Eleitores 70+ se afastam das urnas por três motivos, aponta estudo
Pesquisa inédita mapeia perfis de eleitores com mais de 70 anos que devem se ausentar das urnas e aponta as principais barreiras enfrentadas.
- Publicado: 29/09/2026 16:34
- Alterado: 29/09/2026 16:34
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O eleitorado brasileiro com 70 anos ou mais atingiu a marca de 17,25 milhões de aptos a votar em agosto. Esse grupo apresenta o maior crescimento populacional do país, mas convive com taxas de ausência expressivas de olho nas eleições 2026. O levantamento Retratos do Voto 70+ identificou os fatores que mantêm essas pessoas longe das urnas.
Dados consolidados pelo estudo mostram que 58,86% dos eleitores dessa faixa etária não compareceram na rodada inicial de 2022. O impacto direto representa 8,76 milhões de ausências, um volume capaz de definir disputas acirradas. O mapeamento conduzido pelo data8 mergulhou nas motivações desse contingente histórico.
Os três perfis de ausência nas eleições 2026

A pesquisa qualitativa revelou diferentes percepções sobre a importância do voto. O primeiro grupo sofre de baixa autoestima política e acredita que a própria escolha não altera a realidade do país. O isolamento reflete o sentimento de invisibilidade social na terceira idade.
“Nossa análise aponta que não existe um único eleitor 70+ que se afasta das urnas. Há quem não reconheça mais o peso do próprio voto”, explicou Cléa Klouri, cofundadora do data8 e coordenadora da pesquisa.
O segundo perfil mapeado reúne os eleitores desistidos. Essa parcela perdeu a confiança no sistema e aponta que o resultado do pleito não produzirá consequências práticas no seu cotidiano, adotando a postura de que todos os políticos são iguais.
A terceira categoria engloba cidadãos que desejam participar, mas esbarram em obstáculos estruturais graves. Filas muito longas, escadarias e distância do local de votação figuram entre as maiores barreiras físicas relatadas para o deslocamento até a seção eleitoral.
Diferença de gênero e o desafio nas eleições 2026

O levantamento detectou uma inversão comportamental ligada ao gênero. Entre o público com menos de 70 anos, as mulheres registram maior presença nos locais de votação. A partir dessa idade, ocorre o efeito inverso e o público feminino passa a liderar as estatísticas de não comparecimento.
No primeiro turno das últimas disputas municipais, a abstenção das mulheres 70+ chegou a 55,4%, contra 45,4% dos homens da mesma idade. O pico de distanciamento e ausência entre os gêneros ocorre justamente na faixa dos 75 aos 84 anos.
“Estamos falando de milhões de pessoas. É uma ausência eleitoral que ganha dimensão à medida que esse contingente cresce”, alertou a pesquisadora Adriana de Queiroz.
Como os idosos ativos encaram o voto
Cidadãos que mantêm a regularidade enxergam a prática como um exercício contínuo de cidadania. Para muitos, a escolha dos governantes garante a manutenção de políticas públicas de transferência de renda e o acesso contínuo aos serviços de saúde.
A etapa qualitativa apontou os temas que mais mobilizam a atenção desses eleitores ativos para escolherem seus candidatos:
- Economia e geração de emprego despontam como preocupações centrais para garantir o futuro da família.
- Segurança pública e proteção da mulher são exigidas das propostas das administrações estaduais e federais.
- Qualidade dos projetos e caráter assumem o peso principal na hora de cravar a decisão final nas urnas.
- Atenção focada nas eleições majoritárias, com pouca informação e baixo engajamento nas disputas para o Senado.
Distribuição regional do eleitorado prateado
A concentração de pessoas idosas aptas a participar do pleito acompanha a densidade populacional das regiões brasileiras. O Sudeste concentra a maior fatia desse mapa demográfico.
| Estado | Eleitores 70+ (Agosto de 2026) |
| São Paulo | 3.897.754 |
| Minas Gerais | 2.083.019 |
| Rio de Janeiro | 1.839.654 |
| Rio Grande do Sul | 1.237.959 |
| Bahia | 1.078.357 |
Essa distribuição exige que os tribunais regionais planejem a acessibilidade de forma estratégica. A garantia do pleno direito democrático passa obrigatoriamente pela adaptação física dos colégios eleitorais para receber a demanda volumosa e específica.
O envelhecimento acelerado da população desenha um novo cenário de participação política no Brasil. Entender as necessidades estruturais e frustrações desse grupo será o fator decisivo para combater a abstenção recorde nas eleições 2026.