Eduardo Bolsonaro sugere que, se Flávio perder, deixe o Brasil

Em Miami, Eduardo Bolsonaro defende saída do irmão em caso de derrota, ataca Lula e nega plano de intervenção militar dos EUA no país

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro compareceu na manhã deste domingo (25) a um colégio eleitoral em Miami, na Flórida, durante a realização do segundo turno das eleições presidenciais. Em entrevista concedida a correspondentes brasileiros, o ex-parlamentar sugeriu abertamente que seu irmão, o candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL), deixe o território nacional caso seja derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao ser indagado se essa possibilidade de deixar o país já vinha sendo debatida no núcleo familiar, o ex-deputado evitou confirmação direta, mas justificou a medida alegando suposta perseguição política:

“Qualquer pessoa que esteja trabalhando pela liberdade tem medo de estar no Brasil hoje.”

Críticas de Eduardo Bolsonaro ao adversário e retractação

Durante a passagem pelo local de votação, Eduardo Bolsonaro avaliou o desempenho do irmão no debate transmitido pela TV Globo na última sexta-feira (23) e fez comentários irônicos a respeito das críticas sobre o teor capacitista da campanha contra o atual chefe do Executivo:

“Olha, eu achei que a pessoa que se aposenta porque perdeu um dedinho […], tem gente em situação muito pior que trabalha. Então eu acho que o Lula foi malandro ao se aposentar tão cedo.”

A declaração propaga uma alegação falsa amplamente refutada por registros previdenciários e históricos. O presidente petista não se aposentou por invalidez em razão do acidente de trabalho ocorrido em uma metalúrgica paulista nos anos 1960 — episódio no qual perdeu o dedo mínimo da mão esquerda —, tendo continuado a trabalhar na indústria automotiva e na atuação sindical, vindo a se aposentar por tempo de contribuição.

Na mesma conversa, o ex-parlamentar recuou de falas recentes proferidas em um podcast transmitido nos Estados Unidos, no qual cogitava uma incursão de fuzileiros navais norte-americanos caso o Partido dos Trabalhadores mantivesse o comando do Planalto. Questionado sobre eventuais tratativas diplomáticas com o governo norte-americano, Eduardo Bolsonaro desmentiu qualquer movimentação institucional:

“Pelo amor de Deus, isso era uma brincadeira.”

Posicionamento contra o Judiciário e bastidores partidários

Residindo em solo norte-americano desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro afirmou que foi ao colégio eleitoral unicamente para prestar apoio aos eleitores bolsonaristas radicados na Flórida, uma vez que não está apto a votar no local. A presença de Eduardo provocou reações distintas entre os presentes, reunindo dezenas de apoiadores que pediram fotos com ele e com o comentarista Paulo Figueiredo, ao mesmo tempo em que motivou protestos de eleitores de esquerda contrários à sua presença.

O ex-deputado também aproveitou a oportunidade para renovar ataques diretos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), magistrado que determinou sua condenação a quatro anos e dois meses de prisão:

“Não tenho medo do Moraes e, mais uma vez, ele não conseguiu extraditar ninguém na Espanha, Polônia, EUA e Argentina. Será que o mundo inteiro está errado e só o Moraes está certo?”

A respeito de uma eventual ocupação de cargo ministerial na gestão de seu irmão, Eduardo Bolsonaro preferiu o suspense, declarando que a definição ocorreria oportunamente. Embora o nome de Eduardo Bolsonaro tenha sido ventilado para o Ministério das Relações Exteriores em virtude de sua interlocução com a ala republicana liderada por Donald Trump, o próprio Flávio Bolsonaro descartou a indicação do irmão para comandar o Itamaraty em entrevista recente.

  • Publicado: 25/10/2026 14:45
  • Alterado: 25/10/2026 14:45
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ICL Notícias