Endividamento em São Paulo atinge 70% das famílias em fevereiro
Despesas de início de ano pressionam o orçamento e mais de 3 milhões de lares paulistanos abrem o mês de fevereiro com contas a pagar.
- Publicado: 11/03/2026 10:51
- Alterado: 11/03/2026 10:52
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
O endividamento em São Paulo registrou alta no segundo mês do ano, reflexo direto dos gastos tradicionais de janeiro e das festas passadas. Os números mais recentes apontam que 3,14 milhões de lares possuem alguma pendência financeira ativa.
A pesquisa conduzida pela FecomercioSP revela um salto na proporção de residentes com dívidas. O índice geral passou de 68,9% para 70% na transição dos meses.
Como o endividamento em São Paulo afeta as rendas
Grupos com ganhos mensais de até dez salários mínimos sentiram o maior impacto desse ciclo de despesas. Nessa faixa, a taxa de endividamento subiu para 73,5%.
Famílias que faturam acima desse patamar também registraram oscilação positiva. O indicador para este perfil de maior poder aquisitivo alcançou a marca de 59,8%.
Vilões do orçamento doméstico
O dinheiro de plástico mantém a liderança absoluta entre as fontes de passivos financeiros na capital. Veja a distribuição oficial das principais modalidades de crédito:
- Cartão de crédito: 78,7%
- Financiamento imobiliário: 16,6%
- Crédito pessoal: 12,4%
- Financiamento de veículos: 10,6%
O mercado de trabalho aquecido sustenta as operações de longo prazo, mesmo sob um regime de juros elevados. Atualmente, o comprometimento médio da renda familiar ficou em 27,2%.
Isso sinaliza que o cidadão utiliza o limite de crédito para complementar o poder de compra diário. Entender a fundo o cenário do endividamento em São Paulo exige observar os prazos contratados. A média de alongamento das contas estacionou em sete meses.
Inadimplência acompanha volume de passivos
Contas vencidas agora integram a rotina de 917 mil famílias na metrópole. O índice de inadimplência marcou 20,4%, superando a medição de janeiro. O atraso médio dos pagamentos bateu 65,2 dias.
Preocupa os analistas o volume de atrasos que ultrapassam a barreira dos 90 dias. Contratos longos carregam encargos punitivos severos e dificultam a renegociação viável. Cerca de 9% das famílias admitem incapacidade total de quitar o que devem.
Na hora de liquidar as despesas ou realizar compras imediatas, a preferência é clara. O PIX (31%) lidera as opções dos consumidores, seguido pelo cartão de débito (23,5%) e crédito parcelado (22,2%).
Perspectivas do mercado financeiro
Especialistas em economia enxergam o atual quadro de forma analítica e evitam alarmismo estrutural.
“Esse aumento pode ser considerado natural diante das contas do início do ano que alteram o consumo das famílias. É possível que alguns lares tenham enfrentado dificuldades pontuais.” — FecomercioSP
A inflação controlada e a contínua geração de postos de trabalho criam uma base resiliente para a economia local. O mercado trata o momento estatístico como um gargalo puramente sazonal. Sob essa ótica, o pico recente do endividamento em São Paulo não bloqueia a recuperação financeira projetada para o decorrer do semestre.