Lavagem de dinheiro leva Rei da Sucata à prisão em SP

A caçada policial alcançou a alta sociedade enquanto o esquema de lavagem de dinheiro ruiu dentro de uma loja de luxo na zona oeste da capital paulista

Crédito: Polícia Civil - (Foto: Reprodução)

O disfarce empresarial ruiu em meio às compras de alto padrão. Uma ação conjunta entre corporações estaduais estancou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro na noite deste sábado (7), resultando na captura de um empresário de 45 anos no interior do Shopping Cidade Jardim. Apontado pelos investigadores como o “Rei da Sucata”, o operador mantinha trânsito livre nos centros comerciais mais exclusivos da capital paulista enquanto branqueava capitais ilícitos.

A ofensiva cirúrgica foi viabilizada pelo cruzamento de relatórios de inteligência da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro com agentes de campo da Polícia Civil de São Paulo. A força-tarefa vigiou os passos do foragido até o momento em que ele entrou em uma boutique de grife, evitando confrontos armados ou tumultos entre os clientes do centro de compras.

O alvo responde como peça central na movimentação de recursos clandestinos gerados pelo tráfico interestadual de entorpecentes. Os agentes constataram que o comércio de sucata fornecia a justificativa fiscal ideal para reinserir cifras milionárias na economia formal, mascarando a origem criminosa dos depósitos através de faturas de compra e venda simuladas.

Lavagem de dinheiro usava indústria de metais pesados

Lavagem de dinheiro leva Rei da Sucata à prisão em SP
Osvaldo Nico Gonçalves – (Reprodução/Portal SSP)

O mecanismo financeiro apoiava-se na circulação intensa de notas fiscais fraudulentas. A engrenagem de lavagem de dinheiro utilizava uma fundição de metais não ferrosos de grande porte para dar aparência lícita a montantes originados em bocas de fumo e rotas de remessa internacional:

  • Depósitos fracionados em contas bancárias jurídicas para burlar os limites de notificação do Coaf;
  • Transações bancárias infladas com empresas de fachada do setor de reciclagem de cobre e alumínio;
  • Dissimulação de lucros operacionais com o mascaramento do transporte físico de minérios;
  • Escoamento patrimonial com a compra de imóveis comerciais e artigos de altíssimo valor agregado.

A ofensiva representa o principal desdobramento recente da Operação Contenção, deflagrada pelas forças fluminenses em maio deste ano para desidratar o caixa das facções. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, enalteceu a coordenação interestadual que impediu a fuga definitiva do alvo:

“Essa prisão mostra a importância do trabalho integrado entre as polícias de São Paulo e do Rio de Janeiro. A troca de informações e a cooperação entre as equipes são fundamentais para localizar e prender criminosos procurados pela Justiça, independentemente de onde estejam.”

O êxito da emboscada no centro comercial evidencia a importância do sufocamento econômico na desarticulação de redes ilegais. Quando a polícia desliga o operador contábil do crime organizado, o fluxo logístico das facções perde fôlego financeiro para pagar remessas de armas e custear novos carregamentos de drogas.

Custódia preventiva e encaminhamento ao DOPE paulista

O cerco foi fechado sem nenhum disparo nas dependências do complexo de compras. Logo após receber voz de prisão, o homem seguiu escoltado por viaturas descaracterizadas até a 1ª Delegacia de Polícia de Capturas, unidade pertencente ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE):

  • Cumprimento de mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça criminal fluminense;
  • Apreensão de aparelhos telefônicos criptografados e documentos pessoais para perícia técnica;
  • Comunicação formal da captura aos magistrados encarregados do processo da Operação Contenção;
  • Transferência prisional interestadual programada sob escolta do pelotão de operações táticas.

O delegado de plantão autuou os autos de apreensão e formalizou o comunicado de custódia ao Judiciário paulista. O detido aguarda a realização da audiência de custódia em cela isolada antes de ser transferido para o sistema penitenciário do Rio de Janeiro, onde prestará depoimento perante os delegados que presidem o inquérito original.

A queda do operador expõe a vulnerabilidade de esquemas milionários quando as corporações de segurança atuam em bloco. Ao asfixiar a estrutura de lavagem de dinheiro mantida pelo investigado, as forças de segurança quebram a engrenagem contábil de barões do tráfico e comprovam que o dinheiro oculto não garante impunidade nos endereços mais luxuosos do país.

  • Publicado: 08/11/2026 16:57
  • Alterado: 08/11/2026 17:01
  • Autor: Leonardo Nogueira
  • Fonte: Agência SP