Internações por diabetes infantil crescem 47% em São Paulo
Internações no estado de São Paulo saltaram quase 47% em três anos. Ação atende crianças para rastrear agravos da doença autoimune.
- Publicado: 22/10/2026 11:53
- Alterado: 22/10/2026 11:53
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: SES-SP
As internações por diabetes tipo 1 entre crianças e adolescentes de até 19 anos registraram aumento de quase 47% no Estado de São Paulo entre 2022 e 2025. O total de pacientes hospitalizados subiu de 1.348 para 1.980 no período, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
A faixa etária de 10 a 14 anos responde por 41% das internações. Diante do avanço dos casos, o Hospital Infantil Darcy Vargas, unidade pública gerenciada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, organizou um mutirão preventivo voltado a 55 pacientes infantojuvenis em acompanhamento.
A força-tarefa mobilizou avaliações de oftalmologia, odontologia e enfermagem. Os profissionais realizaram o rastreamento de alterações clínicas ligadas à evolução crônica da doença e analisaram a sensibilidade dos membros inferiores dos jovens.
Prevenção contra complicações do diabetes
Níveis elevados de glicose no sangue provocam danos progressivos nos vasos sanguíneos e nervos. O quadro metabólico não controlado afeta órgãos vitais, como olhos e rins, e eleva os riscos cardiovasculares mesmo na juventude.
“O excesso de açúcar no sangue, quando mantido por períodos prolongados, pode comprometer a circulação e atingir diferentes partes do organismo. Entre as possíveis complicações estão alterações nos olhos, nos rins e nos nervos periféricos”, explica Marina Minozzi, coordenadora médica da unidade.
Educação e autonomia para o paciente
O mutirão ampliou o conhecimento das famílias sobre alimentação adequada e saúde bucal. O engajamento com a educação em diabetes representa um pilar clínico fundamental para garantir a adesão ao exigente tratamento diário.
“Depois que comecei a me tratar no Darcy, tive uma aula sobre como o diabetes funciona e o que acontece no meu corpo. Isso me ajudou a entender a condição que eu tenho. Os médicos explicam bem e fazem a gente participar das atividades”, conta Davi de Souza Aguiar, paciente de 13 anos.
Sinais de alerta para a doença autoimune
O tipo 1 ocorre quando o próprio organismo destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. A condição exige aplicação diária do hormônio sintético e monitoramento constante da glicemia capilar.
Identificar o quadro precocemente reduz os riscos de hospitalização grave. Os sintomas centrais que exigem atenção médica imediata incluem:
- Fome excessiva associada à perda de peso rápida ou dificuldade de ganho;
- Sede intensa e contínua;
- Urina frequente e em grande volume, muitas vezes com escapes durante a noite;
- Queixas recorrentes de visão embaçada;
- Fraqueza, cansaço extremo ou falta de disposição para atividades escolares e recreativas.
Pais e responsáveis devem procurar unidades de saúde ou pronto-atendimento ao notar qualquer combinação desses sinais. O diagnóstico rápido, o acolhimento médico e o controle adequado evitam sequelas irreversíveis e garantem qualidade de vida a quem convive com o diabetes.