Fundação do ABC quer comissão geral para gerenciamento de resíduos

Programa Fundação Sustentável já iniciou revisão e padronização dos planos de gerenciamento de resíduos para unidades mantidas

Crédito:

Gestora de mais de 20 equipamentos de saúde no Grande ABC e
Baixada Santista, a Fundação do ABC faz planos para integrar as comissões de
gerenciamento de resíduos de todas as unidades. Trata-se de órgão responsável
por aplicar de maneira correta a gestão ambiental de todos os resíduos gerados.
Hoje cada mantida desenvolve o trabalho de maneira própria. A partir deste ano,
a ideia é que os membros das comissões se reúnam periodicamente na sede
administrativa da FUABC a fim de trocar experiências, discutir pontos positivos
e negativos das políticas em andamento e otimizar os trabalhos.

Para o início da integração, a FUABC – por meio do Programa
Fundação Sustentável – está revisando e desenvolvendo novos planos de
gerenciamento de resíduos para as mantidas que solicitam o trabalho. Plano 100%
novo foi formatado e entregue em outubro passado ao Ambulatório Médico de
Especialidades (AME) de Praia Grande. Neste início de ano, o mesmo trabalho
está em andamento junto ao Hospital Nardini de Mauá e AME Santo André.

“É um trabalho amplo
e exclusivo, pois é desenvolvido segundo o perfil específico de cada unidade.
Identificamos e avaliamos os tipos de resíduos produzidos, quantidades, formas
de descarte e traçamos planejamento para que haja o correto gerenciamento,
inclusive na diminuição da produção, maior reaproveitamento de recicláveis e
indicação de rotas e medidas de segurança para o correto descarte”, explicam as
coordenadoras do Fundação Sustentável, Juliana Pinesi Russo e Cristina
Passaretti.

Planejamento abrangente: O plano de gerenciamento de
resíduos descreve ações relativas a todo o manejo dos resíduos sólidos e segue
resolução do Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente, do Ministério do Meio
Ambiente. Engloba desde a segregação – separação no local de geração – e
acondicionamento até coleta, armazenamento, transporte, reciclagem, tratamento
e disposição final de tudo que é gerado na unidade de saúde.

Para classificar, identificar as fontes de geração e
quantificar os resíduos, primeiramente é necessário saber quais tipos são
produzidos por setor. Podem ser biológicos, químicos, rejeitos radioativos,
comuns ou perfurocortantes. No AME Praia Grande, por exemplo, foram levantados
todos os serviços realizados e a média mensal de atendimentos por especialidade
médica. A partir do relatório, foram estabelecidos os locais de geração e
classificados os tipos de resíduos. “Criamos uma tabela separada por cores, que
contempla todas as áreas onde há geração de resíduos no AME. Também definimos
grupos e subgrupos dos materiais, a fim de viabilizar a segregação, levando em
conta características físicas, químicas, biológicas, estado físico e os riscos
envolvidos”, detalham Juliana Russo e Cristina Passaretti.

O plano de gerenciamento de resíduos também contempla
horários de coleta em cada setor, funcionários envolvidos no processo e até
mesmo materiais de segurança que devem ser utilizados para o trabalho. Cada
unidade deve manter Comissão Interna de Resíduos, a fim de que o plano seja
aplicado integralmente, e programa de educação continuada visando a orientar,
motivar, conscientizar e informar todos os envolvidos sobre riscos e
procedimentos adequados no manejo dos resíduos.

Passo a passo: A separação no local de geração é o primeiro
passo do gerenciamento interno de resíduos. Objetiva minimizar a contaminação
de resíduos comuns e favorecer a reciclagem, assim como a adoção de
procedimentos específicos para cada tipo de material, redução dos riscos à
saúde e menores custos com manuseio.

O passo seguinte é o acondicionamento, que deve ser feito em
sacos impermeáveis e resistentes a ruptura e vazamento. Os líquidos devem ficar
em recipientes compatíveis com o material e que sejam resistentes, rígidos e
estanques, com tampa rosqueada e vedante.

A coleta e locomoção interna são o terceiro item na lista de
ações. Os carrinhos de transporte devem ser fechados e exclusivos para essa
finalidade. Além disso, os resíduos orgânicos e recicláveis não podem ser
transportados no mesmo carro que resíduos biológicos e químicos. Funcionários
da limpeza encarregados da manipulação e destinação dos sacos devem usar
equipamentos de proteção individual (EPIs) específicos, entre os quais luvas e
botas.

O armazenamento final é feito em abrigos externos e
exclusivos normatizados pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Empresas especializadas nesse tipo de coleta retiram periodicamente os
materiais na unidade.

Pioneirismo e prêmio:
Uma das primeiras mantidas da Fundação do ABC a se dedicar ao gerenciamento de
resíduos foi o Hospital Estadual Mário Covas de Santo André, que em 2007
conquistou o prêmio “Amigo do Meio Ambiente” do Governo do Estado, pelo projeto
“Redução dos resíduos através do plano de gerenciamento”. A iniciativa reduziu
aproximadamente 70% dos resíduos infectantes, o que reflete diretamente na
diminuição de gastos com tratamento e de riscos à saúde dos colaboradores
encarregados do manuseio.

O segredo para os bons resultados no HEMC foi a orientação
aos colaboradores quanto ao descarte correto de materiais, remanejamento e
identificação de lixeiras, tratamento e destinação adequada dos resíduos
gerados no hospital e redução dos custos com tratamento de itens infectantes.
Outras medidas importantes foram o encaminhamento do máximo possível de lixo
para reciclagem, além da diminuição do consumo de copos plásticos. Também foi
criado o “ecoponto” para descarte de materiais recicláveis originados nas
residências dos funcionários, como papelão, latas de metal, garrafas PET e óleo
de cozinha, além de espaço próprio para receber pilhas e baterias.

Tópicos

  • Publicado: 25/02/2013 11:03
  • Alterado: 25/02/2013 11:03
  • Autor: Eduardo Nascimento
  • Fonte: FUABC