Enem 2026 terá testlets e exige mais atenção na leitura

Enem 2026 terá testlets e reforça importância da leitura na preparação para a prova em novembro

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O Enem 2026 terá mais de 5 milhões de inscrições confirmadas e será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro. A edição deste ano terá como uma das novidades a ampliação dos chamados testlets, modelo que já apareceu na prova de Linguagens de 2025 e utiliza um mesmo texto ou conjunto de textos como base para várias questões.

Para Henrique Braga, professor doutor em Filologia e Língua Portuguesa pela USP e coordenador pedagógico do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho, a mudança exige familiaridade com o formato, mas não justifica uma reformulação completa da preparação.

Eu não diria que mudar radicalmente a preparação que já vem sendo feita para as edições anteriores, nesse momento, seja adequado, porque a expansão dos ‘testlets’ vai ser uma mudança pontual”, afirma.

O especialista recomenda que os estudantes conheçam exemplos de provas que já utilizam uma lógica semelhante, como algumas elaboradas pela Vunesp e, eventualmente, pela Unicamp. A orientação é incorporar esse contato à preparação sem abandonar os métodos de estudo já utilizados.

Enem 2026 reforça importância da leitura

No Enem 2026, os testlets podem aparecer em outras áreas além de Linguagens, embora ainda não estejam definidas quais provas utilizarão o formato. Para Henrique, a principal habilidade exigida continua sendo a capacidade de compreender e relacionar informações.

Um acréscimo que não significa mudar a preparação é continuar valorizando a leitura e a interpretação como o elemento principal para se chegar à resposta”, pontua.

Uma das estratégias indicadas pelo professor é fazer pequenas sínteses durante a leitura. Em textos mais longos, o candidato pode identificar palavras-chave e registrar mentalmente o sentido de cada trecho para compreender melhor a ideia central.

Em textos argumentativos, por exemplo, reconhecer o posicionamento do autor antes de avançar ajuda a construir uma visão global do conteúdo.

A leitura atenta não é simplesmente resultado da vontade, mas de técnica, de estratégia. E ler o texto fazendo essas pequenas sínteses ao longo dele, sempre relacionando as partes do texto para reconhecer sua unidade global, é uma estratégia importante”, explica.

Inferência também merece atenção

Outra habilidade importante para o Enem 2026 é a inferência. O estudante precisa compreender informações que não estão necessariamente apresentadas de maneira explícita, relacionando o conteúdo do texto ao próprio repertório.

A orientação vale especialmente para questões que exigem que o candidato conecte diferentes informações antes de chegar à resposta.

ENEM 2026
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Nesse processo, a prática com questões anteriores pode ajudar a identificar quais habilidades ainda precisam ser desenvolvidas.

Questões podem orientar a revisão para o Enem

Henrique recomenda inverter, em alguns momentos, a ordem tradicional de estudo. Em vez de revisar toda a teoria antes de começar a resolver exercícios, o estudante pode partir de questões de provas anteriores para encontrar lacunas de conhecimento.

Uma questão de História pode revelar uma dificuldade relacionada a determinado período, enquanto um item de Biologia pode indicar que um conceito ainda não foi totalmente compreendido. A revisão teórica passa, então, a ter um objetivo mais específico.

Partir dos itens para a teoria é o melhor caminho. Isso não significa ir para o item apenas para ‘treinar macetes’, mas para empreender uma autoavaliação, é um processo metacognitivo importante”, ressalta.

A estratégia permite utilizar os exercícios não apenas como treino, mas como ferramenta para diagnosticar o próprio desempenho.

Redação do Enem 2026 exige prática contínua

Na redação, a recomendação é manter a produção de textos e conhecer os critérios estabelecidos pelo Inep na cartilha do participante.

Para o professor, o período que antecede o Enem 2026 não é adequado para procurar fórmulas prontas que prometam garantir um bom desempenho.

Dayane Oliveira

Não é hora de buscar nenhuma saída mágica, nenhuma grande novidade, em hipótese alguma acreditar em supostos gurus que vão vender modelos prontos para se fazer uma redação”, alerta.

A preparação deve priorizar a compreensão da proposta, a organização das ideias e o domínio dos critérios utilizados na avaliação.

Cinco estratégias para a preparação

Mantenha uma rotina de estudos: a regularidade tende a ser mais eficiente do que períodos de estudo excessivo para compensar dias sem preparação.

Familiarize-se com a prova: resolver edições anteriores ajuda o estudante a conhecer a estrutura e os diferentes tipos de questão.

Valorize seus pontos fortes: identificar os conteúdos em que o desempenho já é melhor permite consolidar conhecimentos.

Amplie os conhecimentos intermediários: depois de fortalecer os pontos positivos, parte do tempo pode ser direcionada aos conteúdos em que o estudante apresenta desempenho moderado.

Diversifique as leituras: notícias, textos de divulgação científica, literatura e outros gêneros ajudam a ampliar repertório e exercitar diferentes formas de compreensão.

Testlets mudam a prova, mas não a preparação

A presença dos testlets pode alterar a forma como algumas questões são organizadas no Enem 2026, mas a estratégia apresentada pelo especialista mantém a leitura e a interpretação como pilares da preparação.

Com mais de 5 milhões de inscritos, a edição deste ano terá pela frente um grande volume de candidatos e uma mudança pontual no formato de parte da prova.

Para quem ainda está estudando, o foco deve permanecer na regularidade, no contato com questões anteriores, na identificação das próprias dificuldades e no desenvolvimento da capacidade de interpretar informações. O Enem 2026 exigirá adaptação ao novo formato, mas sem abandonar as habilidades que já fazem parte da preparação para o exame.

  • Publicado: 14/09/2026 14:37
  • Alterado: 14/09/2026 14:37
  • Autor: Carlos Enriki
  • Fonte: Assessoria