Lula fala sobre COP30 em Belém e esperanças de progresso

Lula destaca COP30 em Belém e convoca nações para combater combustíveis fósseis, mas sem novidades impactantes na conferência.

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

Em um dia marcado por intensas negociações e expectativas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compareceu à capital paraense nesta quarta-feira (19) para uma coletiva de imprensa, discutindo os preparativos e a visão do Brasil para a próxima Conferência das Partes (COP30), que será sediada em Belém em novembro de 2025. Apesar da grande expectativa de analistas e ativistas por anúncios concretos sobre financiamento climático e a transição energética nacional, o presidente Lula optou por não apresentar novidades relevantes ou planos detalhados para o período.

O foco central da fala do presidente foi a diplomacia e a responsabilidade global. “O Brasil quer mostrar que é possível e convocar outras nações para trabalharmos juntos“, afirmou, ressaltando o papel do país nas negociações ambientais internacionais. Ele fez questão de enfatizar o respeito pela soberania dos países, um ponto crucial nas discussões sobre ajudas externas e metas ambientais.

Lula rebate críticas e defende Belém como sede da COP30

O presidente Lula aproveitou a oportunidade para rebater as críticas que cercaram a escolha de Belém como sede da COP30. Com convicção, ele argumentou que a cidade proporcionou condições e um engajamento superior ao visto em outras localidades que já sediaram a conferência.

“É fundamental apresentar a Amazônia da maneira como realmente é para as pessoas ao redor do mundo. Esta conferência foi realizada em Belém porque todos têm um papel na sociedade, independentemente de gênero ou etnia”, declarou. A defesa da Amazônia e a valorização das populações locais e tradicionais, de fato, têm sido um dos pilares do discurso do governo brasileiro no cenário internacional.

Encontro com Sociedade Civil e a Luta por Combustíveis Fósseis

Mais cedo, o presidente Lula cumpriu uma agenda intensa, encontrando-se com representantes da sociedade civil, incluindo cientistas e líderes de comunidades indígenas da região. O debate central girou em torno de uma reivindicação fundamental: a inclusão de um roteiro claro para a eliminação dos combustíveis fósseis no texto decisório da COP30.

Essa exigência ganhou peso após a versão preliminar do documento, apresentada na véspera (terça-feira), não mencionar explicitamente um plano para interromper o uso de tais combustíveis. O movimento de pressão pela inclusão de um cronograma firme contra o carvão, gás e petróleo tem ganhado força.

Em um ato simbólico, uma coletiva de imprensa liderada pelas Ilhas Marshall exigiu uma abordagem mais clara sobre o tema. Na ocasião, representantes de mais de 80 países — incluindo grandes potências como Alemanha, Reino Unido e países do Sul Global como Quênia e Colômbia — manifestaram apoio à proposta de eliminação.

Relatos de bastidores indicam que a postura do presidente Lula gerou movimentação nas delegações. Países estratégicos como a China fizeram consultas a seus governos após interagir com o líder brasileiro, embora ainda haja resistência notável por parte de algumas nações árabes, cujas economias dependem diretamente da extração de petróleo.

Compromisso de Lula com o fim dos fósseis

Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, demonstrou otimismo após as conversas. Ele destacou a importância de abordar o término dos combustíveis fósseis no documento final da conferência e ressaltou o aparente comprometimento do presidente com essa pauta.

“A impressão que tenho é que Lula está plenamente convencido de que sua proposta é o caminho correto. Ele mencionou seu compromisso em defender essa pauta em fóruns de grande relevância, como o G7 e o G20, concluiu Astrini.

Durante a avaliação geral do evento e dos preparativos para 2025, o presidente Lula não poupou elogios ao trabalho da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. “Não sei se há outra primeira-dama que trabalhe tanto quanto ela na COP30”, afirmou, reconhecendo o engajamento da esposa nas agendas sociais e de mobilização do clima. O papel do presidente Lula nas negociações em Belém consolida a visão brasileira de liderança climática, com foco na Amazônia e na pressão pelo fim dos combustíveis fósseis.

  • Publicado: 19/11/2025 23:03
  • Alterado: 19/11/2025 23:04
  • Autor: 19/11/2025
  • Fonte: GOV/BR