Endividamento em São Paulo atinge 70% das famílias em fevereiro

Despesas de início de ano pressionam o orçamento e mais de 3 milhões de lares paulistanos abrem o mês de fevereiro com contas a pagar.

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O endividamento em São Paulo registrou alta no segundo mês do ano, reflexo direto dos gastos tradicionais de janeiro e das festas passadas. Os números mais recentes apontam que 3,14 milhões de lares possuem alguma pendência financeira ativa.

A pesquisa conduzida pela FecomercioSP revela um salto na proporção de residentes com dívidas. O índice geral passou de 68,9% para 70% na transição dos meses.

Como o endividamento em São Paulo afeta as rendas

Grupos com ganhos mensais de até dez salários mínimos sentiram o maior impacto desse ciclo de despesas. Nessa faixa, a taxa de endividamento subiu para 73,5%.

Famílias que faturam acima desse patamar também registraram oscilação positiva. O indicador para este perfil de maior poder aquisitivo alcançou a marca de 59,8%.

Vilões do orçamento doméstico

O dinheiro de plástico mantém a liderança absoluta entre as fontes de passivos financeiros na capital. Veja a distribuição oficial das principais modalidades de crédito:

  • Cartão de crédito: 78,7%
  • Financiamento imobiliário: 16,6%
  • Crédito pessoal: 12,4%
  • Financiamento de veículos: 10,6%

O mercado de trabalho aquecido sustenta as operações de longo prazo, mesmo sob um regime de juros elevados. Atualmente, o comprometimento médio da renda familiar ficou em 27,2%.

Isso sinaliza que o cidadão utiliza o limite de crédito para complementar o poder de compra diário. Entender a fundo o cenário do endividamento em São Paulo exige observar os prazos contratados. A média de alongamento das contas estacionou em sete meses.

Inadimplência acompanha volume de passivos

Contas vencidas agora integram a rotina de 917 mil famílias na metrópole. O índice de inadimplência marcou 20,4%, superando a medição de janeiro. O atraso médio dos pagamentos bateu 65,2 dias.

Preocupa os analistas o volume de atrasos que ultrapassam a barreira dos 90 dias. Contratos longos carregam encargos punitivos severos e dificultam a renegociação viável. Cerca de 9% das famílias admitem incapacidade total de quitar o que devem.

Na hora de liquidar as despesas ou realizar compras imediatas, a preferência é clara. O PIX (31%) lidera as opções dos consumidores, seguido pelo cartão de débito (23,5%) e crédito parcelado (22,2%).

Perspectivas do mercado financeiro

Especialistas em economia enxergam o atual quadro de forma analítica e evitam alarmismo estrutural.

“Esse aumento pode ser considerado natural diante das contas do início do ano que alteram o consumo das famílias. É possível que alguns lares tenham enfrentado dificuldades pontuais.” — FecomercioSP

A inflação controlada e a contínua geração de postos de trabalho criam uma base resiliente para a economia local. O mercado trata o momento estatístico como um gargalo puramente sazonal. Sob essa ótica, o pico recente do endividamento em São Paulo não bloqueia a recuperação financeira projetada para o decorrer do semestre.

  • Publicado: 11/03/2026 10:51
  • Alterado: 11/03/2026 10:52
  • Autor: 11/03/2026
  • Fonte: FecomercioSP