Governo publica decreto que anula extinção da Renca
O anúncio da revogação foi feito nesta segunda-feira, 25, pelo Ministério de Minas e Energia (MME) depois de mais de 30 dias de ampla pressão social e muitas críticas à extinção da reserva
- Publicado: 26/09/2017 10:06
- Alterado: 16/08/2023 01:13
- Autor: Redação
- Fonte: Estadão Conteúdo e Agência Brasil
A decisão de extinguir a Renca – Reserva Nacional do Cobre e Associados – foi questionada por ambientalistas, artistas e repercutiu na mídia internacional.
O Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 26, traz publicado o Decreto 9.159/2017, que revoga outro decreto, de agosto deste ano, que extinguiu a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), uma área entre o Amapá e o Pará equivalente ao tamanho do Estado do Espírito Santo.
Ao revogar o decreto, o governo federal restabelece as condições originais da área, criada em 1984. Pelo ato, ficam revigorados o Decreto nº 89.404, de 24 de fevereiro de 1984, e o Decreto nº 92.107, de 10 de dezembro de 1985.
O Decreto nº 9.159, que revoga outro decreto, o de número 9.147, de 28 de agosto de 2017, que extinguiu a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), está publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (26). Ele foi assinado ontem (25) por Temer.
No início deste mês, o governo já havia determinado a suspensão da medida. Para o Planalto, houve falta de clareza sobre os efeitos da extinção. No entanto, o tema continuará na pauta do governo. O próximo passo será a realização de uma consulta pública, ainda sem data prevista.
Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) disse que as razões que levaram a pasta a pedir a extinção da reserva continuam presentes e defende mais debate sobre o tema. “O país necessita crescer e gerar empregos, atrair investimentos para o setor mineral, inclusive para explorar o potencial econômico da região”, diz o texto divulgado após o anúncio da revogação do decreto pelo Palácio do Planalto.
“O MME reafirma o seu compromisso e de todo o governo com a preservação do meio ambiente, com as salvaguardas previstas na legislação de proteção e preservação ambiental, e que o debate em torno do assunto deve ser retomado em outra oportunidade, mais à frente, e deve ser ampliado para um número maior de pessoas, da forma mais democrática possível.”
A Renca
A área de proteção foi criada em 1984 pelo governo de João Figueiredo, último presidente do período militar. Na ocasião, foi definida a proteção da área de 47 mil quilômetros quadrados (km²), incrustada em uma região entre os estados do Pará e do Amapá.
Desde então, a pesquisa mineral e atividade econômica na região passaram a ser de responsabilidade da Companhia Brasileira de Recursos Minerais (CPRM – Serviço Geológico Brasileiro) ou de empresas autorizadas pela companhia. Além do cobre, estudos geológicos indicam a ocorrência de ouro, manganês, ferro e outros minérios na área.
Dois dias após o decreto que extinguia a Renca, o Palácio do Planalto divulgou nota afirmando que o objetivo era “coibir a exploração ilegal” e recolocar o Estado como administrador de jazidas minerais da Renca, que atualmente sofre com a existência de garimpos clandestinos de ouro.