acontecendo com o cinema nacional que está precisando tanto de velha?”, questionou.