Eduardo Bolsonaro fala em fraude e pede intervenção internacional

Ex-deputado divulga gravação sem provas contra o sistema de votação brasileiro e tenta invalidar o resultado do pleito presidencial.

Crédito: Reprodução/YouTube

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo em inglês com acusações sem provas contra a eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva. Ele exige pressão internacional para impedir o reconhecimento do resultado oficial no país.

A gravação repete os argumentos de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, sobre a mudança do cenário eleitoral entre os turnos. O político contesta diretamente a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ampliou o horário de votação.

“Esta é uma mensagem para vocês: não reconheçam estas eleições, porque ainda mais fatos estão surgindo agora”, declarou o ex-parlamentar na publicação direcionada ao público estrangeiro.

Eduardo Bolsonaro utiliza pesquisas anteriores e a soma de votos dos candidatos derrotados para questionar o crescimento do adversário. A tese defende uma suposta impossibilidade estatística na reta final do pleito, mas não apresenta evidências técnicas de irregularidades.

Flávio e Eduardo Bolsonaro defendem anulação do pleito

Após mais de 20 anos, Flávio Bolsonaro ficará sem cargo eletivo
Joédson Alves/Agência Brasil

A mobilização digital ocorre logo após a confirmação matemática da derrota nas urnas. O sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cravou o resultado final às 21h08, com 97% das urnas apuradas, momento em que o candidato petista alcançou 51,74% dos votos, contra 48,26% do adversário.

No primeiro turno, o cenário mostrava a liderança de Flávio, que terminou a etapa inicial com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A reversão dos números na apuração definitiva gerou insatisfação imediata na campanha.

“Como Flávio disse, precisamos cancelar esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional”, afirmou o autor do vídeo sobre a estratégia política da família.

TSE e PGR atestam segurança do processo eleitoral

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, declarou publicamente ter absoluta segurança em todo o andamento e contagem das eleições. A própria prorrogação do horário, alvo das críticas recentes, havia sido solicitada pela campanha derrotada no domingo à tarde.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) endossou a regularidade da apuração nacional. O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, confirmou a atuação fiscalizatória rigorosa do órgão para garantir o respeito à vontade popular.

Dias antes do encerramento das urnas, Eduardo Bolsonaro já havia questionado o modelo de votação em um podcast nos Estados Unidos. O Brasil adota o formato eletrônico desde 1996 e o tribunal eleitoral reforça a ausência histórica de fraudes comprovadas.

Condenação recente no Supremo

Morando fora do país, Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato na Câmara dos Deputados por excesso de faltas parlamentares. A Primeira Turma do STF também o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, decisão que transitou em julgado em outubro.

  • Publicado: 26/10/2026 09:55
  • Alterado: 26/10/2026 09:55
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria