Fim do serviço 710: CPTM diz que o impacto será de apenas 6 minutos
Fim do serviço 710 obriga transferência entre linhas 7-Rubi e 10-Turquesa; CPTM afirma que impactos serão mínimos e que mudanças visam melhorar a fluidez nas viagens
- Publicado: 28/08/2025 22:03
- Alterado: 29/08/2025 18:13
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: ABCdoABC
O serviço 710 da CPTM, que integrava de forma direta as linhas 7-Rubi (Jundiaí–Brás) e 10-Turquesa (Rio Grande da Serra–Brás), foi encerrado nesta quinta-feira (28).
A partir de agora, os passageiros que utilizavam o serviço terão que realizar a troca de trens na estação Palmeiras-Barra Funda, ponto em que ambas as linhas passam a se encontrar. Essa mudança aconteceu devido à privatização da linha 7-rubi que será operada pela TIC Trens.
Para os usuários, no entanto, a alteração representa mais um ajuste na rotina. “Uma pena… Um serviço que ajudava tanta gente sendo descontinuado. O CLT só se lasca mesmo”, lamentou um passageiro em relato enviado à reportagem.
Como fica a transferência após o fim do 710
Com o término do serviço 710, o embarque seguirá acontecendo na plataforma 5 (Linha 7-Rubi) e plataforma 6 (Linha 10-Turquesa), ambas no mesmo nível da estação Palmeiras-Barra Funda. A companhia garante que a transferência não exigirá deslocamento por escadas ou mezaninos, evitando maiores prejuízos no tempo de viagem.
“O impacto é de um intervalo entre trens, ou seja, no pico, no máximo 6 minutos”, afirmou a CPTM em nota.
Ainda de acordo com a empresa, o arranjo permitirá que passageiros da Zona Leste também utilizem a estação para realizar trocas de linhas, evitando que toda a demanda se concentre em Brás e Luz.
Cresce a demanda em Palmeiras-Barra Funda
O encerramento do 710 naturalmente deve elevar o movimento na estação Palmeiras-Barra Funda, que passa a receber parte da demanda dos usuários das linhas 7-Rubi, 10-Turquesa e 11-Coral.
A CPTM informou que a estação está preparada para o novo fluxo, contando com duas escadas rolantes, uma escada fixa e um elevador exclusivo para pessoas com mobilidade reduzida, idosos e gestantes. A companhia também reforçou que há apoio de funcionários e sinalização visual para orientar os passageiros durante o período de adaptação.
Além disso, estão em andamento obras para instalar uma nova escada fixa de acesso ao mezanino, e o contrato de concessão prevê a inclusão de mais escadas rolantes. A expectativa é que, após a conclusão da modernização, a Linha 7-Rubi opere com intervalos de cerca de 4 minutos nos horários de pico, o que deve reduzir a sobrecarga no embarque e desembarque.
Mudança divide opiniões entre passageiros
Embora a CPTM sustente que os impactos serão mínimos, usuários expressaram frustração com o fim do serviço 710. Para muitos, a necessidade de trocar de trem significa aumento no tempo de deslocamento e maior desconforto nas viagens.
“Quem cria essas regras, não viaja nos trens. Andam em carros blindados”, criticou uma passageira. Outro usuário resumiu: “Cada dia só piora”.
As falas refletem a insatisfação de parte dos trabalhadores que dependiam do trajeto contínuo entre as linhas 7 e 10. Para eles, a mudança reforça a percepção de que a mobilidade na Região Metropolitana ainda enfrenta desafios, mesmo com investimentos recentes.
Privatização e boatos sobre trens antigos

Outra preocupação que circula entre passageiros é a possibilidade de que, com a concessão da Linha 7-Rubi para a iniciativa privada, trens mais antigos sejam transferidos para a Linha 10-Turquesa, o que poderia reduzir o conforto das viagens.
A CPTM, no entanto, negou que isso vá ocorrer. Em resposta, a companhia destacou que opera uma das frotas mais modernas do país, com trens equipados com ar-condicionado e tecnologia de ponta.
“A operação da Linha 10-Turquesa será realizada prioritariamente com os trens da série 8500. Entretanto, conforme a disponibilidade operacional e a estratégia adotada, poderá haver substituição ou complementação da frota com unidades das séries 7000 ou 7500”, explicou a empresa.
Segundo a companhia, todos os trens passam por manutenção rigorosa, com base em informações do fabricante e protocolos revisados constantemente pela engenharia da CPTM, garantindo confiabilidade e segurança operacional.
Estratégia para reorganizar o transporte metropolitano
De acordo com a CPTM, as mudanças estão inseridas, como o encerramento do serviço 710, em um contexto mais amplo de reestruturação da malha ferroviária. O objetivo é desafogar os principais pontos de embarque e melhorar a fluidez do sistema em horários críticos.
Ao transferir o ponto de integração entre as linhas 7 e 10 para Palmeiras-Barra Funda, a companhia aposta que o fluxo de passageiros será melhor distribuído, reduzindo a pressão sobre Brás e Luz, que figuram entre as estações mais movimentadas do país.
No entanto, a eficácia da medida só poderá ser avaliada com o tempo. O aumento da demanda em Barra Funda exigirá não apenas obras de infraestrutura, mas também a garantia de trens com intervalos reduzidos para atender à nova configuração.
Impacto para trabalhadores da Região Metropolitana
O serviço 710 era amplamente utilizado por passageiros que se deslocavam diariamente entre o ABC Paulista, São Paulo e cidades do eixo Jundiaí. Para muitos trabalhadores, a ligação direta entre as duas linhas reduzia o tempo de viagem e oferecia mais praticidade.
Agora, será necessário calcular o tempo adicional para a troca de trens. Embora a CPTM fale em impacto máximo de seis minutos, passageiros temem que atrasos ou intervalos mais longos possam comprometer a pontualidade de quem depende do transporte para chegar ao trabalho.
No setor produtivo, sindicatos de trabalhadores já manifestaram preocupação com o impacto indireto da mudança. Pequenos atrasos diários, quando acumulados, podem refletir em menor qualidade de vida e até em desgaste nas relações profissionais.
O que esperar daqui para frente
O fim do serviço 710 marca uma transição importante no transporte sobre trilhos da Região Metropolitana. Se, por um lado, a mudança promete reorganizar o sistema e melhorar a distribuição de passageiros, por outro gera insegurança e insatisfação entre os usuários mais afetados.
Enquanto obras de modernização seguem em andamento, o desafio da CPTM será equilibrar eficiência operacional e o conforto dos passageiros. O acompanhamento constante dos impactos e a transparência na comunicação com os usuários serão fundamentais para reduzir resistências.
Por enquanto, quem dependia do serviço 710 precisa se adaptar à nova rotina em Palmeiras-Barra Funda, uma mudança que, ainda que planejada, mexe diretamente no dia a dia de milhares de trabalhadores paulistas.