Jair Bolsonaro piora quadro clínico e segue em UTI
Boletim médico de Bolsonaro deste sábado aponta piora na função renal e alta inflamação em tratamento de pneumonia bacteriana
- Publicado: 14/03/2026 12:41
- Alterado: 14/03/2026 12:41
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Hospital DF Star
O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, para o tratamento de uma broncopneumonia bacteriana bilateral. De acordo com o boletim médico divulgado na tarde deste sábado (14), embora apresente estabilidade clínica, o quadro de saúde de Jair Bolsonaro inspira cuidados devido à “piora da função renal e elevação dos marcadores inflamatórios”.
O diagnóstico aponta que a pneumonia foi causada por um episódio de broncoaspiração, condição em que substâncias como conteúdo gástrico entram nos pulmões. Atualmente, Bolsonaro recebe antibioticoterapia venosa, hidratação endovenosa e passa por sessões de fisioterapia respiratória e motora para evitar complicações como a trombose.
Gravidade do quadro e monitoramento médico
A equipe médica, composta pelo cirurgião Cláudio Birolini e pelo cardiologista Leandro Echenique, classifica a situação atual como uma das mais graves enfrentadas pelo ex-presidente desde o atentado em 2018. O cardiologista Leandro Echenique destacou a severidade do momento:
“Foi uma pneumonia mais grave do que as duas anteriores que ele teve no segundo semestre do ano passado. Ele vai ficar o tempo que for necessário para restabelecer seus pulmões e a saúde.”
Diferente de internações anteriores em São Paulo, o tratamento de Jair Bolsonaro ocorre em Brasília devido à sua custódia no 19º Batalhão da Polícia Militar (Papudinha). A transferência para o hospital privado foi autorizada após o ex-presidente apresentar vômitos, calafrios e queda na saturação de oxigênio durante a madrugada de sexta-feira.
O histórico clínico do ex-presidente Jair Bolsonaro é marcado por uma complexa sucessão de eventos médicos que tiveram origem no atentado sofrido em setembro de 2018, quando uma facada atingiu seu abdômen e causou graves lesões intestinais. Desde aquele episódio, o paciente foi submetido a pelo menos sete intervenções cirúrgicas de grande porte, a maioria destinada à correção de aderências, desobstrução do trato digestivo e tratamento de hérnias incisionais. Essas sucessivas manipulações na cavidade abdominal alteraram permanentemente a anatomia do sistema digestivo, favorecendo episódios recorrentes de suboclusão intestinal e refluxo gastroesofágico severo.
Devido a essa fragilidade estrutural, a saúde de Bolsonaro passou a exigir monitoramento constante contra quadros de broncoaspiração, situação em que o conteúdo gástrico reflui e acaba sendo inalado para os pulmões, gerando processos infecciosos. No segundo semestre de 2025, o ex-presidente já havia enfrentado duas internações por problemas respiratórios de menor gravidade, mas que já sinalizavam a vulnerabilidade de seu sistema imunológico e pulmonar.
A atual internação em março de 2026, diagnosticada como uma broncopneumonia bacteriana bilateral, representa o desdobramento mais crítico dessa condição crônica. A gravidade do momento é acentuada pelo fato de que a infecção atual não apenas compromete a oxigenação, mas também gera uma resposta inflamatória sistêmica que sobrecarrega outros órgãos. Esse cenário explica a recente piora na função renal registrada pelos médicos, uma complicação comum em pacientes com histórico de múltiplas cirurgias e traumas abdominais prévios quando expostos a infecções severas.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a internação e a visita de familiares próximos, mas manteve restrições rigorosas, proibindo o uso de dispositivos eletrônicos e celulares pelo paciente. O estado de Bolsonaro segue sendo monitorado 24 horas por uma junta médica multidisciplinar.