Artesãos de SP preservam cultura e tradições no Dia do Folclore

Iniciativa estadual transforma saberes tradicionais e técnicas manuais de artesãos paulistas em oportunidades reais de negócios e trabalho.

Crédito: Ricardo Matsukawa e equipe, além de acervo pessoal

O programa Empreendedor Artesão, gerido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), estimula a preservação da cultura popular ao apoiar profissionais que transformam técnicas tradicionais em fonte de renda. O projeto ganha destaque neste dia 22 de agosto, data que marca o Dia do Folclore, ao evidenciar como o trabalho manual sustenta costumes de diversas regiões do estado.

A relação entre a arte feita à mão e a identidade regional possui raízes históricas profundas. A antiga Subsecretaria do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco) escolheu o Pavão como símbolo do folclore paulista em 1979. A figura original nasceu da dedicação de tradicionais figureiras da região.

As peças modeladas em barro retratam o cotidiano rural, as festas religiosas e as crenças populares no Vale do Paraíba. Essa herança cultural atravessa gerações. O mestre artesão e professor de artes José Eduardo Leite Santos mantém viva essa tradição, pois trabalha há cinco décadas com modelagem em argila na cidade de Taubaté.

O professor leva referências do interior paulista para as salas de aula e compõe o portfólio oficial do Empreendedor Artesão. “Ter a carteira facilita muito para participar de exposições em cidades do estado e na capital. Participar do portfólio dá ainda mais credibilidade ao nosso trabalho”, relata o artesão.

Como o Empreendedor Artesão transforma o mercado

A iniciativa estadual estrutura o setor para que a expressão cultural atue de forma contundente na economia local. O foco é garantir inclusão social e estimular o desenvolvimento regional através da formalização. O profissional cadastrado recebe amparo técnico, acesso a crédito e suporte direto para comercialização.

O cenário de valorização se repete em Jacareí, município onde atua o mestre da cultura popular Geraldo Magela. O artista dedica mais de quatro décadas de trabalho às técnicas de empapelamento e argila. Ele cria presépios e imagens religiosas conhecidas como Paulistinhas.

As etapas de elaboração das peças envolvem desde o planejamento mental abstrato até a finalização estrutural dos materiais. “Gosto do momento que antecede a criação concreta, ou seja, a criação mental, quando os bonecos e cenários começam a ganhar forma dentro da minha imaginação”, detalha Magela.

O artista atua na formação de novos talentos e reconhece o impacto do Empreendedor Artesão na estruturação da categoria profissional. “Fui tomando consciência desse novo movimento, colocando o Estado de São Paulo em um lugar de compromisso com a classe artesã”, avalia o mestre.

Pilares de apoio econômico e capacitação

O programa governamental centraliza suas ações em três eixos principais de atuação para garantir o fortalecimento econômico da classe trabalhadora:

  • Formalização profissional: Emissão das carteiras estadual e nacional, além de orientação direta para abertura de MEI e criação de cooperativas.
  • Qualificação técnica: Oferta de cursos presenciais e online, voltados para a capacitação em vendas e uso prático de redes sociais para e-commerce.
  • Acesso facilitado ao crédito: Liberação de recursos financeiros por meio do Banco do Povo Paulista e da Desenvolve SP para modernização de negócios.

A articulação entre o poder público e os produtores locais assegura a continuidade de saberes seculares. O avanço das políticas de fomento pelo Empreendedor Artesão garante que a herança do folclore paulista gere retorno financeiro sustentável e preserve a identidade cultural do estado.

  • Publicado: 20/08/2026 09:15
  • Alterado: 20/08/2026 09:15
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: SDE