Dólar sobe mais de 1% e atinge R$ 5,16 nesta quarta

Dólar sobe e atinge R$ 5,16 em dia de forte pressão externa, puxado pelos juros dos EUA e pela alta do petróleo

Crédito: Reprodução

O dólar registrou uma alta expressiva durante as negociações desta quarta-feira (23), impulsionado pelo cenário econômico internacional, pelas incertezas eleitorais brasileiras e pelo avanço nas cotas de petróleo no mercado global. A divisa americana valorizou mais de 1%, aproximando-se da marca de R$ 5,17 no pregão. A valorização do dólar acabou pressionando o mercado de capitais no país, levando a bolsa de valores brasileira a encerrar a sessão em queda, abaixo dos 186 mil pontos.

A cotação comercial fechou com avanço de 1,27%, cotada a R$ 5,169 na venda. Ao longo da jornada, a moeda registrou máxima de R$ 5,177 no meio da tarde. No acumulado do ano, contudo, a moeda estrangeira ainda mantém uma trajetória de retração de 5,83% frente ao real.

Paralelamente ao movimento do dólar, o Ibovespa interrompeu uma sequência de dois dias seguidos de valorização e registrou queda de 0,86%, aos 185.814 pontos. O volume financeiro negociado na B3 somou R$ 29,68 bilhões durante a sessão.

Fatores internacionais impulsionam o dólar

A trajetória de alta do dólar refletiu diretamente a valorização global do ativo. O índice DXY — indicador que mensura o desempenho da moeda estadunidense perante uma cesta com seis das principais divisas globais — avançou 0,54%, fixando-se em 101,090 pontos, patamar próximo das máximas registradas desde julho.

Os dados de atividade econômica divulgados nos Estados Unidos deram sustentação ao dólar. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria e serviços norte-americana avançou de 56 pontos em agosto para 58,4 pontos em setembro. Como leituras acima do patamar de 50 pontos sinalizam expansão econômica, o resultado reforçou a perspectiva dos agentes financeiros de que o Federal Reserve precisará manter os juros elevados por um período mais longo.

Em decorrência disso, os rendimentos dos títulos do Tesouro estadunidense (Treasuries) de dez anos superaram o patamar de 5% ao ano pela primeira vez desde julho de 2007. O movimento atrai capital global para a renda fixa dos Estados Unidos, reduzindo a liquidez em economias emergentes.

Tensão no Oriente Médio e fechamento em Nova York

A pressão vinda do exterior também afetou as bolsas de valores de Wall Street. O índice Dow Jones caiu 0,68%, para 51.512,42 pontos; o S&P 500 recuou 0,75%, encerrando a 7.706,39 pontos; e o índice de tecnologia Nasdaq apresentou retração de 1,13%, aos 26.936,04 pontos.

Outro fator determinante para o comportamento dos mercados globais foi a forte subida da commodity energética após cinco dias em queda. O barril do petróleo tipo Brent valorizou-se 2,84%, cotado a US$ 98,12, enquanto o WTI avançou 1,81%, para US$ 92,16. O movimento refletiu o impasse nas negociações entre os EUA e o Irã e as preocupações renovadas com a inflação mundial.

  • Publicado: 23/09/2026 22:57
  • Alterado: 23/09/2026 22:57
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress