Lula defende reciprocidade e nega briga com EUA 

Presidente Lula reafirma busca por diálogo com EUA após acionar a Lei de Reciprocidade contra tarifas comerciais

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a decisão do governo brasileiro de iniciar o processo de aplicação da Lei de Reciprocidade em resposta às sobretaxas impostas pelos Estados Unidos. Durante entrevista concedida aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, o mandatário ressaltou que o objetivo da medida é demonstrar a firmeza do país na defesa de seus interesses comerciais.

O presidente Lula ponderou que a iniciativa busca proteger a soberania do Brasil diante de barreiras consideradas injustificadas. Ele declarou:

“Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos. Não quero nenhuma briga com os Estados Unidos. Lamentavelmente, eles estão fazendo, sabe, construindo inverdades contra o Brasil. Nós, ontem, entramos com lei da reciprocidade para a gente mostrar que a gente não é pouca coisa”.

Diálogo diplomático e a busca por um encontro presencial

O chefe do Executivo enfatizou que mantém uma relação de respeito institucional com o presidente norte-americano, Donald Trump. Segundo Lula, há um esforço diplomático para agendar um diálogo direto entre os dois líderes, embora restrições de agenda possam adiar a reunião.

Ao comentar o tom diplomático que pretende adotar no eventual encontro, Lula destacou a importância de preservar a autonomia nacional:

“Estou tentando falar com ele [Trump], estou tentando manter um contato com ele porque eu quero ter uma conversa ‘tête-à-tête’ com ele. E vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil e sobretudo na questão da eleição”.

Apontamentos sobre a equipe diplomática norte-americana

O presidente Lula voltou a mencionar a influência do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na condução da política externa norte-americana para a América Latina. De acordo com Lula, o posicionamento do secretário reflete uma postura restritiva quanto às relações comerciais com o mercado brasileiro.

Entenda o impacto do contencioso comercial

Origem das tarifas e o mecanismo da lei brasileira

Em 22 de julho, o governo dos Estados Unidos adotou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, na sequência de investigações conduzidas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas de comércio. A alíquota é cumulativa, incidindo diretamente sobre os impostos de importação já em vigor.

A abertura do processo com base na legislação de reciprocidade brasileira permite ao país adotar contrapartidas equivalentes nas áreas comercial, econômica e diplomática. No entanto, a aplicação de medidas práticas depende de avaliações técnicas e do cumprimento de etapas formais dentro do governo federal.

Ao avaliar os próximos passos do contencioso, Lula demonstrou confiança na sustentação das posições brasileiras nos fóruns internacionais, reafirmando o compromisso com o diálogo transparente e pragmático.

  • Publicado: 14/08/2026 15:20
  • Alterado: 14/08/2026 15:20
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: CNN