Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, tem prisão ordenada
Ex-presidente deixou a prisão domiciliar após confrontos e agora está no Regimento Escolta, enquanto o Ministério Público investiga o Ueno Bank.
- Publicado: 07/11/2026 08:21
- Alterado: 07/11/2026 08:36
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi transferido, na noite de sexta-feira (6), da casa onde cumpria prisão domiciliar, em Assunção, para o Regimento Escolta Presidencial. A mudança veio após protestos de moradores, que pediam que ele fosse levado ao presídio de Tacumbú. Horas antes, Peña havia perdido o cargo em um impeachment aprovado por unanimidade pelo Senado. Ele é investigado pela crise do Ueno Bank.
Protestos levam à transferência de Santiago Peña

Moradores do bairro La Piedad se reuniram em frente à residência do ex-presidente para rejeitar o “trato especial” e exigir que ele fosse preso em um presídio comum. A tensão aumentou com confrontos entre manifestantes e a Polícia Nacional, que respondeu com projéteis de borracha. Um comissário ficou ferido, e a polícia disse que grupos infiltrados participaram dos incidentes.
A transferência ocorreu minutos antes da meia-noite, por razões de segurança. A Procuradoria de Crimes Econômicos marcou o depoimento de Peña para este sábado (7), às 11h.
Da renúncia ao impeachment em dois dias
A crise começou quando o Ueno Bank, principal banco digital do país, foi fechado por problemas de solvência. A instituição tem 2,9 milhões de clientes, e o Paraguai tem cerca de 7 milhões de habitantes. Os depósitos ficaram congelados, e os protestos começaram.
Na quinta-feira (5), Peña anunciou a renúncia. O Congresso não aceitou o pedido, e a Câmara dos Deputados aprovou o início do impeachment. Na sexta, o Senado votou por unanimidade e o afastou do cargo. Santiago Peña não foi ao plenário e foi representado por advogados. Ele também publicou uma mensagem de “despedida”, dizendo que saiu para evitar novos danos ao país.
O que o Ministério Público investiga
Com o impeachment, Santiago Peña perdeu a imunidade. O Ministério Público ordenou sua prisão, e a Procuradoria-Geral abriu três processos criminais contra ele e outros ex-funcionários. A ordem também alcança o ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que Peña nomeou em 2023 e que renunciou ao cargo na semana. Carvallo se apresentou e ficou detido.
A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes. Entre os pontos analisados estão as ligações patrimoniais de Peña com o grupo do banco. Em 2023, ele declarou ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, vendidas em 2025, e um certificado de depósito de 2,4 bilhões no Ueno Bank. O irmão dele aparece como sócio da U Holding SARL, empresa ligada ao controle do banco, mas não há detalhes de que isso integre as suspeitas criminais. Peña não foi condenado.
Quem governa o Paraguai agora

O vice Pedro Alliana assumiu a Presidência na mesma noite, e o deputado Antonio Barrios foi aprovado como novo vice. Alliana prometeu compensar integralmente os afetados pelo “descalabro financeiro” e enviar um projeto para racionalizar recursos do Estado, sem dar detalhes. Manifestantes protestaram contra a posse dele, alegando que também estaria envolvido no escândalo, segundo o relato original.
Peña tomou posse em agosto de 2023, com mandato até 2028. Ele é o terceiro presidente paraguaio a deixar o poder antes do fim do mandato desde o fim da ditadura de Stroessner. O Partido Colorado governa o país há quase 70 anos, com a interrupção do governo de Fernando Lugo, derrubado por impeachment em 2012.
O caso de Santiago Peña segue em andamento: o ex-presidente deve depor neste sábado, e o Ministério Público ainda vai detalhar as acusações.