Doença de Chagas volta a crescer e acende alerta no País

Impulsionado pela transmissão oral por alimentos contaminados, número de novos casos da Doença de Chagas acende alerta no Brasil

Crédito: Divulgação/Magnific

Uma doença que marcou o século XX voltou a acender o sinal de alerta no sistema de saúde pública do País. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, apontam que o Brasil registrou um aumento progressivo e acima da curva nos diagnósticos da Doença de Chagas, saltando de 64 casos em 2013 para 292 em 2023. Atualmente, estima-se que existam entre dois e três milhões de indivíduos infectados em território nacional.

Diferente do cenário do passado, em que o contágio ocorria quase que exclusivamente pela picada na zona rural, a dinâmica de transmissão mudou.

De acordo com o médico cardiologista Vinicius Marques Rodrigues, que atende no complexo Órion Complex, em Goiânia, o principal vetor desse crescimento recente é a transmissão oral, provocada pelo consumo de alimentos contaminados com fezes ou com o próprio inseto barbeiro triturado.

As Novas Formas de Contágio e Prevenção

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Arquivo/MInistério da Saúde

A transmissão clássica acontece quando o barbeiro, inseto de hábitos noturnos, pica a vítima e defeca perto da ferida; ao coçar, a pessoa introduz o protozoário Trypanosoma cruzi na corrente sanguínea.

Contudo, além da contaminação de alimentos (frequente em processos sem a higiene adequada de frutos como o açaí e a cana-de-açúcar), o avanço da doença também está atrelado a outras três frentes:

  • Transmissão Congênita: Passagem do parasita da mãe grávida para o feto por meio da placenta.
  • Transfusão Sanguínea: Casos em que o doador carrega o protozoário de forma incubada.
  • Acidentes Laboratoriais: Contaminação acidental de profissionais que manipulam o parasita em pesquisas.

Para frear o avanço da enfermidade, o especialista aponta que a receita combina melhorias habitacionais nas áreas de risco (com colocação de telas e mosquiteiros) e, principalmente, rigor extremo com a higiene, o manuseio e o preparo de comida, além de evitar o consumo de carnes cruas ou mal cozidas de animais silvestres que atuam como hospedeiros.

Fase Crônica e o Risco de Morte Súbita

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Consuelo Pagaza/MSF

A doença de Chagas tem cura total se for detectada e tratada de forma imediata na chamada fase aguda (geralmente nos primeiros sete dias após a infecção). Nessa etapa inicial, os principais sintomas são fraqueza, mal-estar generalizado, febre, dor de cabeça, inchaço e uma lesão inflamada característica na pele no local exato onde o inseto picou.

O grande perigo reside no fato de que, se não houver diagnóstico precoce, os sintomas desaparecem e o parasita entra em incubação, podendo ficar escondido no corpo da vítima por décadas sem dar qualquer sinal.

Ao se manifestar novamente na fase crônica, a enfermidade destrói progressivamente as fibras musculares do coração. O quadro evolui para uma cardiopatia grave que, se não acompanhada, pode causar arritmias fatais e levar à morte súbita cardíaca.

  • Publicado: 02/06/2026 12:39
  • Alterado: 02/06/2026 12:39
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Governo Federal