Fenasan 2026 impulsiona inovação em saneamento no Brasil

Evento uniu Ministério das Cidades, Sabesp, IA e tecnologia ambiental para acelerar a universalização do saneamento no país

Crédito: Fenasan 2026: Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente (foto: Thiago Quirino)

Nesta terça-feira (20) foi aberta oficialmente a Fenasan 2026, maior evento de saneamento ambiental da América Latina, no Expo Center Norte, em São Paulo. Em um momento decisivo para o cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento até 2033, o primeiro dia do encontro reuniu autoridade pública, gigantes da indústria e startups de tecnologia para debater soluções concretas de infraestrutura, eficiência operacional e proteção hídrica.

A solenidade de abertura da Fenasan destacou a relevância estratégica da feira para o país. Presente na mesa oficial, o ministro das Cidades, Vladimir Lima, reforçou a prioridade do Governo Federal na retomada de obras essenciais de água e esgoto. De acordo com o ministro, a pasta coordena atualmente R$ 64,5 bilhões em investimentos do Novo PAC, englobando mais de dois mil projetos em 1.597 municípios, somados a R$ 50,8 bilhões captados via debêntures incentivadas.

“Saneamento é uma área estratégica para o desenvolvimento do nosso país. É uma obra de infraestrutura, mas que também impacta amplamente na saúde pública, na proteção ao meio ambiente e na garantia da dignidade. A recriação do Ministério das Cidades pelo presidente Lula em 2023 representou a recuperação de uma estrutura fundamental para o planejamento dessa política. Seguimos nos dedicando diuturnamente para alcançar a universalização o quanto antes, porque as pessoas não podem mais esperar”, destacou o ministro Vladimir Lima durante a abertura da Fenasan.

Fenasan 2026
Fenasan vai até o dia 22 de outubro, no Expo Center Norte (foto: Thiago Quirino)

Debates sobre o ciclo da água em experiências imersivas

Circulando pelos pavilhões Verde e Vermelho da Fenasan, é possível observar uma forte aposta no engajamento técnico e na troca de conhecimento. No estande da Sabesp, por exemplo, os visitantes puderam vivenciar a Missão Acqua, uma experiência imersiva sobre as etapas do saneamento, além de acompanhar o início do tradicional Campeonato de Operadores.

“A inovação e a tecnologia são fundamentais para modernizar o saneamento, mas também é essencial compartilhar conhecimento e aproximar os diferentes agentes do setor. A Missão Acqua traduz esse propósito ao apresentar, de forma interativa, como as soluções tecnológicas podem contribuir para a evolução dos serviços de água e esgoto”, explicou Roberval Tavares, diretor de Engenharia e Operações da Sabesp.

Outro ponto de grande movimentação na Fenasan foi a Arena Fenasan, montada no espaço da Unipar sob a temática “A jornada da água passa pela Unipar”. A empresa estruturou um fórum de debates dividido entre captação, tratamento e esgotamento sanitário, reunindo parceiros como Instituto Trata Brasil, ABES, Abiclor e Aquapolo.

“A Fenasan nos permite ampliar o diálogo com quem atua e acompanha os desafios do saneamento. Queremos ouvir clientes, parceiros, instituições e visitantes, compartilhar experiências e apresentar como a Unipar contribui para as diferentes etapas da jornada da água”, destacou Jéssica Jabur, diretora de vendas da Unipar.

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Planta da Unipar em Cubatão (foto: Divulgação Unipar)

Obras complexas e preservação ambiental na capital

Durante a nossa caminhada pelos estandes da Fenasan, conferimos também os bastidores de intervenções urbanas de alta complexidade. A Amanco Wavin apresentou os detalhes de uma operação realizada na expansão da Linha 2-Verde do Metrô paulistano. Utilizando a tecnologia MND (Métodos não Destrutivos) sob o Córrego Aricanduva, a empresa garantiu a reabilitação de tubulações de até 2,1 metros de diâmetro da Sabesp sem interrupção do fluxo.

Segundo dados divulgados pela empresa, a solução evitou que 5 bilhões de litros de esgoto sem tratamento fossem lançados no meio ambiente ao longo de 20 dias de passagem do Tatuzão.

“Como a escavação ocorreu a cerca de 10 metros abaixo do leito do córrego, era necessário garantir a continuidade da operação da rede, as condições do entorno e a impossibilidade de executar grandes escavações. Para isso, a união da nossa experiência com a capacidade técnica do consórcio resultou na operação segura do sistema de desvio provisório e proporcionou condições ideais para a reabilitação estrutural, sem ocorrência de extravasamentos”, explicou Fabiana Castro, Diretora de Infraestrutura e Novos Negócios da Amanco Wavin.

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Tubulações sob o Córrego Aricanduva (foto: Divulgação Amanco Wavin)

Fenasan 2026 como vitrine de IA e biotecnologia

A inteligência artificial aplicada ao monitoramento ativo foi outro grande destaque do dia na Fenasan. A startup 2Neuron anunciou na feira a obtenção da patente concedida pelo INPI para a tecnologia Ultronline. O sistema utiliza IA para identificar falhas mecânicas e elétricas em bombas e motores diretamente do painel elétrico, dispensando a instalação de sensores físicos acoplados às máquinas. A tecnologia já é operada pela Sabesp em 136 bombas de 72 estações elevatórias de esgoto, que tem gerado, segundo a empresa, mais de R$ 11 milhões em economias acumuladas, além de ser adotada pela Águas do Rio e pela BRK Ambiental.

“A indústria passou dez anos tentando colar sensor na máquina. Nós provamos que o próprio motor entrega o diagnóstico pela corrente e pela tensão, e agora o INPI reconheceu que esse método e esse sistema são uma invenção nossa”, afirmou Gabriel Coimbra Carvalho, CEO e cofundador da 2Neuron.

No campo da inspeção física de redes subterrâneas, conversamos com a equipe da Morken Brasil, que levou à Fenasan a metodologia RupiX. Focada na prevenção de perdas em adutoras de aço carbono, a ferramenta combina dez etapas de análise, que vai desde a resistividade do solo e proteção catódica até a resposta magnética do metal, para indicar pontos críticos antes de eventuais rupturas.

“Quando uma adutora perde água, também se perde parte do investimento feito para captar, tratar e transportar esse recurso. O RupiX reúne informações para identificar os trechos que exigem maior atenção e orientar a manutenção antes que a deterioração resulte em uma falha”, pontuou Leandro Gonçalves, gestor comercial da Morken Brasil.

Ciência aplicada e inteligência de dados na gestão de mananciais

Participando pela primeira vez da feira, a empresa gaúcha Hydroscience chamou a atenção dos visitantes ao demonstrar como a ciência limnológica e a análise rigorosa de dados podem transformar ecossistemas aquáticos em degradação. Criada e dirigida pelo cientista Tiago Finkler Ferreira, biólogo e Ph.D. em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, a empresa fundamenta toda a sua atuação em estudos técnicos detalhados, diagnósticos de bacia e modelagem matemática tridimensional.

Nos últimos 20 anos, a Hydroscience atuou na recuperação de mais de 300 ambientes aquáticos no mundo. Durante a Fenasan, a empresa detalhou os resultados do projeto Pampulha Viva, em Belo Horizonte. Por meio da combinação do remediador Phoslock e da biotecnologia Enzilimp, a intervenção reduziu em mais de 95% o fósforo total da lagoa e eliminou 92% das cianobactérias, viabilizando a manutenção do título de Patrimônio Cultural da Humanidade da UNESCO e o retorno da navegação local. A empresa também apresentou casos de sucesso em concessionárias como EMBASA, CORSAN e CEDAE.

“A verdadeira recuperação de um ecossistema aquático urbano não tolera soluções paliativas; exige diagnosticar a bacia, neutralizar o passivo acumulado no sedimento e antecipar o comportamento hidrodinâmico por meio de modelação computacional precisa. É essa maturidade técnica de mais de duas décadas que compartilhamos com o mercado”, destacou Tiago Finkler Ferreira.

Fenasan 2026
Hydroscience mistura ciência e terras raras para recuperar bacias hidrográficas (foto: Thiago Quirino)

Expansão da cadeia de insumos para os desafios de 2033

A dimensão econômica e industrial necessária para sustentar o avanço do setor foi trazida pelo Grupo Guaçu. A companhia apresentou dados que apontam que o mercado brasileiro de químicos para tratamento de água e efluentes deve saltar dos atuais 2 milhões de toneladas ao ano para 2,6 milhões de toneladas até 2033 (um crescimento superior a 30%). Para absorver essa demanda, o grupo anunciou a aquisição total do controle da Sulfago, em Goiás, ampliando sua capacidade de fornecimento para regiões estratégicas do país.

“Estamos falando de um crescimento que não é apenas uma projeção de mercado, mas uma necessidade do país. Para avançar no saneamento, será preciso ampliar toda a cadeia, da infraestrutura à disponibilidade dos insumos utilizados no tratamento da água e dos efluentes”, concluiu Lúcio Atake, Diretor Comercial & Marketing e Conselheiro do Grupo Guaçu.

O primeiro dia da Fenasan deixou claro que a rota para a universalização do saneamento no Brasil exige a união entre grandes aportes de capital público e privado, insumos químicos robustos, metodologias científicas guiadas por dados e o uso intensivo de tecnologias preditivas.

Serviço

  • Evento: Fenasan 2026 – Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente
  • Data: 20 a 22 de outubro de 2026
  • Horário: Das 13h às 20h
  • Local: Expo Center Norte (Pavilhões Verde e Vermelho) – São Paulo (SP)
  • Publicado: 20/10/2026 18:13
  • Alterado: 20/10/2026 18:13
  • Autor: Thiago Quirino
  • Fonte: ABCdoABC