Agosto Verde-Claro reforça alerta sobre leishmaniose no Brasil
Mesmo com queda de 69,7% nos novos casos entre 2017 e 2024, presença da doença nas cinco regiões mantém alerta para prevenção e controle
- Publicado: 20/08/2026 09:11
- Alterado: 20/08/2026 09:11
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Ourofino Saúde Animal
A leishmaniose visceral continua sendo um desafio para a saúde pública brasileira, com presença confirmada nas cinco regiões do país. Entre 2015 e 2024, foram registrados 24.454 casos humanos, segundo dados do Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral, publicado pelo Ministério da Saúde em 2026.
Apesar do número acumulado, o cenário epidemiológico apresenta uma evolução positiva. Entre 2017 e 2024, o surgimento de novos casos caiu 69,7%.
Mesmo diante da redução expressiva, as autoridades sanitárias alertam que a dispersão geográfica do parasita exige a manutenção das medidas de prevenção. A conscientização é reforçada durante o Agosto Verde-Claro, período dedicado à orientação sobre os riscos e as formas de controle da enfermidade.
A transmissão ocorre pela picada do inseto flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito-palha. A doença é provocada por protozoários do gênero Leishmania. Nas áreas urbanas, o cão é considerado o principal reservatório do parasita.
No entanto, não existe transmissão direta do animal para o ser humano. O vetor é indispensável para a propagação da infecção, tornando o controle do mosquito uma das principais estratégias para interromper a cadeia de transmissão.
Sintomas podem aparecer somente em estágio avançado

Um dos principais desafios relacionados à leishmaniose visceral canina é a manifestação tardia dos sinais clínicos. Um animal infectado pode permanecer assintomático por longos períodos e, nesse intervalo, servir como fonte do parasita para os vetores sem que o tutor perceba.
Quando os sintomas aparecem, eles podem variar. Entre os sinais mais frequentes estão emagrecimento progressivo, apatia, queda constante de pelos, feridas de difícil cicatrização, especialmente no focinho e nas orelhas, crescimento anormal das unhas e perda de apetite.
Nos casos mais avançados, também podem surgir lesões oculares e comprometimento renal grave. Por isso, qualquer mudança física ou comportamental deve ser avaliada por um médico-veterinário, que poderá indicar os exames laboratoriais necessários.
Prevenção depende do controle do ambiente
Como a cadeia de transmissão depende do vetor, o enfrentamento da leishmaniose exige medidas combinadas de higiene ambiental e proteção dos animais.
O Ministério da Saúde recomenda a manutenção constante de quintais e áreas externas, com a retirada de matéria orgânica acumulada. Folhas secas, frutos em decomposição e fezes de animais podem favorecer a proliferação do mosquito-palha e, por isso, devem ser eliminados.
Na proteção dos cães, as diretrizes do Ministério da Saúde e do Grupo de Estudos em Leishmaniose Animal (Brasileish) recomendam o uso contínuo de coleiras impregnadas com inseticidas repelentes, como a deltametrina.
O dispositivo ajuda a impedir que o mosquito pique o animal e, dessa forma, contribui para interromper o ciclo de transmissão. Produtos disponíveis no mercado veterinário, como a coleira Leevre, também auxiliam no controle de vetores secundários, incluindo pulgas e carrapatos.
Saúde animal e humana estão conectadas
A combinação entre saneamento do ambiente, acompanhamento veterinário periódico e utilização de repelentes adequados reforça o conceito de Saúde Única.
A estratégia considera a relação entre a saúde humana, animal e ambiental e demonstra que medidas destinadas à proteção dos animais domésticos também podem contribuir para reduzir os riscos à população.
Nesse contexto, a prevenção da leishmaniose depende da participação conjunta de tutores, profissionais veterinários e autoridades sanitárias, especialmente em regiões onde o vetor está presente.