Haddad negocia saída para impasse do IOF com líderes do Congresso

Entre as sugestões apresentadas ao aumento do IOF estão o uso de dividendos do BNDES, receitas extras do petróleo e ajustes na previdência dos militares.

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reúne neste domingo (8) com líderes partidários em Brasília para tentar selar um acordo que destrave o impasse em torno do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

A proposta original do governo previa arrecadar cerca de R$ 20 bilhões com o imposto em 2025, mas encontrou forte resistência no Congresso.

Propostas alternativas e resistências

Para evitar a derrubada do decreto que aumentou o imposto, a equipe econômica trabalha em um novo pacote de medidas compensatórias.

A ideia é apresentar uma combinação de propostas legislativas, incluindo uma possível PEC, um projeto de lei e até uma medida provisória.

Entre as alternativas em discussão estão a elevação da alíquota dos sites de apostas de 12% para 18%, a limitação das deduções médicas no Imposto de Renda e a equiparação da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) entre bancos e fintechs.

Há também sugestões de rever o piso constitucional de investimentos em saúde e educação, além de restringir o crescimento de gastos com o Fundeb.

Congresso cobra cortes de despesas

Lideranças da Câmara e do Senado cobram que o governo também assuma compromissos com cortes de gastos, e não apenas busque novas fontes de receita.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que há consenso entre os parlamentares sobre a necessidade de revisar isenções fiscais. “Chegamos ao limite do que o país suporta”, disse.

Senadores como Ciro Nogueira (PP-PI) também condicionam qualquer avanço na negociação à inclusão de medidas que reduzam despesas públicas.

Entre as sugestões apresentadas estão o uso de dividendos do BNDES, receitas extras do petróleo e ajustes na previdência dos militares.

Medidas em análise

A lista de propostas em estudo inclui ainda o endurecimento das regras para acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), a taxação de criptomoedas, cortes nos chamados supersalários e até a antecipação de dividendos de estatais.

Apesar do esforço do governo, lideranças parlamentares demonstram cautela e alertam que as medidas precisam ser “estruturantes” e viáveis politicamente.

  • Publicado: 08/06/2025 10:10
  • Alterado: 08/06/2025 10:10
  • Autor: 08/06/2025
  • Fonte: FolhaPress