Inadimplência cai pelo 2º mês seguido em São Paulo, aponta FecomercioSP
Inadimplência recuou para 20,2% em julho, enquanto o endividamento atingiu 74,8% das famílias paulistanas, aponta a FecomercioSP.
- Publicado: 29/07/2026 11:49
- Alterado: 29/07/2026 11:49
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
A inadimplência recuou pelo segundo mês consecutivo na cidade de São Paulo e fechou o mês de julho com taxa de 20,2%. O índice reflete a capacidade das famílias paulistanas de administrar o orçamento doméstico frente ao aumento do endividamento, que atingiu 74,8% dos lares no mesmo período.
Os indicadores integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O volume de endividados registrou o maior nível desde novembro de 2022.
O levantamento aponta uma retração de 1,9 ponto percentual na inadimplência em comparação a julho de 2025, quando a taxa alcançou 22,1%. Os consumidores utilizam novas linhas de crédito sem comprometer o pagamento das despesas correntes mensais.
“Embora o contexto continue desafiador, com inflação de alimentos em vias de crescer e juros elevados, as variáveis de composição das dívidas estão em patamares relativamente bons”, avaliou a FecomercioSP. O tempo médio de atraso para quitar dívidas vencidas caiu de 66,1 dias em junho para 64,3 dias em julho.
Inadimplência e o impacto da renda familiar
A queda da inadimplência reflete diretamente a regularização de compromissos antigos. A fatia de contas atrasadas há mais de 90 dias recuou de 53% para 50,4% no último mês. A parcela da renda comprometida com os pagamentos apresentou oscilação mínima e ficou em 26,2%.
O cartão de crédito lidera as modalidades de dívida entre os paulistanos e afeta 80,2% das famílias. Financiamentos de imóveis representam 16,5%, enquanto os empréstimos para automóveis respondem por 10,8%.
A busca por crédito consignado atinge 6,2% e o crédito pessoal chega a 12,1%. As famílias de rendas menores procuram modalidades com taxas mais baixas e prazos estendidos para garantir o consumo de itens básicos de sobrevivência.
Desigualdade social no endividamento
O levantamento explicita a diferença do peso financeiro entre as classes sociais. Oito em cada dez lares com rendimentos inferiores a 10 salários mínimos possuíam alguma dívida em julho. O percentual desce para 65,4% entre as famílias que recebem acima de R$ 16 mil mensais.
O abismo financeiro fica mais evidente no recorte de contas atrasadas. Apenas 9% das residências mais ricas registraram inadimplência no período analisado. O índice salta para 24,6% entre as famílias de menor poder aquisitivo.
A pesquisa demonstra que as classes mais baixas enfrentam maiores dificuldades para equilibrar o orçamento diante das pressões inflacionárias, deixando 10,5% desse grupo sem condições de quitar seus débitos. O mercado de trabalho aquecido funciona como suporte central para conter uma nova escalada da inadimplência na capital.