José Loreto celebra papel de Chorão no cinema

O ator José Loreto detalha a experiência de viver o vocalista do Charlie Brown Jr. nos cinemas e a consagração no Festival de Gramado

Crédito: Divulgação

Com mais de duas décadas de trajetória na teledramaturgia nacional, o ator José Loreto encara o desafio mais denso de sua carreira artística ao interpretar Alexandre Magno Abrão, o Chorão, nos cinemas. O longa-metragem Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?, com estreia comercial programada para março de 2027, retrata a trajetória pública e os conflitos íntimos do líder da banda Charlie Brown Jr., falecido em 2013.

A caracterização dramática de José Loreto conquistou reconhecimento prévio da crítica especializada, garantindo o troféu Kikito de Melhor Ator na 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, além de sessões com lotação esgotada na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A produção cinematográfica também alterou a esfera pessoal do intérprete, marcando o início do relacionamento com a atriz Nanda Marques, que integrou o elenco preparatório e atualmente divide com ele as gravações da novela Quem Ama Cuida, exibida pela TV Globo.

José Loreto fala sobre desafios dramáticos e construção da intensidade vocal

A construção estética do vocalista exigiu imersão nas gravações de estúdio, hábitos e oscilações emocionais do músico santista. Para José Loreto, a transposição dessa vivência visceral para a tela envolveu um equilíbrio rigoroso para evitar excessos caricatos:

“Não teria nenhum personagem mais significativo, mais forte, cuja história eu desejasse mais contar do que o Chorão. Suas músicas são hinos de uma juventude, ensinamentos muito fortes, ainda mais em um momento da vida em que somos uma esponja, aprendendo e desenvolvendo nossa personalidade. A personalidade tão marcante do Chorão faz dele um artista original e único. Dar vida a esse cara tão revolucionário é uma dádiva. Não consigo nem colocar em palavras o que isso significa.”

O intérprete ressalta que o maior teste corporal residiu na transição constante entre afeto e fúria que acompanhava o artista nos palcos e nos bastidores. A recriação das perdas repentinas enfrentadas pelo cantor demandou esgotamento físico nas filmagens:

“É mais fácil falar qual não foi o desafio! Tudo no Chorão é um desafio. A intensidade dele, tanto no amor quanto na raiva. Ele está sempre sentindo tudo, vivendo tudo com muita intensidade. O maior desafio foi levar essa potência para a tela sem ser exagerado, estando de corpo e alma em cada momento da vida dele, em cada dor. O Chorão teve muitas perdas fortes, algumas nos próprios braços. É muito difícil acessar emocionalmente esse lugar de perder algo muito valioso de forma tão repentina. É muito doído. Tenho algumas cenas com essa dor.”

Com a resposta positiva do público nas salas de exibição, a produção do longa reforça a força do legado do rock nacional entre diferentes faixas etárias.

Reconhecimento em festivais e recepção da crítica

A láurea concedida no circuito gaúcho representou um atestado de maturidade artística para José Loreto, que já acumula em seu currículo papéis marcantes em obras televisivas como Avenida Brasil e o remake de Pantanal. A complexidade dos registros biográficos impôs um tratamento cuidadoso sobre os contrastes psicológicos do compositor:

“Esse prêmio é, primeiro, uma luz sobre a obra e a vida do Chorão. Acho que não o receberia se ele não tivesse sido esse cara tão cheio de luz e sombra, que permite construir um personagem complexo, cheio de camadas. Foi muito lindo receber esse reconhecimento neste momento da carreira. É um carinho no peito, uma confirmação de que estou contando essa história de uma maneira que toca as pessoas. Em Gramado, vi um cinema inteiro em silêncio absoluto em alguns momentos, com choro, sustos e até risadas. Acho que estou apontando para um caminho bonito, digno da história que o Chorão merecia.”

A recepção nas salas do festival permitiu observar a quebra de expectativas em torno de biografias musicais, consolidando a atuação como uma homenagem respeitosa aos admiradores da banda.

Parceria profissional e transição para a televisão

Além do retorno nas bilheterias dos festivais, o período de ensaios aproximou José Loreto de sua atual companheira, Nanda Marques, durante os testes seletivos de elenco. O casal mantém agora rotinas conjuntas no Projac, embora ocupem frentes narrativas independentes no folhetim das 21h:

“Conheci a Nanda na época dos testes e, durante a preparação, fomos nos tornando grandes amigos e parceiros. Sabíamos da importância do projeto que tínhamos nas mãos. Éramos dois artistas querendo chegar ao mesmo lugar, pelos mesmos caminhos, contar aquela história com muita dignidade e superar as expectativas. Foi muito bonito nosso encontro. Agora, na novela, temos um elenco gigante e um trabalho diário de meses. É uma dinâmica mais branda, nos encontramos pouco nas gravações, mas está sendo muito gostoso. Vamos ter trabalhos juntos e separados, com intensidades diferentes.”

A trajetória do filme prepara o terreno para o lançamento nacional nos complexos comerciais em março de 2027, quando o trabalho de José Loreto chegará aos espectadores de todo o território brasileiro.

  • Publicado: 01/11/2026 16:01
  • Alterado: 01/11/2026 16:01
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress