Maioria dos brasileiros não usa os 30 dias de férias, aponta estudo

Levantamento com dados de 150 países mostra que brasileiros aproveitam, em média, 20 dos 30 dias de descanso garantidos por lei, ficando atrás da França no uso do benefício.

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Muitos trabalhadores no Brasil não utilizam de forma integral o período de descanso garantido por lei. Apenas 33% aproveitam todos os 30 dias de férias a que têm direito, ou seja, somente 1 a cada 3 funcionários. A mediana de dias efetivamente usados fica em 20 dias, mesmo com a legislação assegurando o dobro.

O levantamento foi feito pela Deel, plataforma global de RH e folha de pagamento, em parceria com a Andreessen Horowitz, a partir de registros reais de solicitações de férias e licenças envolvendo mais de 1,5 milhão de trabalhadores em 150 países. No caso brasileiro, foram analisadas 993 solicitações de férias em empresas, principalmente dos setores de tecnologia, startups e organizações com modelo remoto ou híbrido de trabalho.

Brasil só perde para a França em dias de férias garantidos

Com 30 dias de férias anuais assegurados pela legislação, o Brasil tem a segunda maior concessão entre os países analisados, atrás apenas da França, onde a média é de 34 dias. Ainda assim, o aproveitamento do benefício é menor por aqui: os brasileiros utilizam 72% dos dias disponíveis, contra 88% entre os franceses.

A diferença chama atenção porque os dois países adotam políticas consideradas amplas de descanso. Mesmo com uma quantidade parecida de dias garantidos, o Brasil registra um índice de utilização 16 pontos percentuais inferior ao francês.

Brasileiros tiram férias mais longas que suecos e dinamarqueses

Apesar de boa parte dos profissionais não usar todos os dias disponíveis, o Brasil se destaca pelo tamanho dos períodos de descanso tirados de uma vez. Segundo a pesquisa, 62% dos trabalhadores brasileiros tiram ao menos um período de 11 dias consecutivos ou mais de férias por ano, um dos maiores índices da amostra global, superando países conhecidos por políticas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, como Suécia (55%) e Dinamarca (51%).

Licenças médicas mostram diferença entre homens e mulheres

O levantamento também identificou uma diferença relevante no uso de licenças médicas por gênero no Brasil. No período analisado, 41% das trabalhadoras registraram ao menos uma licença médica, contra 21% dos homens, uma diferença de 20 pontos percentuais. O maior índice aparece entre mulheres de 35 a 39 anos: 54% delas tiveram pelo menos uma licença médica registrada, o que torna esse o grupo com maior frequência de afastamentos em toda a amostra brasileira.

Férias de meio período ainda são raras no país

Outro comportamento identificado pela pesquisa é o baixo uso de férias em períodos menores, como meio dia de afastamento. No Brasil, apenas 3% das solicitações analisadas corresponderam a esse formato, percentual bem inferior ao observado em países como França (11,5%), Reino Unido (11,3%) e Alemanha (9,4%).

Enquanto nesses mercados a flexibilização da jornada já faz parte da cultura de trabalho, no Brasil ainda predomina um modelo mais rígido, no qual o profissional está trabalhando ou oficialmente afastado, sem muitas variações intermediárias.

  • Publicado: 12/07/2026 10:42
  • Alterado: 12/07/2026 10:42
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Deel