HPS Central de São Bernardo salva 20 pessoas com doações de órgãos
De um único doador podem ser obtidos vários tecidos e órgãos
- Publicado: 21/01/2013 19:33
- Alterado: 21/01/2013 19:33
- Autor: Eduardo Nascimento
- Fonte: FUABC
Crédito:
Pelo
menos 20 pacientes foram beneficiados em 2012 com doação de órgãos e tecidos a
partir da mobilização de equipe criada para essa tarefa dentro do Hospital e
Pronto-Socorro Central de São Bernardo do Campo. O número de transplantados
pode ser maior, já que de um único doador podem ser retirados vários órgãos e
um mesmo órgão pode beneficiar mais de um paciente vivo. Um fígado, por
exemplo, pode ajudar ao mesmo tempo duas pessoas que aguardam por transplante.
O
HPS Central de São Bernardo é o maior notificador de potenciais doadores do
Grande ABC. Só no ano passado foram realizadas 19 notificações, sendo 7
efetivas, o que não é pouco. Foram desses 7 doadores que se retiraram os 20
órgãos que salvaram no mínimo 20 pessoas, conforme levantamento da CIHDOTT (Comissão
Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes). A comissão
foi implantada em 2009 e contabiliza 53 notificações de mortes encefálicas até
2012.
De
um único doador pode-se obter coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestinos, rins,
córneas, veias, ossos, tendões e pele. É esse potencial de salvar outras vidas
que move a CIHDOTT no dia-a-dia do HPS Central de São Bernardo. A luta da
comissão não é só contra o tempo para agilizar procedimentos e preservar os
órgãos, mas também acolher familiares nesse momento de difícil aceitação da
morte, independentemente de serem favoráveis ou não à doação.
“Infelizmente o desconhecimento da família do
desejo do paciente em ser ou não doador dificulta o processo”, lamenta a
enfermeira Meire Aline Pinheiro, presidente da CIHDOTT. A comissão é
multidisciplinar e composta por sete membros entre médicos, enfermeiros,
psicólogo, fisioterapeuta e assistente social (foto). Alguns dos fatores que
dificultam a decisão dos familiares pela autorização ou não da doação são:
desconhecimento sobre o desejo do doador e sobre morte encefálica, insatisfação
com o atendimento do serviço, além de questões emocionais relacionadas à morte.
Outro fator é a dúvida sobre a aparência do corpo. Após a retirada dos órgãos,
o corpo retorna preservado aos familiares.
Irreversível: Morte encefálica é
a parada definitiva e irreversível do cérebro e tronco cerebral, provocando a
falência gradativa de todo o organismo. É a morte propriamente dita. A CIHDOTT
do HPS Central realiza busca ativa diária nas unidades do hospital para
identificar potenciais doadores e acionar o SPOT (Serviço de Procura de Órgãos
e Tecidos) de sua referência, a Unifesp. Todo o procedimento segue
regulamentação do Conselho Federal de Medicina.
A
comissão do HPS Central foi criada em setembro de 2009 para atender a portaria
1752, de 23 de setembro de 2005. São Paulo é o único Estado a ter modelo
descentralizado de comunicação e captação de órgãos, contando com 10 SPOTs:
quatro na Capital e seis no Interior.
Salvando
Vidas:
O
procedimento de busca e identificação de doadores segue três etapas:
– Primeiro, verifica-se a causa da morte cerebral e exclui-se possível
reversão.
– Segundo, 2 testes clínicos são realizados por médicos diferentes com
intervalo mínimo de 6 horas.
– Terceiro, realiza-se exame por imagem que confirma o cérebro sem atividade.
No HPS Central é usado o doppler transcraniano, que confirma a ausência de
circulação cerebral.