O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) inaugurou uma nova máquina de ressonância magnética no Instituto de Radiologia (InRad), ampliando a capacidade de diagnóstico por imagem, sendo a única com tecnologia tesla ma América Latina. A entrega do novo equipamento e da estrutura reformulada integra um conjunto mais amplo de investimentos em infraestrutura e tecnologia voltados à ampliação do atendimento no sistema público de saúde.
A nova área reúne equipamentos de última geração e foi projetada para atender pacientes de alta complexidade, tanto internados quanto externos. A iniciativa também está vinculada ao aumento da oferta de leitos no complexo hospitalar e ao fortalecimento da produção assistencial e científica da instituição.
Segundo dados apresentados durante o evento, o conjunto de investimentos no Hospital das Clínicas ocorre paralelamente à ampliação da capacidade assistencial do complexo, que registrou crescimento relevante em procedimentos cirúrgicos, internações e exames diagnósticos.
Novo centro de ressonância amplia capacidade diagnóstica
Suzana Rezende / ABCdoABC
A nova área de ressonância magnética do Instituto de Radiologia foi projetada para concentrar equipamentos de alta tecnologia e oferecer melhores condições de atendimento aos pacientes. O espaço reúne cinco equipamentos, incluindo um aparelho de 3 Tesla de alto campo, considerado um dos mais avançados atualmente disponíveis para diagnóstico por imagem.
De acordo com o professor Dr. Giovanni Guido Cerri, presidente do conselho do Instituto de Radiologia do HCFMUSP e do Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas (InovaHC), a nova estrutura representa um avanço tanto para a assistência quanto para a pesquisa médica.
“Ressonância é um método fundamental para atender pacientes de alta complexidade, tanto internados quanto pacientes externos”, afirmou.
O novo equipamento de 3 Tesla foi adquirido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e integra projetos de inovação científica desenvolvidos na instituição. A tecnologia permite maior definição das imagens obtidas, o que contribui para diagnósticos mais precisos e para o desenvolvimento de estudos científicos.
De acordo com Cerri, equipamentos de alta capacidade são fundamentais para a produção de conhecimento médico. “O Hospital das Clínicas tem uma vocação para pesquisa, estudar as doenças, entendê-las e desenvolver novas soluções. Por isso precisamos de equipamentos de alta tecnologia”, explicou.
Estrutura foi planejada para reduzir desconforto dos pacientes
Suzana Rezende / ABCdoABC
Além da modernização tecnológica, o projeto arquitetônico do novo centro buscou reduzir o desconforto frequentemente associado aos exames de ressonância magnética. O ambiente foi planejado para oferecer maior acolhimento aos pacientes durante a realização do exame.
O espaço inclui elementos visuais e painéis que simulam ambientes naturais, como paisagens marítimas e praias. A proposta é minimizar a sensação de confinamento relatada por alguns pacientes durante exames de imagem, que podem ter duração prolongada.
Segundo Giovanni Cerri, o objetivo foi criar um ambiente que reduza o estresse associado ao procedimento.
“A ideia foi criar um espaço em que o paciente não se sinta no hospital, apesar de estar dentro dele”, afirmou.
Expansão acompanha aumento de leitos e cirurgias
A ampliação da área de diagnóstico por imagem ocorre paralelamente ao aumento da capacidade assistencial do complexo hospitalar. Nos últimos anos, o Hospital das Clínicas ampliou o número de leitos e intensificou a realização de procedimentos médicos.
O secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Eleuses Vieira de Paiva, afirmou que a expansão está vinculada a um conjunto de medidas voltadas à reativação e criação de leitos no sistema estadual de saúde.
Segundo ele, um levantamento realizado no início da atual gestão identificou cerca de 7.898 leitos hospitalares inativos no estado. A partir desse diagnóstico, foi criado um programa de recuperação da capacidade hospitalar.
“Começamos um projeto para reativar esses leitos. Um dos principais problemas era a falta de financiamento adequado”, explicou o secretário.
Para enfrentar esse cenário, o governo estadual implementou a chamada Tabela SUS Paulista, mecanismo que complementa os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com recursos do Tesouro estadual.
De acordo com Eleuses Vieira de Paiva, a medida contribuiu para ampliar o número de procedimentos realizados no estado. O total de cirurgias eletivas, por exemplo, passou de cerca de 720 mil para aproximadamente 1,3 milhão por ano, com meta de alcançar 1,5 milhão até o fim da gestão.
Investimentos no HC superam R$ 700 milhões
Parte significativa dos recursos foi direcionada ao complexo do Hospital das Clínicas. Segundo o secretário, mais de R$ 700 milhões foram destinados ao conjunto de institutos que compõem a instituição.
Somente o Hospital das Clínicas recebeu cerca de R$ 380 milhões em investimentos vinculados à Tabela SUS Paulista, enquanto o Instituto do Coração (InCor) recebeu aproximadamente R$ 320 milhões.
Os recursos permitiram a abertura de cerca de 290 novos leitos no complexo. A expansão abrange diferentes unidades hospitalares:
Instituto Central (ICHC): 144 leitos, sendo 79 de enfermaria, 41 de UTI e 24 de hospital-dia
Instituto do Câncer (Icesp): 45 leitos, sendo 30 de enfermaria e 15 de UTI
Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT): 24 leitos de enfermaria
Instituto de Psiquiatria (IPq): 24 leitos, sendo 19 de enfermaria e 5 de hospital-dia
Instituto do Coração (InCor): 18 leitos, sendo 12 de UTI e 6 de enfermaria
Instituto da Criança e do Adolescente (ICr): 9 leitos de UTI
A ampliação da estrutura hospitalar também exigiu o reforço da capacidade diagnóstica, o que motivou a expansão da área de ressonância magnética.
Segundo o secretário, a área dedicada aos exames foi ampliada de 580 para cerca de 850 metros quadrados. O novo espaço passou a operar com três novos aparelhos e funcionamento contínuo, 24 horas por dia.
Produção assistencial registra crescimento
Os investimentos em infraestrutura e ampliação de leitos refletiram diretamente na produção assistencial do Hospital das Clínicas.
Comparando o primeiro semestre de 2024 — quando o processo de abertura de leitos começou — com o segundo semestre de 2025, quando o projeto foi concluído, houve aumento acumulado de 42,4% no número de cirurgias realizadas. A média mensal chegou a aproximadamente 4,2 mil procedimentos.
Também foram registrados aumentos em outros indicadores assistenciais. As altas hospitalares cresceram 15,5%, alcançando cerca de 6,7 mil por mês.
Os exames laboratoriais tiveram expansão acumulada de 16,3%, totalizando cerca de 1,2 milhão por mês. Já os exames de imagem cresceram 3%, chegando a aproximadamente 67,7 mil mensais.
Outro indicador relevante foi o número de pacientes atendidos em unidades de internação, que apresentou crescimento de 11,2%, atingindo média mensal de 54,2 mil pacientes. O total de leitos-dia também aumentou 11,5%, alcançando 66,4 mil por mês.
Para a direção do hospital e autoridades presentes no evento, os investimentos em infraestrutura, tecnologia e financiamento representam uma estratégia para ampliar o acesso da população a serviços de alta complexidade.
Nesse contexto, a entrega do novo centro de ressonância magnética reforça o papel do Hospital das Clínicas como referência em assistência, ensino e pesquisa médica no Brasil.