Envio da Guarda Nacional a Los Angeles reacende disputa sobre imigração e autoridade federal
Conflito em Los Angeles deflagrado por operações do ICE
- Publicado: 08/06/2025 14:15
- Alterado: 08/06/2025 14:16
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: G1 / UOL
Desde o dia 6 de junho de 2025, uma série de operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em bairros populares de Los Angeles, como o distrito da moda e a região de Paramount, resultou na detenção de dezenas de imigrantes.
As estimativas variam entre 44 a 118 pessoas presas em apenas dois dias, o que gerou forte reação entre as comunidades locais, especialmente entre grupos latino-americanos.
Os protestos começaram de forma pacífica, mas rapidamente se transformaram em episódios de confronto. Manifestantes bloquearam ruas, incendiaram barricadas e utilizaram coquetéis molotov contra a polícia.
As autoridades responderam com gás lacrimogêneo e prisões em massa. O clima de tensão aumentou com a divulgação de vídeos nas redes sociais mostrando ações consideradas violentas por parte das forças de segurança.
Trump autoriza envio da Guarda Nacional
Em resposta ao aumento da violência nos protestos, o presidente Donald Trump autorizou, no dia 7 de junho, o envio de 2.000 militares da Guarda Nacional da Califórnia para Los Angeles. A decisão foi tomada com base no Título 10 da legislação federal, o que permite ao governo dos Estados Unidos mobilizar tropas mesmo sem a solicitação do governador do estado.
A medida foi justificada pela Casa Branca como uma tentativa de restaurar a ordem diante do que o governo classificou como “rebelião urbana”. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, chegou a mencionar a possibilidade de mobilização dos fuzileiros navais caso os protestos continuem a se intensificar.
A atuação militar, no entanto, levantou questionamentos sobre a legalidade e a proporcionalidade da intervenção federal.
Choque político entre poderes federais e locais
A decisão de Trump provocou forte reação entre lideranças locais. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, afirmou que a presença das tropas era desnecessária e poderia agravar ainda mais os conflitos. Segundo ele, o estado possuía recursos suficientes para conter a situação e que a intervenção federal representava uma escalada perigosa e politicamente motivada.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também criticou o envio das tropas e garantiu que sua administração não havia solicitado apoio militar. Ela reforçou a confiança nas forças de segurança locais e classificou a decisão do presidente como uma afronta à autonomia da cidade.
Em resposta, Trump intensificou os ataques, chamando os líderes californianos de “incompetentes” e afirmando que estavam permitindo a desordem por questões ideológicas.
Chegada das tropas e tensão crescente
No domingo, 8 de junho, as primeiras unidades da Guarda Nacional começaram a chegar a pontos estratégicos de Los Angeles, incluindo áreas próximas ao centro da cidade e na região de Paramount, onde os protestos foram mais intensos. Os militares se juntaram às forças locais para reforçar a segurança e conter possíveis novos focos de conflito.
A presença das tropas, no entanto, não foi suficiente para desmobilizar os protestos, que continuaram em diversos bairros. Grupos de defesa dos direitos humanos expressaram preocupação com o uso excessivo da força e com a criminalização do direito à manifestação.
Líderes comunitários alertam para o risco de agravamento das tensões caso as forças de segurança priorizem a repressão em vez do diálogo com a população.