Casos de feminicídio caem 11,45% no Brasil após início do pacto nacional
Dados do Ministério da Justiça apontam recuo nos assassinatos de mulheres por questão de gênero em comparação com o mesmo período de 2025.
- Publicado: 18/06/2026 14:17
- Alterado: 18/06/2026 14:17
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: SECOM
Os casos de feminicídio recuaram 11,45% no Brasil durante os meses de abril e maio de 2026. O levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) mostra que 232 mulheres perderam a vida em ataques machistas nesses dois meses, contra 262 no mesmo período de 2025. O governo atribui a queda à implementação recente de ações integradas de policiamento e repressão.
A maior redução ocorreu em abril, quando o número de vítimas passou de 142 para 108, uma retração de quase 24% no comparativo anual. Maio registrou uma leve alta frente aos dados do ano anterior, contabilizando 124 ocorrências contra as 120 do ciclo passado.
Ação federal contra o feminicídio
A queda nos assassinatos coincide com os primeiros meses de operação do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. A iniciativa mobiliza forças do Executivo, Legislativo e Judiciário para estruturar o acolhimento das vítimas e rastrear ameaças antes que a violência letal aconteça.
“A integração entre União, estados, municípios e sistema de Justiça pode produzir resultados concretos quando colocamos a proteção das mulheres no centro das políticas públicas”, comentou Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública. Ele reforçou que o combate aos crimes de gênero guia o orçamento e o foco da atual gestão.
Operação prende centenas de agressores
A segunda fase da Operação Mulher Segura lidera as frentes ostensivas nas ruas desde o primeiro dia de junho. A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) coordena incursões e bloqueios diários ao lado das polícias civis, militares, penais e guardas municipais.
Apenas nos primeiros quinze dias da mobilização nacional, as equipes de segurança prenderam 630 pessoas envolvidas em agressões. A força-tarefa sufoca o ciclo de violência doméstica que rotineiramente antecede o feminicídio e monitora o cumprimento de medidas protetivas.
Agentes públicos também realizaram abordagens preventivas que alcançaram mais de 12 mil pessoas nas vias públicas. As redes de proteção estaduais e federais acolheram cerca de duas mil mulheres em situação de risco durante a ofensiva policial.
O desafio contínuo para evitar novas mortes
“O feminicídio é a expressão mais extrema de um ciclo de violência que precisa ser interrompido antes que a tragédia aconteça. Salvar vidas exige presença do Estado, coordenação e ação contínua”, afirmou Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública. O gestor considera a queda bimestral expressiva, mas reconhece o longo percurso para erradicar as estatísticas trágicas.
As autoridades policiais mantêm a operação ativa e o monitoramento intensivo de suspeitos até dezembro deste ano. O principal foco dos comandos unificados é solidificar a repressão imediata para barrar as tentativas de feminicídio em todas as regiões brasileiras.