Grande ABC registra primeira morte por dengue em 2026
Região já soma mais de 300 casos confirmados, enquanto uma segunda morte suspeita segue sob investigação em Rio Grande da Serra
- Publicado: 11/05/2026 16:20
- Alterado: 11/05/2026 16:24
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Nies
O Grande ABC confirmou nesta segunda-feira (11), a primeira morte por dengue em 2026. O óbito foi registrado em Santo André e envolve um paciente entre 50 e 64 anos, segundo dados do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies), ligado ao Governo do Estado de São Paulo.
Além da morte confirmada, uma segunda ocorrência suspeita segue sob investigação em Rio Grande da Serra. A região já contabiliza 311 casos positivos da doença, enquanto outras 295 notificações permanecem em análise pelas autoridades sanitárias.
O avanço da dengue no ABC acontece em um cenário de preocupação nacional com a circulação do Aedes aegypti, transmissor também de Zika e chikungunya. Em todo o estado paulista, São Paulo já registra mais de 38 mil casos confirmados e 15 mortes pela doença em 2026.
Grande ABC soma mais de 300 casos positivos
Na região, Diadema concentra o maior número de casos confirmados, com 104 registros. Na sequência aparecem Santo André, com 99 casos; Mauá, com 55; São Bernardo do Campo, com 32; São Caetano do Sul, com 15; e Ribeirão Pires, com 6 confirmações. Rio Grande da Serra ainda não possui casos oficialmente registrados, apesar da investigação envolvendo a morte suspeita.
As autoridades de saúde seguem reforçando campanhas preventivas diante da circulação do mosquito e da proximidade de períodos mais favoráveis à proliferação do vetor.
Vacina da dengue do Butantan mantém proteção por cinco anos

Em meio ao crescimento dos casos, um estudo publicado pela revista científica Nature Medicine trouxe novos dados sobre a vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A pesquisa acompanhou mais de 16 mil participantes entre 2 e 59 anos e concluiu que uma única dose do imunizante manteve proteção por pelo menos cinco anos. Os resultados apontaram eficácia de 65% contra dengue sintomática e proteção ainda maior contra formas graves da doença, chegando a 80,5%.
Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, o principal impacto da vacinação está justamente na redução de hospitalizações e mortes. “A eficácia das vacinas costuma ser maior para os desfechos mais graves. Isso acontece com gripe, Covid-19 e outras infecções. O mais importante é reduzir hospitalizações e mortes”, afirma.
O estudo ainda mostrou que não houve registro de dengue grave entre participantes vacinados durante o período de acompanhamento.
Medidas ajudam a combater a dengue dentro de casa

Especialistas reforçam que o combate à dengue depende diretamente da eliminação de focos de água parada, principal ambiente de reprodução do mosquito.
Entre as orientações do Ministério da Saúde estão eliminar recipientes com água acumulada, limpar calhas e ralos, manter caixas d’água vedadas, tratar piscinas e descartar corretamente o lixo doméstico.
Também é recomendado o uso de repelente, instalação de telas em janelas, autorização para entrada de agentes de combate às endemias e vacinação de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos nas cidades contempladas pela campanha nacional.
Outra estratégia utilizada pelo governo é o método Wolbachia, tecnologia que introduz uma bactéria no mosquito para reduzir sua capacidade de transmitir o vírus da dengue.
Sintomas da dengue exigem atenção imediata

Os sintomas costumam surgir entre quatro e dez dias após a picada do mosquito infectado. Febre alta, dores intensas no corpo, manchas vermelhas, dor atrás dos olhos, náuseas e vômitos estão entre os sinais mais comuns. Nos casos mais graves, podem surgir dores abdominais intensas, sangramentos, dificuldade respiratória e queda de pressão arterial.
O Ministério da Saúde alerta que a automedicação não é recomendada e que pessoas com sintomas devem procurar atendimento médico rapidamente, especialmente em casos de agravamento clínico.