Marcelo Pretto, integrante do Barbatuques, morre aos 58 anos
Vítima de complicações do diabetes, o cantor e percussionista construiu uma trajetória brilhante na pesquisa da música popular brasileira.
- Publicado: 08/03/2026 14:09
- Alterado: 08/03/2026 14:09
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: ABCdoABC
Marcelo Pretto morreu na madrugada deste domingo, 8 de março, na capital paulista. O cantor, compositor e pesquisador musical tinha 58 anos de idade. Ele estava internado no Hospital Alvorada desde a segunda quinzena de fevereiro.
O artista enfrentava um quadro clínico crítico desencadeado pela evolução da doença metabólica. A confirmação do falecimento causou imediata comoção entre familiares, fãs e figuras proeminentes da classe artística.
A Trajetória de Marcelo Pretto no Barbatuques
Conhecido no meio cultural pelo apelido de Mitsu, o músico passou a integrar o conjunto focado em percussão corporal no ano de 1999. Sua técnica apurada e expressividade ajudaram a revolucionar o formato das apresentações do grupo pelo mundo inteiro.
O núcleo gerencial da banda divulgou uma nota oficial lamentando a partida precoce do colega. Para os companheiros de palco, Marcelo Pretto atuava como uma inesgotável fonte de criatividade e direcionamento rítmico.
“Marcelo deixa um legado artístico imenso, que vai muito além de sua participação no Barbatuques. Sua voz única e presença marcante seguirão ecoando na música e, principalmente, em nossos corações.”
Projetos Paralelos e Uma Extensão Vocal Absoluta
A versatilidade técnica rendeu reverências de grandes ícones da MPB contemporânea. O consagrado cantor Chico César definiu o alcance vocal do amigo como uma habilidade rara, capaz de navegar “do sussurro ao trovão” sem esforço aparente.
Fora do circuito tradicional das batidas corporais, o paulistano nascido em 1967 fundou o projeto A Barca, destinado à imersão profunda nas tradições folclóricas do país. Ele pavimentou uma sólida discografia autoral.
Abaixo, destacam-se os principais registros gravados durante sua jornada fonográfica independente:
- O elogiado álbum colaborativo A carne das canções (2014), assinado ao lado do violonista Swami Jr.
- O expressivo disco conceitual de estúdio batizado de Boi (2020).
- O single póstumo Uma voz além, disponibilizado nas plataformas digitais em novembro do último ano.
A cena independente despede-se de um investigador sonoro verdadeiramente incansável. Toda a obra e os ensinamentos deixados por Marcelo Pretto transcendem as cortinas dos teatros, enriquecendo definitivamente a memória da nossa cultura.