Lula defende respeito religioso e cobra Flávio sobre escala 6x1

Após missa no Palácio da Alvorada, presidente também abordou metas do Minha Casa, Minha Vida e defendeu mudanças na segurança pública e na jornada de trabalho

Crédito: (Joédson Alves/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a liberdade religiosa e o respeito às diferentes crenças nesta segunda-feira (12), durante as celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Candidato à reeleição, Lula também abordou propostas relacionadas à jornada de trabalho, à segurança pública e à habitação, além de cobrar um posicionamento do adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), sobre o fim da escala 6×1.

As declarações foram feitas após uma missa realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília, com a participação de autoridades e convidados. A cerimônia marcou o feriado nacional dedicado à padroeira e ocorreu em meio a discussões sobre religião na campanha presidencial. Ao conversar com jornalistas, Lula afirmou que as diferenças religiosas não devem impedir a convivência democrática. “Ninguém é obrigado a ser da mesma religião. O que precisamos apenas é respeitar a fé e a espiritualidade das pessoas”, declarou.

O presidente também repudiou ofensas dirigidas a manifestações religiosas e associou a liberdade de crença à necessidade de respeito entre os brasileiros. A declaração ocorreu em um momento em que referências religiosas passaram a ocupar espaço no debate eleitoral.

Lula cobra posição sobre o fim da escala 6×1

Entre os assuntos políticos abordados, Lula mencionou a proposta de alteração da jornada de trabalho conhecida como fim da escala 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um. O presidente cobrou de Flávio Bolsonaro uma posição sobre a mudança, que prevê ampliar o período de descanso semanal dos trabalhadores.

Segundo a programação legislativa citada pela Agência Brasil, a proposta tem votação em primeiro turno prevista para quarta-feira (14). O debate envolve a redução dos dias trabalhados por semana e seus possíveis efeitos sobre empregados, empresas e a organização das atividades econômicas.

A cobrança ocorre durante a campanha para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Ao citar o tema, Lula procurou inserir a discussão sobre direitos trabalhistas entre os assuntos da disputa eleitoral.

Minha Casa, Minha Vida tem meta de 3 milhões de contratos

Minha Casa Minha Vida - Lula
(Divulgação)

A política habitacional também foi abordada pelo presidente, que participou da celebração religiosa ao lado de crianças ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Lula relacionou o tema da moradia à Campanha da Fraternidade de 2026, organizada pela Igreja Católica sob o tema Fraternidade e Moradia.

Segundo o presidente, o governo pretende encerrar 2026 com 3 milhões de unidades habitacionais contratadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Lula afirmou ainda que 85% das chaves entregues pelo programa são destinadas prioritariamente a mulheres e mencionou a inclusão de bibliotecas em novos conjuntos residenciais.

O petista também citou a destinação de R$ 30 bilhões a um fundo na Caixa Econômica Federal para financiar reformas habitacionais. Ao defender a continuidade dos investimentos, afirmou que o enfrentamento do déficit de moradias depende de recursos públicos direcionados principalmente à população de menor renda. As cifras apresentadas correspondem a informações e metas declaradas pelo presidente, não a uma auditoria independente dos resultados do programa.

Segurança pública também entra na pauta

Outro assunto tratado por Lula foi a PEC 18/2025, proposta de emenda constitucional que busca modificar a organização da segurança pública brasileira. O texto prevê maior integração entre União, estados e municípios e mudanças nas competências federais para o enfrentamento do crime organizado.

O presidente defendeu a aprovação da proposta no Congresso Nacional. A discussão envolve a distribuição de responsabilidades entre os entes federativos, a coordenação das forças de segurança e os instrumentos disponíveis para o combate às organizações criminosas.

  • Publicado: 12/10/2026 17:15
  • Alterado: 12/10/2026 17:15
  • Autor: Edvaldo Barone
  • Fonte: Agência Brasil