“Elas no Topo” 1: Maria Lenk, a pioneira da natação brasileira
Nesta semana o portal ABCdoABC inicia a série “Elas no Topo”, homenageando mulheres que fizeram história no esporte. E o melhor de tudo: você pode participar!
- Publicado: 04/03/2026 00:34
- Alterado: 04/03/2026 01:08
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: ABCdoABC
Nesta semana em que será celebrado a Semana das Mulheres, o portal ABCdoABC inicia a série especial “Elas no Topo”, onde traremos uma série de reportagens, contando a história de mulheres que deixaram legado no esporte. Aqui o objetivo será mostrar como as mulheres foram fundamentais no esporte para a construção de uma sociedade menos desigual também no esporte.
A série “Elas no Topo” começa contando a história de uma atleta que foi uma das precursoras da natação brasileira: Maria Emma Lenk Zigler, mas certamente você irá identificar mais fácil quando falamos Maria Lenk.
Nesta série especial você também poderá participar. Ao final, contaremos mais a respeito.
Série “Elas no Topo” – conheça a história de Maria Lenk

Diferente de muitos atletas que buscam a glória, Maria Lenk começou a nadar por sobrevivência. Após sobreviver a uma pneumonia dupla aos 10 anos, seu pai (imigrante alemão) a colocou no Rio Tietê — que na época era limpo — para fortalecer os pulmões. Mal sabia ele que estava criando a maior nadadora da história do país. Foi dali que ela ganhou o mundo, sendo a primeira brasileira a disputar os Jogos Olímpicos.
O amor de Maria Lenk pela natação foi dos primeiros aos últimos instantes de vida. A grande nadadora brasileira deixou um exemplo de bem-estar ligado ao esporte. Sua longevidade aliado à natação foram fundamentais para inspirarem futuras atletas. Ela nadou até os últimos dias de vida, e faleceu aos 92 anos.
Você sabia que Maria Lenk foi professora?

Muito além da história apenas da atleta, a série “Elas no Topo” irá trazer um olhar delas além das quadras, raias olímpicas, estádios, arenas. Maria Emma Lenk Zigler além de uma carreira vitoriosa como nadadora, foi também a primeira diretora da Escola de Educação Física da UFRJ.
A trajetória de Maria Lenk como professora foi tão marcante quanto sua carreira nas piscinas. De acordo com registros da Escola de Educação Física e Desportos da UFRJ, a ex-nadadora desempenhou papel central na consolidação do ensino superior de Educação Física no Brasil.
Maria Lenk integrou o corpo docente da instituição e se tornou a primeira mulher a dirigir a escola, em um período em que a presença feminina em cargos de liderança universitária ainda era rara. Também foi a primeira professora a receber o título de professora emérita da EEFD, reconhecimento concedido em razão de sua contribuição acadêmica e institucional.
Contribuição de Maria Lenk para a Educação Física
Como gestora, atuou diretamente na organização administrativa e pedagógica da escola. Defendia rigor no cumprimento de normas e regulamentos, postura que marcou sua atuação como diretora e docente. Era conhecida por exigir disciplina, pontualidade e comprometimento dos alunos, características que, segundo relatos históricos da própria instituição, moldaram gerações de profissionais da área.
Durante sua gestão, liderou o projeto de construção do atual prédio da escola, na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão. Para isso, visitou instituições na Europa em busca de referências arquitetônicas e estruturais, com o objetivo de implementar um modelo moderno de formação acadêmica em Educação Física.
Outra iniciativa relevante foi a implementação da obrigatoriedade da disciplina de Educação Física para todos os cursos superiores da universidade à época — medida posteriormente revogada, mas que demonstrou sua visão sobre a importância da atividade física na formação universitária.
Além da atuação administrativa, Maria Lenk lecionou disciplinas ligadas à natação, unindo experiência prática e fundamentação teórica. Seu legado acadêmico permanece associado ao desenvolvimento científico e pedagógico da Educação Física no país, ampliando sua contribuição para além das competições esportivas.
Maria Lenk nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1932

Em 1932, com apenas 17 anos, Maria Lenk se tornou a primeira mulher sul-americana (e brasileira) a participar de uma edição dos Jogos Olímpicos ao competir nos Jogos de Los Angeles, nos Estados Unidos — um feito histórico num tempo em que a presença feminina no esporte ainda era extremamente rara.
Sua jornada começou muito antes da primeira braçada olímpica: a delegação brasileira partiu rumo aos EUA a bordo do navio Itaquicê, numa viagem que durou cerca de 27 dias.
- Maria Lenk foi a única mulher atleta entre os 82 integrantes da equipe brasileira no navio.
- Havia outra mulher a bordo, mas ela não era atleta — era a esposa de um dirigente da delegação.
Como foi o desempenho dela nos Jogos Olímpicos de 1932?
Em um solo americano, Maria Lenk precisou enfrentar adversárias vindas de países onde a natação feminina estava mais desenvolvida, como Estados Unidos e nações europeias. Em sua estreia olímpica, disputou três provas.
Nos 100 metros livres, terminou na 20ª colocação. Nos 100 metros costas, foi desclassificada. Já nos 200 metros peito, alcançou o 11º lugar, seu melhor resultado naquela edição.
Os números, à primeira vista discretos, ganham outra dimensão, quando inseridos no contexto histórico. A jovem brasileira competia praticamente sem estrutura, após semanas de viagem e com pouca preparação específica. Em um cenário no qual o esporte feminino ainda enfrentava a resistência social, sua simples presença na piscina olímpica já representava uma ruptura significativa.
Após voltar dos Jogos Olímpicos de 1932, Maria Lenk voltou ao Brasil com uma bagagem muito maior do que os resultados. Sua vivência internacional escanrarou a diferença estrutural que havia entre o esporte brasileiro e o que praticava-se nos Estados Unidos e Europa, o que mais tarde veio a influenciar seus próximos passos na carreira.
Evolução técnica e destaque internacional

A partir de anos seguintes, com treinos mais intensificados, a ex-nadadora passou a ter destaque nas provas de peito. Nos Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim, seu amadurecimento e técnica mais aprimorada eram destaque.
Foi justamente nesse período que ela ajudou a revolucionar a natação feminina. Maria foi uma das pioneiras na utilização do movimento que mais tarde daria origem ao nado borboleta, ainda quando ele era executado dentro da prova de peito. A inovação técnica mostrava que ela não era apenas uma competidora — era também alguém que pensava o esporte.
O auge esportivo em 1939
O auge esportivo veio em 1939. Maria Lenk se tornou a primeira brasileira — homem ou mulher — a estabelecer um recorde mundial na natação, nas provas dos 200 metros e 400 metros peito.
O feito teve repercussão internacional e consolidou seu nome entre as principais nadadoras do mundo naquele momento.
A Segunda Guerra e o fim do ciclo olímpico
Com o início da Segunda Guerra Mundial, os Jogos Olímpicos de 1940 e 1944 foram cancelados. Maria estava em plena forma e poderia ter vivido o auge competitivo em uma Olimpíada, mas o conflito interrompeu essa possibilidade.
Ainda assim, ela seguiu competindo e acumulando títulos sul-americanos e nacionais, mantendo-se como referência absoluta na modalidade.
Atleta até os 90 anos
Mesmo depois de consolidar carreira acadêmica, Maria nunca abandonou a piscina. Competiu em categorias master e quebrou dezenas de recordes mundiais em diferentes faixas etárias. Nadava praticamente todos os dias.
Faleceu em 2007, aos 92 anos, após passar mal enquanto treinava no Rio de Janeiro — um desfecho simbólico para alguém que viveu dentro da água.
“Elas no Topo” – Ep 2 – Participe!
Vocês podem participar da nossa série “Elas no Topo”. Até o dia 08 de março já temos alguns nomes de atletas do nosso esporte, que contaremos ao longo dos próximos dias. Pensando nisso, temos dois desafios a vocês:
O primeiro deles: nesta quarta-feira terá o episódio 2 da série “Elas no Topo”, e o desafio é vocês palpitarem qual será a homenageada de amanhã? Envie em nossas redes sociais!

O segundo é mais interessante: nesta Semana das Mulheres queremos saber: qual atleta da nossa região no Grande ABC merece estar no topo? O objetivo será prestar homenagem às mulheres que deixaram legado no esporte de nossa região.
“Elas no Topo” aqui no ABCdoABC!