Emoção marca encerramento de curso sobre humanização
O evento vem sendo realizado em todas as mantidas da FUABC
- Publicado: 23/03/2012 20:19
- Alterado: 15/08/2023 19:12
- Autor: Nádia Almeida
- Fonte: FUABC
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A emoção deu o tom do encerramento do curso de humanização ministrado pelo médico e escritor Drauzio Viegas, autor do livro “Em Busca da Humanização”, uma realização da Fundação do ABC (FUABC). Depoimentos pessoais e lágrimas marcaram a segunda e última aula do curso realizado no anfiteatro nos dias 19 e 22, oferecido aos profissionais de saúde do complexo e a estudantes da área. O evento vem sendo realizado em todas as mantidas da FUABC, que gerencia o Hospital Irmã Dulce há três anos e o PS Central desde março do ano passado, e faz parte de seu programa de humanização.
Ao final do curso, Viegas alcançou o objetivo de sensibilização. “Foi uma experiência excelente. Recebemos aqui toda abertura, com as pessoas querendo participar. Senti uma sensibilidade grande por parte dos profissionais de saúde, notada pelos depoimentos dados, o que foi muito emocionante e importante. Tivemos uma receptividade muito boa a essa visão da humanização.”
Profissionais de enfermagem, psicologia, fonoaudiologia e serviço social, entre outras áreas, participaram do curso. Viegas, que é formado em Medicina pela Unifesp com doutorado em Pediatria pela USP e foi professor titular do Departamento de Pediatria da FMABC, informou que está criando um curso de humanização específico para médicos.
Definindo humanização como o uso do conhecimento com sensibilidade, Viegas focou internação hospitalar no segundo dia de curso, convidando os profissionais a se colocarem no papel de paciente e familiar. Do ambiente agradável ao melhor preparo da equipe, humanização envolve iniciativas simples, que produzem ótimos resultados. É o caso, em UTI Neonatal, de manter a incubadora com iluminação reduzida para não agredir o bebê e de favorecer a presença dos pais, melhorando o vínculo afetivo. Como pediatra, Viegas falou dos benefícios do método Mãe Canguru: “Chamamos de Mãe Canguru, mas pode ser Pai Canguru, Vó Canguru, Tia Canguru. É dar à criança a possibilidade do contato pele a pele, continuamente”.
Ainda em Pediatria, ele abordou a importância terapêutica da brinquedoteca, classe escolar, palhaços e musicoterapia, entre outras ações. Quando a criança internada apresenta dificuldades de adaptação, com agressividade e depressão, entre os recursos estão estímulo a atividades lúdico-pedagógicas, maior contato com familiares, presença da mãe acompanhante bem orientada e, no caso de adolescentes, visita de amigos. Viegas recomendou que se respeite os direitos do paciente, evite discussões clínicas à beira do leito e zele pela relação equipe-paciente-família, ressaltando que humanização passa ainda pela atenção e valorização dos profissionais de saúde.
“Adorei o curso. Agradecemos a FUABC e ao Complexo Irmã Dulce pela oportunidade de participarmos. Isso não foi uma aula, mas um ensinamento de vida”, opinou a coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade do Litoral Sul (FALS), Elaine Cristina dos Santos Giovaninni, que acompanhou 70 alunos do primeiro ano. “Isso ajuda a mudar paradigmas.”