Linha 17-Ouro registra falhas e furtos no primeiro mês de operação
Monotrilho da Zona Sul paulistana acumula paralisações, lentidão e queixas de insegurança durante os primeiros trinta dias de testes.
- Publicado: 30/04/2026 07:31
- Alterado: 30/04/2026 07:32
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
A Linha 17-Ouro do monotrilho de São Paulo completou o primeiro mês de operação assistida nesta quinta-feira (30) sob críticas de passageiros e moradores da Zona Sul. O sistema gerido pelo Metrô enfrentou quatro paralisações totais ou parciais em 23 dias de funcionamento ativo.
Inaugurado no fim de março pelo governador Tarcísio de Freitas, o ramal exigiu o acionamento emergencial de ônibus do sistema Paese para socorrer os usuários durante as panes. Furtos de cabos de energia e de sinalização motivaram ao menos duas dessas interrupções severas.
Operação assistida da Linha 17-Ouro esbarra na falta de trens
Usuários relatam lentidão constante e intervalos extensos entre as viagens. A circulação na Linha 17-Ouro ocorre atualmente em horário restrito, de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, limitando a capacidade de atendimento nos períodos de pico.
Reduzir a espera nas plataformas depende da chegada de novas composições e da instalação de equipamentos mecânicos de manobra de via. O maquinário essencial ficará posicionado próximo às estações Morumbi e Aeroporto de Congonhas.
“Nós temos a perspectiva, a partir de 30 de junho, da inauguração da Washington Luís. Ali vamos operar a primeira linha em Y”, afirmou o gerente de operações do Metrô, Milton Júnior.
O cronograma oficial prevê a normalização do chamado sistema de carrossel no último trimestre. A promessa estatal fixa o dia 30 de setembro para a regularização definitiva dos intervalos entre as partidas das locomotivas.
Balanço de passageiros e quilometragem
Mesmo com a janela curta de funcionamento diário, as catracas registraram fluxo intenso de pessoas. O balanço inicial da Linha 17-Ouro indica o transporte de 100.726 passageiros através de 625 viagens finalizadas.
Os trens percorreram 3.438 quilômetros ao longo das quatro semanas iniciais. As paradas com maior demanda até o momento englobam Morumbi, Aeroporto de Congonhas e Campo Belo, principal ponto de conexão com a rede metroviária subterrânea.
Insegurança e avanço do tráfico no entorno
A infraestrutura de mobilidade convive com uma grave crise de segurança pública na Avenida Jornalista Roberto Marinho. Moradores denunciam a consolidação de pontos de uso e venda de drogas diretamente sob os viadutos da Linha 17-Ouro.
A aglomeração de dependentes químicos afugenta pedestres e gera medo entre os residentes dos condomínios vizinhos. Equipamentos de vigilância particular viraram alvo fácil para criminosos que habitam as vias adjacentes em situação de rua.
“Hoje mesmo presenciamos o pessoal vendendo droga. Os carros paravam, compravam e saíam. A situação se agravou demais”, relatou o gerente predial Marcelo Marques da Silva.
Câmeras instaladas nas fachadas dos prédios desaparecem em questão de dias. O foco principal das invasões engloba também os fios de cobre da própria rede de transporte público, revendidos clandestinamente no comércio ilegal da região.
Ação policial e resposta do poder público
Agentes de segurança registraram cinco furtos diretos contra a estrutura do monotrilho apenas neste mês inaugural. Policiais prenderam um suspeito de 28 anos em flagrante durante a madrugada da última terça-feira enquanto transportava o material metálico.
A Secretaria da Segurança Pública declarou o reforço imediato do policiamento ostensivo e a deflagração de operações integradas. As ações táticas miram especificamente os estabelecimentos de reciclagem que funcionam como receptadores do material saqueado.
A Prefeitura de São Paulo informou manter equipes de assistência social nas ruas afetadas para oferecer acolhimento aos cidadãos vulneráveis. O sucesso operacional da Linha 17-Ouro dependerá agora da sintonia entre a conclusão técnica das obras e a pacificação do território no entorno das estações.