Foi obrigação da candidatura Dilma de bancar montante a partidos diz Marcelo
Marcelo Odebrecht, Fernando Reis e Alexandrino Alencar detalharam a doação via caixa 2 a partidos que integraram a coligação que elegeu a presidente Dilma a pedido de Mantega
- Publicado: 13/04/2017 15:45
- Alterado: 15/08/2023 23:34
- Autor: Redação ABCdoABC
- Fonte: Estadão Conteúdo
“Foi uma obrigação da candidatura Dilma de bancar em certo montante para seus partidos”, disse Marcelo, herdeiro e ex-presidente do grupo que leva seu sobrenome.
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega apresentou uma lista de partidos aliados para que a empreiteira comprasse o tempo de TV das siglas e consolidasse a formação da coligação ‘Com a Força do Povo’. Os valores, que oscilaram entre R$ 4 milhões e R$ 7 milhões, foram repassados para o PCdoB, Pros, PDT, PRB e o PP, segundo as informações do ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis.
“O Guido veio com pedido adicional da campanha. (…) Até então para a campanha eu já tinha feito a doação oficial, já tinha feito a doação oficial para o PT que deu para ela (campanha da Dilma) e já tinha acertado pagamentos para João Santana. Aí ele (Mantega) veio com pedido adicional”, disse Marcelo aos procuradores.
O ex-ministro da Fazenda sugeriu o pagamento a partidos que iriam compor a base e depois realizou inclusive a cobrança. “Eu estava indo para a minha casa, passando pela Avenida Morumbi, e eu recebi uma ligação do Guido falando ‘Marcelo, você já fez aqueles…?’. Eu falei: ‘não dá ainda, você acabou de me pedir e não deu'”, disse.
O pedido inicial era de R$ 57 milhões para os partidos da base, mas posteriormente o valor foi reduzido. Tudo foi feito via caixa dois. Marcelo Odebrecht não conversou com os dirigentes partidários sobre a doação, mas orientou diretores do grupo a fazerem os contatos. “Mas aí sim a pessoa (diretor) ia e dizia (ao político): ‘a pedido do Edinho (Silva), aquele compromisso que vocês tinham está sendo cumprido através da gente'”, narrou Marcelo.
O pedido e os repasses foram combinados em junho de 2014. Fernando Reis disse que recebeu uma mensagem de Marcelo Odebrecht para que procurasse Alexandrino Alencar, então diretor de relações institucionais da construtora.
“Tinha havido uma reunião entre o então ministro Guido Mantega com o Marcelo, onde o ministro dizia que eles precisavam selar a coligação Com a Força do Povo com determinados partidos. Eles queriam selar e garantir que fariam parte da coligação, através da compra do tempo de televisão desses partidos”, declarou Fernando Reis. “Isso significaria que nós teríamos de fazer doações de caixa 2 para esses determinados partidos, por valores estabelecidos na conversa do ministro com o Marcelo, algo entre R$ 4 milhões e R$ 7 milhões para cada um desses partidos.”
Marcelo teria escolhido Fernando para atuar nos repasses ilegais por conta de sua relação com ex-ministro Carlos Lupi, presidente do PDT. “Eu tinha relação com ele, era o ponto de contato da Odebrecht com o PDT”, disse Reis.
Defesa
A ex-presidente da República Dilma Rousseff reagiu nesta quinta-feira, 13, à delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht, que atribuiu a ela conhecimento da prática de caixa 2. “O senhor Marcelo Odebrecht faltou com a verdade”, disse Dilma, em nota divulgada por sua assessoria de imprensa.
Ela declarou enfaticamente que “nunca pediu recursos para a campanha ao empresário”. Refutou também “as insinuações de que tenha beneficiado a construtora”.
“É fato notório que Dilma Rousseff nunca manteve relação de amizade ou de proximidade com o senhor Marcelo Odebrecht. Muitas vezes os pleitos da empresa não foram atendidos por decisões do governo, em respeito ao interesse público. Essa relação distante e em certa medida conflituosa, ficou evidenciada em passagens do depoimento prestado pelo senhor Marcelo Odebrecht”, assinala o texto da equipe da ex-presidente.
Dilma sustenta que “é mentira” que tivesse conhecimento de “quaisquer situações ilegais que pudessem envolver a Odebrecht e seus dirigentes, além dos integrantes do próprio governo ou mesmo daqueles que atuaram na campanha da reeleição”.
“Ele (Odebrecht) não consegue demonstrar tais insinuações em seu depoimento”, desafia a petista. “E por um simples motivo: isso nunca ocorreu. Ou seja: o senhor Marcelo Odebrecht faltou com a verdade.”
A nota enfatiza, ainda: “Também são falsas as acusações de que Dilma Rousseff tenha tomado qualquer decisão para beneficiar diretamente a Odebrecht ou mesmo qualquer outro grupo econômico. Todas as decisões do seu governo foram voltadas ao desenvolvimento do país, buscando o bem estar da população, a partir do programa eleito nas urnas.”