Fundação Pró-Memória abre exposição: Fé – Honra – Trabalho
Comemora os 100 anos da Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo no município
- Publicado: 28/11/2012 21:01
- Alterado: 28/11/2012 21:01
- Autor: Vanusa Nascimento
- Fonte: PMSCS
Crédito:
Em
comemoração aos 100 anos do início do processo de instalação das Indústrias
Reunidas Fábricas Matarazzo no município, a Secretaria Municipal de Cultura
(Secult) da Prefeitura de São Caetano do Sul e a Fundação Pró-Memória, por meio
do Museu Histórico Municipal realizam a exposição Fé – Honra – Trabalho.
A abertura será na próxima quinta-feira (6/12), no Museu Histórico Municipal
(Rua Maximiliano Lorenzini, 122, Bairro Fundação), a partir das 9h.
A
exposição contempla objetos e exemplares de alguns produtos do grupo, como as
tradicionais louças da Cerâmica Matarazzo, conhecidas como Louças Cláudia, das
quais um aparelho de jantar do ano de 1948 e recipientes de um jogo de saquê
estão expostas. Há ainda exemplares das latas da margarina vegetal Matarazzo,
dos biscoitos Petybon e do óleo de semente de algodão Sol Levante.
Entre
as peças mais curiosas, encontra-se uma réplica de um vagão tanque que a
empresa utilizava para transportar produtos petrolíferos de sua refinadora, a
IMÊ Matarazzo. Além desses objetos, a mostra apresenta ainda documentos como
circulares administrativas, emitidas em 1981, materiais publicitários e
imagens, que recuperam vestígios de uma expressiva parcela, do patrimônio
deixado pelo grupo, um dos maiores símbolos da história da industrialização de
São Caetano do Sul.
Exemplares
de edições da Matarazzo em Revista, orgão de comunicação interna do grupo,
catálogos de produtos, panfletos e cartazes de propaganda de sua variada linha
de produção também integram a exposição. As peças expostas são do acervo do
Museu Histórico Municipal e de Everton Calício, memorialista e estudioso da
história das IRFM.
O
começo – O italiano Francisco Matarazzo chegou ao Brasil em 1881. Desembarcou,
primeiro, no Rio de Janeiro, seguindo, posteriormente, para Sorocaba, no
interior de São Paulo. Naquela cidade, estabeleceu um armazém onde
comercializava diversos produtos, dos quais o mais requisitado era a banha de
porco. Tal mercadoria, por ser considerada de primeira necessidade, naquela época,
passou a ser produzida pelo industrial. Comercializada, inicialmente, em
barris, ela foi o carro-chefe dessa fase inicial das atividades de Matarazzo em
terras brasileiras.
Com
o êxito nas vendas, surge a ideia de enlatá-la, iniciativa que propiciou um
salto ainda maior nos negócios. Em virtude desse avanço, a cidade de Sorocaba
mostrou-se pequena para o espírito empreendedor do italiano, que, assim,
muda-se para São Paulo, em 1890. Na capital paulista, Francisco Matarazzo
inicia a montagem de seu conglomerado industrial, cuja primeira unidade seria
inaugurada no dia 15 de março de 1900, com a abertura, na região do Brás, do
Moinho Matarazzo, segundo moinho de trigo inaugurado no país.
A
partir de então, suas atividades não pararam. Surgiriam tecelagens, como a
Mariângela, para a produção de sacos para as farinhas do moinho (1902),
fecularia, amido e outras fábricas. Em 1911, com a intenção de tornar a empresa
ainda mais diversificada, Matarazzo reúne, em uma área situada na Mooca,
diversas unidades industriais, como refinaria de açúcar, moinho de sal e
fábrica de fósforos. Estava, portanto, formado o embrião de diversos outros
núcleos industriais fechados, como Belenzinho, Água Branca, João Pessoa e São
Caetano do Sul.
A
diversidade produtiva marcou a dinâmica das Indústrias Matarazzo, refletindo
uma tendência praticada por quase todos os grandes empreendimentos dos anos
1920 e 1930, a chamada política de verticalização. Por meio dela, o grupo
almejava ser autossuficiente, de modo que, em torno de uma determinada
produção, eram criadas unidades subsidiárias a ela. Seguindo tal filosofia, a
Matarazzo arrenda, em 1912, parte das instalações da Pamplona, uma das
primeiras fábricas de São Caetano do Sul.
Produtora
de sabões, velas e óleos vegetais, tal unidade fabril chegou à localidade em
1896. Em virtude da eclosão da Primeira Grande Guerra (1914 – 1918), problemas
financeiros começaram a assolar a fábrica, que, sem condições de levantar os
recursos necessários à sua produção, discute a possibilidade de arrendar todo o
seu maquinário, terrenos e estoques de materiais à Matarazzo, que, a essa
altura, já demonstrava, mais incisivamente, seu interesse em adquirir a
Pamplona. Em agosto de 1916, tal fábrica é vendida ao grupo Matarazzo.
Com
entrada gratuita, a exposição Fé – Honra – Trabalho fica aberta à
visitação, até 2 de março de 2013 e é aberta a todas as idades.