Fux vota para manter familiares de Vorcaro presos

Ministro acompanhou André Mendonça em julgamento sobre a Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes ligadas a Daniel Vorcaro

Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro Luiz Fux votou neste sábado (24) pela manutenção da prisão de Henrique Moura Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, respectivamente pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro. Ambos foram detidos no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

O julgamento ocorre no plenário virtual da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal e foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que terá até 90 dias para analisar o caso.

Fux decidiu antecipar o voto e acompanhou o relator, o ministro André Mendonça, que já havia defendido a continuidade das prisões preventivas.

Operação Compliance Zero investiga continuidade de supostos crimes

Segundo a Polícia Federal, os investigados teriam mantido atividades consideradas ilícitas mesmo após a prisão de Daniel Vorcaro, apontado como principal alvo da investigação relacionada ao Banco Master.

No voto, Mendonça afirmou que existem “fortes indícios” de que Felipe Cançado Vorcaro teria assumido a condução do esquema após a prisão do primo. A defesa, no entanto, nega as acusações.

O ministro destacou ainda que estruturas societárias e movimentações financeiras consideradas suspeitas continuaram sendo realizadas após outras fases da operação. Para Mendonça, a prisão preventiva é necessária para “resguardar a ordem pública, assegurar a aplicação da lei penal e preservar a higidez da persecução penal”.

Investigação cita grupo conhecido como “A Turma”

Henrique Moura Vorcaro foi preso durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de maio. De acordo com as investigações, ele seria integrante de um grupo chamado “A Turma”, que teria sido utilizado para ameaçar adversários do banqueiro.

Ainda conforme o relator, a suposta organização criminosa demonstrou “altíssima capacidade de reorganização” e persistência na continuidade das atividades investigadas.

“Torna além de plausível, efetivamente provável que, se mantido em liberdade, os investigados sigam cometendo novos ilícitos”, escreveu Mendonça em seu voto.

Defesa questiona fundamentos das prisões da família de Vorcaro

Em nota, a defesa dos investigados afirmou que as prisões se baseiam em fatos cuja legalidade e racionalidade econômica ainda não teriam sido devidamente comprovadas no processo.

Além de Fux, a Segunda Turma do STF também é composta pelos ministros Dias Toffoli e Nunes Marques. Toffoli, porém, declarou suspeição no caso por “motivo de foro íntimo” e não deve participar do julgamento.

  • Publicado: 24/05/2026 12:04
  • Alterado: 24/05/2026 12:04
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress