Lindbergh cobra queda da Selic e critica o mercado

O deputado Lindbergh criticou a pressão do mercado financeiro e cobrou de Gabriel Galípolo a redução dos juros básicos no Banco Central

Crédito: Divulgação/Câmara dos Deputados

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) cobrou publicamente do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a adoção de cortes na taxa básica de juros (Selic) e acusou setores do mercado financeiro de atuarem politicamente para pressionar a condução econômica do país. A manifestação ocorreu nesta segunda-feira (2), por meio de posicionamento em suas redes digitais, após a divulgação de novas projeções de analistas financeiros sobre os rumos da política monetária.

O posicionamento de Lindbergh sustenta que a revisão recente nas estimativas dos agentes econômicos sobre a trajetória dos juros carece de embasamento estritamente operacional. De acordo com o parlamentar, as expectativas que antes apontavam para um alívio monetário foram rapidamente revistas após desdobramentos eleitorais e oscilações nos pregões da B3 e na cotação da moeda norte-americana.

Lindbergh questiona a taxa básica e independência monetária

A contestação central apresentada por Lindbergh recai sobre a inflexão das curvas de juros futuros e relatórios de mercado. O congressista argumentou que os diagnósticos que projetavam alívio de 0,5 ponto percentual na Selic migraram para um patamar de estabilidade ou aperto monetário em 13,75% ao ano.

Ao justificar suas críticas à postura dos operadores de mercado perante a autoridade monetária, o deputado pontuou:

“É escandaloso! Não há nada de técnico nisso. Estão fazendo política e sabotando a nossa economia. A Selic deve ser decidida pela economia brasileira, não pelo humor do mercado financeiro. Decisão técnica significa olhar para inflação, atividade, emprego, crédito e economia real — e não ceder a chantagens, ameaças ou ao terrorismo financeiro de quem lucra com juros elevados.”

Na avaliação tornada pública por Lindbergh, a autonomia formal conferida ao Banco Central pela legislação vigente tem sido utilizada por agentes do setor bancário para modular artificialmente o ritmo de crescimento nacional:

“O mercado cria as expectativas e as autorrealiza. A autonomia do Banco Central tem servido apenas para que o mercado dite as regras da política monetária e cambial, totalmente descoladas dos programas eleitos pelas urnas.”

Comportamento dos ativos e indicadores econômicos

O pronunciamento de Lindbergh ocorre em um período de oscilações no mercado de capitais brasileiro, com a Bolsa de Valores operando em dias consecutivos de baixa e registrando acionamento de travas de segurança em sessões com alta volatilidade. Na última sexta-feira (30), o principal índice acionário fechou em recuo de 0,75%, cotado aos 167,9 mil pontos, após já ter registrado queda de 1,06% no pregão imediatamente anterior.

Além do cenário de incerteza política no Congresso, analistas de mercado também incorporaram em suas planilhas a divulgação dos números do mercado de trabalho medidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), fator que influencia diretamente os modelos de controle da inflação monitorados pela diretoria colegiada do BC.

A pressão pública liderada por Lindbergh intensifica o debate institucional entre parlamentares da base governista e a cúpula do Banco Central sobre a dosagem da taxa Selic nas próximas reuniões deliberativas do Comitê de Política Monetária (Copom).

  • Publicado: 02/11/2026 15:49
  • Alterado: 02/11/2026 15:49
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Metrópoles