Linha 12-Safira registra falha nesta quinta após fim da greve
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos apura instabilidade técnica na manhã desta quinta-feira. Passageiros relatam fortes atrasos.
- Publicado: 06/08/2026 07:12
- Alterado: 06/08/2026 07:12
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
Passageiros da capital e Grande São Paulo enfrentaram transtornos na Linha 12-Safira na manhã desta quinta-feira (6). Uma pane de sinalização afetou a operação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) por volta das 06h20 da manhã, reduzindo a velocidade dos trens e aumentando o tempo de parada nas estações.
As plataformas amanheceram lotadas, com as locomotivas circulando lentamente em direção à estação Barra Funda. Usuários do transporte relataram intervalos entre os trens de 14 a 20 minutos, muito acima do programado para o horário de pico.
“Os técnicos já estão atuando para normalizar a circulação. A CPTM pede desculpas pelos transtornos gerados”, comunicou a empresa estatal.
Fim da paralisação e tumulto na Linha 12-Safira
O problema técnico na Linha 12-Safira ocorre menos de 24 horas após os ferroviários encerrarem a paralisação que afetou o sistema. O fim do movimento grevista gerou momentos de tensão na Estação Engenheiro Goulart, na Zona Leste de São Paulo, no início da noite de quarta-feira (5).
Uma confusão tomou conta da área de embarque dos ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese). Houve atrito físico entre usuários e seguranças da companhia. Pouco tempo depois, o anúncio de que a circulação dos trens seria retomada provocou uma corrida desenfreada em direção às plataformas da Linha 12-Safira.
Na correria, passageiros pularam catracas e sofreram quedas no empurra-empurra para tentar embarcar mais rapidamente. A greve, iniciada à meia-noite de terça-feira (4), afetou quase 1 milhão de pessoas por dia em toda a malha ferroviária.
Acordo no TRT-2 e futuro dos trabalhadores
A categoria decidiu retomar as atividades após uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-2). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se comprometeu a enviar um projeto de lei à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), garantindo a realocação dos funcionários do sistema por outros órgãos da administração pública.
“Já existe um instrumento jurídico para isso desde 2020, mas ainda assim vamos encaminhar um projeto de lei específico para as linhas 11, 12 e 13 para dar mais força a esse compromisso e tirar qualquer argumento em sentido contrário”, explicou o governador.
O acordo validado pela Justiça inclui também os empregados da linha 10-Turquesa, evitando desigualdade laboral entre os ramais concedidos. A proposta exige que o estado mantenha 100% dos trabalhadores em seus quadros, condicionada à retomada imediata da operação e à suspensão de multas aplicadas aos sindicatos.
A instabilidade na Linha 12-Safira e o histórico de concessão
A crise atual no transporte público metropolitano possui raízes no recente processo de privatização. O governo paulista concedeu três ramais ao grupo Comporte Participações, que administra o consórcio Trivia Trens. O contrato firmado estipula investimentos de R$ 14,3 bilhões em obras para modernizar a infraestrutura e ampliar a capacidade operacional.
A iniciativa privada assumiu a gestão integral no dia 21 de julho. Os usuários do sistema enfrentaram imediatamente falhas elétricas, graves atrasos e até mesmo um incêndio em uma das composições. Esses transtornos em sequência forçaram a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) a intervir no contrato.
O órgão regulador determinou que a CPTM reassumisse o controle provisório das vias por 90 dias para que a concessionária realizasse ajustes emergenciais. A greve dos ferroviários e as falhas técnicas ocorreram exatamente neste período turbulento de transição, expondo a fragilidade na operação da Linha 12-Safira e intensificando o debate sobre a segurança do serviço repassado à iniciativa privada.