Lula amplia trajetória política com vitória histórica em 2026

Lula vence em 2026, amplia trajetória histórica e se aproxima de marca inédita na Presidência após décadas de militância, derrotas e retomadas políticas

Crédito: (Divulgação/Ricardo Stuckert)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua trajetória histórica na política brasileira ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, segundo projeção do Datafolha citada pela Folhapress. A vitória representa uma nova marca na carreira do petista, que já foi eleito presidente em 2002, 2006 e 2022.

Com a nova eleição, Lula poderá cumprir seu quarto mandato presidencial e chegar a 16 anos no comando do país. Aos 80 anos, o presidente também amplia uma trajetória que inclui a liderança sindical durante a ditadura militar, três derrotas presidenciais antes da primeira vitória, a prisão no âmbito da Operação Lava Jato e o retorno à disputa eleitoral após a anulação de suas condenações pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Infância humilde e início da vida profissional

Lula nasceu em Garanhuns, no agreste de Pernambuco, em uma família de trabalhadores rurais. Sétimo de oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como dona Lindu, mudou-se ainda criança para São Paulo com a mãe e os irmãos.

A viagem foi feita em um caminhão pau de arara e durou 13 dias. A família buscava se reunir ao pai, que havia migrado anteriormente para procurar emprego. Mais tarde, dona Lindu se separou de Aristides e passou a cuidar dos filhos sozinha.

Durante a infância e a adolescência, Lula trabalhou como vendedor de laranja, amendoim e tapioca, engraxate e auxiliar de tinturaria, entre outras ocupações. Aos 14 anos, conseguiu o primeiro emprego fixo em uma fábrica de parafusos. Depois, fez um curso de torneiro mecânico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), profissão que exerceu antes de entrar na política.

Aos 17 anos, sofreu um acidente de trabalho em uma prensa e perdeu o dedo mindinho da mão esquerda. A experiência como metalúrgico marcou sua trajetória e ajudou a aproximá-lo das reivindicações dos trabalhadores.

Liderança sindical projetou Lula nacionalmente

Lula começou a participar das atividades do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1969, levado pelo irmão Frei Chico. Em 1975, foi eleito presidente da entidade e ganhou projeção ao liderar greves de trabalhadores do ABC paulista no final da década de 1970, durante os últimos anos da ditadura militar.

Em 1980, foi preso com base na Lei de Segurança Nacional, em meio à repressão ao movimento sindical. No mesmo ano, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), criado com a participação de sindicatos, movimentos sociais, setores progressistas da Igreja Católica, intelectuais e estudantes.

Anos depois, Lula relembrou como mudou sua visão sobre a política durante a atuação sindical.

“No sindicato, adorava encher a boca pra falar: não gosto de política e não gosto de quem gosta de política. (…) Daí eu descobri que não dava pra fazer nada fora da política”, afirmou, segundo a reportagem da Folhapress.

Em 1982, acrescentou oficialmente o apelido Lula ao nome para disputar o governo paulista. Terminou a eleição em quarto lugar. Quatro anos depois, foi eleito deputado federal constituinte, com 651,7 mil votos, a maior votação para o cargo naquele pleito.

Três derrotas antes da primeira eleição presidencial

A chegada de Lula à Presidência foi precedida por três tentativas frustradas. Em 1989, perdeu o segundo turno para Fernando Collor de Mello. Em 1994 e 1998, foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso ainda no primeiro turno.

A primeira vitória presidencial veio em 2002, quando Lula ampliou alianças políticas, escolheu o empresário José Alencar como vice e adotou uma estratégia de campanha voltada também à redução das preocupações do mercado financeiro. Na ocasião, publicou a Carta ao Povo Brasileiro, na qual se comprometeu a respeitar contratos e manter o equilíbrio das contas públicas.

Lula venceu José Serra (PSDB) no segundo turno, com 52,8 milhões de votos, equivalentes a 61,3% dos votos válidos.

Primeiro governo teve combate à fome e crise política

No primeiro mandato, iniciado em 2003, o combate à fome foi uma das prioridades do governo. A gestão lançou o programa Fome Zero, que antecedeu a consolidação do Bolsa Família. Na economia, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, manteve o tripé macroeconômico, baseado em metas de inflação, equilíbrio fiscal e câmbio flutuante.

O governo também enfrentou o escândalo do mensalão, esquema de compra de apoio parlamentar que provocou uma crise política e levou à saída de José Dirceu da Casa Civil.

Apesar do desgaste, Lula recuperou popularidade e foi reeleito em 2006, derrotando Geraldo Alckmin, então no PSDB. O segundo mandato foi marcado por obras de infraestrutura, crescimento econômico e pela repercussão internacional da gestão brasileira durante a crise financeira de 2008.

Em 2009, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou Lula durante um encontro internacional. “Esse é o cara. Eu adoro esse cara. O político mais popular do mundo”, afirmou.

Ao final do segundo mandato, em 2010, Lula registrou índices de aprovação superiores a 80% em pesquisas do Datafolha e do Ibope, segundo os dados citados pela Folhapress.

Prisão e anulação das condenações

Depois de deixar a Presidência, Lula apoiou a candidatura de Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014. O segundo mandato de Dilma terminou com seu impeachment, em 2016, e a posse do vice Michel Temer.

Anos depois, Lula se tornou um dos principais alvos da Operação Lava Jato. Foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e preso em abril de 2018, quando liderava pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial daquele ano.

O petista permaneceu preso por 580 dias, até novembro de 2019. Em 2021, o STF anulou suas condenações por entender que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos e também confirmou a parcialidade do então juiz Sergio Moro em um dos processos.

Com os direitos políticos restabelecidos, Lula voltou à disputa presidencial em 2022. No segundo turno, derrotou Jair Bolsonaro (PL) por uma margem estreita: 50,9% contra 49,1% dos votos válidos.

Terceiro mandato e nova disputa eleitoral

No terceiro mandato, iniciado em 2023, Lula apresentou a reconstrução de políticas públicas e o enfrentamento da fome como prioridades. Durante o período, indicadores de pobreza e fome recuaram, enquanto emprego e renda melhoraram, conforme a reportagem original. A gestão, por outro lado, enfrentou pressões relacionadas à dívida pública e aos juros.

O governo também foi marcado pelo escândalo dos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. As irregularidades tiveram início em governos anteriores e cresceram durante a gestão Lula, quando investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União desarticularam parte do esquema. O caso levou à saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência.

Em 2022, Lula se casou com a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja, sua terceira esposa.

A vitória projetada no segundo turno de 2026 acrescenta um novo capítulo à trajetória do presidente. Se confirmada nos resultados oficiais, será sua quarta eleição presidencial vencida e ampliará para 16 anos o período em que terá governado o Brasil, considerando os quatro mandatos.

  • Publicado: 25/10/2026 22:20
  • Alterado: 25/10/2026 22:20
  • Autor: Carlos Enriki
  • Fonte: FolhaPress