Enfermeiros de UBSs passam por formação para detectar câncer infantil
Enfermeiros que atuam na atenção básica de Saúde de São Bernardo foram capacitados para detectar precocemente o câncer infantil
- Publicado: 22/06/2015 11:50
- Alterado: 16/08/2023 15:26
- Autor: Redação
- Fonte: PMSBC
O Projeto Qualifica formou os 147 profissionais de Enfermagem que atuam nas 34 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade.
A iniciativa foi promovida pelo Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo), em parceria com a Aben-SP (Associação Brasileira de Enfermagem – Regional SP), Sobope (Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica) e Assobescof (Associação Brasileira de Enfermagem em Saúde Coletiva e Família).
São Bernardo foi a primeira cidade a receber o curso, que será realizado em todo o Estado. Qualificar a atuação dos enfermeiros é um passo importante para aumentar as chances de cura das crianças que desenvolvem a doença, na avaliação da chefe da Divisão de UBSs, da Secretaria de Saúde, Simone de Oliveira Sierra. “O câncer infantil não tem prevenção. Por isso, quanto mais cedo for identificado, maiores são as chances de sucesso no tratamento.”
De acordo com Simone, há casos em que é possível identificar os sinais durante o exame clínico, como nódulos, manchas pelo corpo e alteração no reflexo do exame ocular. “Todos os casos de suspeita devem ser compartilhados com o médico da unidade e, posteriormente, encaminhados para as equipes especializadas”, explica.
O curso foi ministrado nos dias 10 e 17 de junho, em quatro UBSs – Jordanópolis, Vila Marchi, Ferrazópolis e Demarchi -, por enfermeiros que atuam na atenção ao câncer infantil e conhecem a realidade das práticas da saúde coletiva. A enfermeira Karen Cristina Hirano, da UBS Jordanópolis, afirma que, depois da formação, está preparada para identificar os sinais da doença. “Foi muito produtivo. Temos elementos para ter outra visão em relação aos nossos pacientes. Sabemos os sintomas que devemos procurar e com certeza isso fará a diferença”, comenta.
A equipe de Enfermagem das UBSs passa por constantes formações e atualizações em temas diversos, como imunização, tuberculose, hanseníase e dengue, além de participar de reuniões mensais sobre hipertensão e diabetes, problemas crônicos de maior incidência na população. A educação permanente dá respaldo à atuação dos enfermeiros, que cada vez mais assumem o protagonismo na Estratégia Saúde da Família (ESF). “O papel desses profissionais tem sido de liderança. Eles estão muito próximos das famílias atendidas e são um dos pilares da Saúde da Família, coordenando as equipes”, afirma Simone.
Nas UBSs, além dos médicos, a comunidade também tem acesso a consulta com os enfermeiros, que levantam todo o histórico do paciente, identificam as principais queixas e realizam exames físicos. “O foco do atendimento de enfermagem não é o diagnóstico, e sim as alterações gerais apresentadas pelo usuário. A linha de cuidado que será adotada é definida em conjunto com os médicos. Os enfermeiros estabelecem uma relação de confiança com os pacientes, e são muito respeitados. Muitas vezes são eles quem fazem o primeiro acolhimento do público que procura o serviço. Daí a grande importância em capacitação contínua, porque é preciso apurar o olhar e a escuta”, sustenta Simone.
Levantamento do Departamento de Atenção Básica mostra que o número de consultas realizadas pelos enfermeiros que atuam na ESF vem aumentando ano a ano. Em 2009, foram 5.493 atendimentos, contra 13.544 em 2014. A ampliação não significou diminuição do trabalho realizado pelos profissionais da Medicina, pelo contrário. No mesmo período, o número de consultas médicas saltou de 5.350 para 30.394. “É a soma dos esforços, que beneficia, sobretudo, quem precisa do cuidado em saúde, porque terá um atendimento mais completo”, ressalta Simone.