Ministra Janine Mello detalha ações de combate a violência infantil no ABC

Ministério detalha atuação governamental rotineira contra crimes sofridos por menores e ataques a pessoas em situação de rua na região paulista.

Crédito: Diego Campos/Secom-PR

A Ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, participou do “Bom Dia, Ministra“, na manhã desta terça-feira (19) e detalhou as frentes de atuação mantidas para enfrentar a violência infantil no ABC e frear os ataques sucessivos contra a população em situação de rua. A prestação de contas integram o fluxo de ajuda federal, campanhas contra a aporofobia e o repasse de recursos aos municípios da região metropolitana de São Paulo.

A manifestação da Executiva ocorre após as cidades do Grande ABC e do entorno paulista registrarem quase 11 mil casos de agressão ou vulnerabilidade extrema contra menores. As estatísticas cobrem apenas o primeiro quadrimestre do ano. A ministra Janine Mello destrinchou as estratégias vigentes durante um balanço sobre as deficiências históricas do acolhimento social no país.

Disque 100 e conselhos tutelares

Ministra Janine Mello detalha ações para violência infantil e a pessoas de rua
Diego Campos/Secom-PR

O fluxo de atendimento a emergências define a primeira etapa da resposta governamental. Relatos registrados no canal Disque 100, que opera de forma gratuita e anônima, acionam as forças de segurança locais. A triagem das ligações orienta o envio de agentes aos locais das ocorrências.

Denúncias como de abuso sexual são encaminhadas imediatamente para a polícia e para as instâncias que a gente precisa de verificação”, afirmou Janine Mello sobre o repasse diário das informações.

Nos municípios, as políticas de assistência dependem da capacidade dos conselhos tutelares. O governo federal direciona suporte a essas equipes, cujo tamanho acompanha o número de habitantes de cada cidade. Os conselheiros operam como os agentes primários na averiguação de abusos domiciliares.

A redução da subnotificação da violência infantil no ABC exige o envolvimento de vizinhos e educadores. O Executivo investe em peças publicitárias para evitar que a sociedade normalize agressões no ambiente doméstico. O receio de denunciar restringe a base de dados oficial e dificulta a investigação policial.

O silêncio não protege crianças. O silêncio protege o abusador, protege quem comete a violência”, declarou a ministra. A meta do governo concentra-se em estimular o registro das ocorrências para fornecer dados reais à Justiça e às polícias.

Aporofobia e verbas para acolhimento

Diego Campos/Secom-PR

O planejamento do governo inclui a parcela da população desabrigada. As prefeituras respondem pelo cuidado primário dessas pessoas, mas enfrentam limites no orçamento municipal.

O Ministério dos Direitos Humanos não conta com políticas de cofinanciamento. Para ter política de cofinanciamento, preciso ter um sistema nacional. A gente ainda não tem, estamos defendendo que ele exista em breve”, esclareceu Janine Mello sobre a ausência de repasses diretos da pasta para as administrações locais.

O custeio das redes de assistência municipais depende de outras verbas federais integradas. “A gente conta com esses sistemas e com esses recursos que são repassados por dentro de outras ações. O SUAS, da assistência social, e o SUS, na saúde, têm cofinanciamento e já cofinanciam ações específicas para a população em situação de rua para cada um dos municípios do Brasil”, informou a ministra.

A discussão sobre recursos acompanha o aumento dos registros de violência nas vias públicas. Agressões físicas e psicológicas contra pessoas vulneráveis encontram espaço de disseminação na internet.

“Temos uma preocupação crescente com o aumento expressivo de casos de violência contra a população em situação de rua. Há uma influência de redes sociais, de formas com que as pessoas têm lidado e exposto a prática de atos de violação de direitos humanos de maneira pública e divulgado isso de maneira intencional”, pontuou Janine Mello.

Preconceito institucionalizado

Ministra Janine Mello (1)
Duda Rodrigues/MDHC

A exposição sistemática desses ataques levou o ministério a direcionar campanhas contra a aporofobia. O termo técnico classifica o preconceito, a rejeição e as agressões motivadas especificamente contra pessoas pobres e destituídas de recursos materiais.

Imaginar que a vida de uma pessoa em situação de rua valha menos que a vida de qualquer um de nós é uma crise, uma falência de valores humanitários, morais e da gente enquanto sociedade”, lamentou a ministra.

O Executivo monitora o cenário de exclusão extrema que afeta os moradores de rua. O desafio logístico, investigativo e judicial exigido para conter os ataques diários contra os desabrigados reflete a mesma complexidade das ações necessárias para erradicar a violência infantil no ABC.

  • Publicado: 19/05/2026 09:49
  • Alterado: 19/05/2026 11:24
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: ABCdoABC