Esclerose múltipla pode afetar músculos da respiração
Esclerose múltipla pode afetar músculos da respiração e exige atenção à mobilidade, com exercícios e acompanhamento multidisciplinar para preservar a função
- Publicado: 30/08/2026 12:43
- Alterado: 30/08/2026 12:43
- Autor: Carlos Enriki
- Fonte: Assessoria
A esclerose múltipla pode provocar alterações que vão além de dificuldades de movimento, equilíbrio e coordenação. A doença também pode afetar a musculatura envolvida na respiração, tornando o acompanhamento da função respiratória um aspecto importante durante o tratamento.
O alerta ganha destaque neste 30 de agosto, Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. Segundo especialistas da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, alterações na musculatura respiratória podem surgir gradualmente e nem sempre provocar sintomas perceptíveis no início.
Para o neurologista Edson Issamu, esse é um aspecto que ainda recebe pouca atenção no acompanhamento da doença.
“A esclerose múltipla é conhecida pelos impactos na marcha, no equilíbrio e na coordenação, mas a doença pode atingir diferentes grupos musculares, incluindo aqueles envolvidos na respiração. Muitas vezes, essa alteração ocorre de forma gradual e sem sintomas evidentes”, explica.
O especialista ressalta que avaliações periódicas e acompanhamento multidisciplinar são importantes para identificar possíveis alterações e definir estratégias de tratamento.
Fisioterapia ajuda a preservar funcionalidade
A fisioterapia pode atuar em diferentes aspectos relacionados à esclerose múltipla. O trabalho pode envolver fortalecimento muscular, treinamento de equilíbrio e marcha, condicionamento físico e, quando indicado, exercícios direcionados à musculatura respiratória.
De acordo com Luis Carlos Gomes, fisioterapeuta da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a intervenção deve considerar as características e limitações de cada paciente.
“O objetivo é preservar a autonomia pelo maior tempo possível. Trabalhamos força, equilíbrio, mobilidade, condicionamento e, quando necessário, a musculatura respiratória”, afirma.
Segundo o fisioterapeuta, identificar pequenas perdas funcionais precocemente pode permitir uma intervenção antes que elas provoquem impactos maiores na rotina.
Exercícios precisam ser individualizados
A prática de atividade física pode contribuir para a manutenção de diferentes capacidades funcionais, mas os exercícios devem ser orientados de acordo com a condição de cada pessoa.
Entre os cuidados que podem fazer parte do acompanhamento estão exercícios para força, resistência, equilíbrio, coordenação e flexibilidade.
O treinamento de marcha também pode ser utilizado para trabalhar a segurança durante os deslocamentos e atividades do cotidiano, principalmente quando existem alterações de equilíbrio ou coordenação.
Já o fortalecimento muscular deve considerar o nível de comprometimento e a resposta do paciente ao esforço.
Treinamento respiratório pode complementar tratamento
Quando existe indicação, exercícios específicos podem trabalhar a musculatura responsável pela inspiração e expiração.
Segundo o material divulgado pela Rede São Camilo, estudos apontam resultados positivos do treinamento da musculatura respiratória sobre a força desses músculos e alguns parâmetros pulmonares em pessoas com esclerose múltipla.
A orientação é que esse tipo de exercício seja incorporado à reabilitação somente após avaliação profissional.
A falta de ar também não deve ser utilizada como único sinal para investigar possíveis alterações. Como mudanças na musculatura respiratória podem ocorrer sem sintomas evidentes inicialmente, avaliações funcionais podem ajudar a identificar perdas.
Fadiga exige atenção durante exercícios
A fadiga é outro fator que pode interferir na prática de atividade física de pessoas com esclerose múltipla.
Por isso, o treinamento precisa ser adaptado aos períodos de maior cansaço e à resposta individual de cada paciente. Estudos recentes citados no material encontraram redução em medidas de fadiga após treinamento respiratório, embora os resultados possam variar conforme o método utilizado para avaliação.
A recomendação é que intensidade e duração dos exercícios sejam ajustadas de forma individualizada.
Acompanhamento multidisciplinar
O acompanhamento de pessoas com esclerose múltipla pode envolver diferentes profissionais. Neurologistas e fisioterapeutas podem avaliar aspectos distintos da doença e adaptar as estratégias de tratamento conforme novas limitações aparecem.
A preservação da funcionalidade depende de acompanhamento contínuo e de um programa de exercícios adequado às necessidades de cada paciente.
O treinamento respiratório pode funcionar como complemento da reabilitação, mas não substitui o tratamento neurológico nem a avaliação individualizada.
Instituído pela Lei nº 11.303, o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre a doença e reforçar a importância do diagnóstico e do acompanhamento contínuo.