Lula exalta democracia e critica violência política no 2º turno
Em coletiva no segundo turno, Lula agradeceu à população pela mobilização, defendeu o respeito às diferenças e criticou ataques políticos
- Publicado: 25/10/2026 11:35
- Alterado: 25/10/2026 13:33
- Autor: Carlos Enriki e Leonardo Nogueira
- Fonte: ABCdoABC
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exaltou a mobilização popular durante o segundo turno das eleições presidenciais e afirmou que as manifestações registradas em diferentes regiões do país foram fundamentais para a defesa da democracia. Em coletiva neste domingo (25), o candidato à reeleição também criticou episódios de violência política, defendeu a convivência entre pessoas com opiniões diferentes e fez críticas ao adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
Ao agradecer aos eleitores, Lula disse que nunca havia presenciado uma mobilização como a que acompanhou nos últimos dias de campanha. “O que eu vi neste segundo turno foi algo, eu diria do ponto de vista sociológico, quase que inexplicável”, declarou.
Segundo o presidente, a mobilização não se limitou à atuação de partidos, sindicatos ou igrejas. Na avaliação dele, a população foi às ruas para defender direitos e conquistas. Lula afirmou que, caso seja reeleito, deverá o resultado eleitoral à participação popular, que classificou como “um exército da democracia”.
Lula defende respeito às diferenças políticas

Durante a coletiva, o presidente afirmou que o respeito às diferenças é um dos princípios fundamentais da democracia. Ele usou exemplos do cotidiano para defender que divergências políticas, religiosas e esportivas não devem provocar conflitos entre as pessoas.
“Os vizinhos não precisam ter o mesmo candidato, mas também não precisam brigar”, afirmou Lula. Em seguida, acrescentou que o mesmo princípio deve valer para as diferenças de religião e de preferência esportiva.
“Se cada um aprender a respeitar o direito dos outros, a fé dos outros, o time dos outros e o partido dos outros, a gente exerce a democracia na sua plenitude”, declarou.
Lula também citou disputas eleitorais anteriores, nas quais enfrentou adversários como Geraldo Alckmin, Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Segundo ele, o respeito ao resultado das urnas deve fazer parte do processo democrático, independentemente de quem vença.
Presidente relata episódios de violência política

Lula afirmou que recebeu notícias de agressões contra pessoas ligadas à sua campanha e citou relatos de ataques em Minas Gerais e no Mato Grosso do Sul. Durante a fala, mencionou uma vereadora que teria sido atingida por um tijolo em Montes Claros (MG), além de notícias de mortes em cidades sul-mato-grossenses.
Os episódios foram apresentados pelo presidente como exemplos do ambiente de tensão política durante a disputa eleitoral. As circunstâncias e a motivação dos casos citados precisam ser verificadas de forma independente.
Para Lula, o país vive uma disputa sobre diferentes projetos de sociedade, envolvendo temas como educação, saúde, emprego e desenvolvimento econômico.
“De um lado, aqueles que querem democracia, aqueles que querem educação, aqueles que querem saúde, aqueles que querem crescimento econômico, aqueles que querem emprego de qualidade”, afirmou.
O presidente também defendeu que a população possa viver com dignidade e respeito, mesmo diante de divergências de opinião.
Lula critica adversário e faz comparação sobre armas e educação
Em outro momento da coletiva, Lula dirigiu críticas ao adversário, Flávio Bolsonaro. O presidente fez acusações sobre a conduta moral e política do senador e mencionou supostas relações com milicianos. As declarações foram feitas durante o discurso de campanha e não constituem, por si só, comprovação das acusações.
Lula também comparou visões distintas sobre as prioridades do país, usando armas e livros como símbolos de propostas que considera opostas.
“A gente quer um Brasil que distribua a possibilidade de comprar 1 milhão de armas. Se a gente quer um Brasil que distribua livro para as crianças, ou um país em que se vende 1 bilhão e 100 milhões de balas. É isso que tá em jogo”, declarou.
Na sequência, o presidente fez referência à bandeira brasileira e à soberania nacional. “A gente não tem duas pátria, é uma pátria só. A gente não tem dois Deus, é um Deus só”, afirmou.
Presidente agradece eleitores e destaca mobilização popular
Ao final da coletiva, Lula voltou a agradecer aos apoiadores e afirmou que a mobilização observada durante o segundo turno merece registro histórico.
“De coração, eu quero agradecer ao povo brasileiro. Eu sou obrigado todo santo dia a ajoelhar, agradecendo o comportamento do povo, o carinho, o amor e a garra do povo”, disse.
O presidente também defendeu que pesquisadores e historiadores analisem as manifestações registradas durante a campanha. Segundo ele, parte dos atos ocorreu de maneira espontânea, sem organização centralizada.
Ao encerrar a fala, Lula desejou que os eleitores tomem sua decisão e que o país continue avançando. “Que Deus abençoe os eleitores brasileiros, e que eles consigam fazer com que esse país continue andando pra frente, crescendo e gerando oportunidade pra todo mundo”, concluiu.