FGV Arte inaugura mostra sobre povos originários no Rio

Com curadoria de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff, nova exposição na FGV Arte discute cosmologias indígenas

Crédito: Divulgação

A FGV Arte inaugurou em sua sede, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a exposição inédita “Eu chorei rios: arte dos povos originários da América”. Com curadoria dividida entre a artista e pesquisadora Glicéria Tupinambá e o crítico Paulo Herkenhoff, a mostra reúne uma seleção heterogênea de produções que desafiam as leituras tradicionais da história da arte e propõem um mergulho profundo nas cosmologias e lutas territoriais da América Latina.

O projeto, que fica em cartaz até o dia 20 de setembro de 2026, representa o oitavo ciclo expositivo do espaço cultural desde sua fundação em 2023. A entrada é totalmente gratuita.

Um Acervo em Disputa: Diálogo entre o Histórico e o Contemporâneo

FGV
Divulgação

A exposição se estrutura a partir do conceito de nhe’ẽ se, definido por Glicéria Tupinambá como o “desejo de fala” de povos historicamente silenciados pelas instituições ocidentais. “Os povos indígenas sempre fizeram arte, mas não tinham o direito de dizer o que aquilo era”, aponta a co-curadora.

Para quebrar essa barreira, a mostra promove o confronto direto de temporalidades, colocando lado a lado artefatos arqueológicos, registros históricos e produções contemporâneas de nomes influentes da cena artística e intelectual brasileira e internacional:

  • Pensamento e Ativismo: A mostra traz criações do escritor e líder indígena Ailton Krenak, cujas reflexões no livro Adiar o fim do mundo serviram de base para a construção conceitual do projeto.
  • Linguagens Plurais: O circuito reúne as pinturas e grafismos de Daiara Tukano, as colagens de Gustavo Caboco, o ativismo visual de Denilson Baniwa e as obras do saudoso Jaider Esbell.
  • Diálogos Históricos: Completam o panorama as fotografias icônicas de Claudia Andujar, além de produções de nomes consagrados como Djanira, Lygia Pape e Mestre Valentim.

O Manto Tupinambá e a Ocupação da Esplanada

FGV
Divulgação

Um dos grandes destaques da exposição é a presença do Manto Tupinambá, apresentado por Glicéria tanto como um objeto de arte quanto como um elemento vivo de memória. A artista busca desmistificar a condição puramente museológica da peça histórica. “O que eu faço é convidar as pessoas a sentirem. É uma forma de tirar o manto da vitrine e colocá-lo em movimento no corpo e no mundo”, explica.

A experiência estética também rompe as paredes das salas internas da FGV Arte e se espalha pela área externa do prédio em Botafogo:

  1. Fachada e Esplanada: O artista Xadalu Tupã Jekupé projetou um jardim circular e uma pintura de grande porte concebidos especialmente para dialogar com a arquitetura do local.
  2. Instalação Sensorial: Uma obra de Jaider Esbell foi posicionada logo na entrada da esplanada para funcionar como um gesto de acolhimento cosmológico, convidando os visitantes a experimentarem as diferentes camadas conceituais da mostra com o próprio corpo.

Educação e Democratização do Acesso

Como parte de sua missão institucional, a FGV Arte estruturou um amplo programa educativo e acadêmico para acompanhar o período de exibição. A expectativa é receber visitas mediadas de mais de 100 escolas da rede pública de ensino do Rio de Janeiro, engajando cerca de 5 mil estudantes. Paralelamente, debates, seminários e atividades formativas serão promovidos para aprofundar as discussões críticas sobre o Antropoceno e os direitos indígenas.

Serviço da Exposição

  • Período de Exibição: De 6 de maio a 20 de setembro de 2026.
  • Local: FGV Arte (Esplanada da Fundação Getulio Vargas).
  • Endereço: Praia de Botafogo, nº 186 – Botafogo, Rio de Janeiro/RJ.
  • Horários de Funcionamento: Terça a sexta-feira, das 10h às 20h. Sábados e domingos, das 10h às 18h.
  • Entrada: Gratuita.
  • Classificação Etária: Livre para todos os públicos.
  • Publicado: 02/06/2026 21:23
  • Alterado: 02/06/2026 21:23
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria