Desabamento no Brás: cães e bombeiros seguem com buscas
Equipes vasculham ruínas com maquinário pesado enquanto o desabamento no Brás desafia o socorro com risco iminente de novos colapsos no centro paulistano
- Publicado: 07/11/2026 12:46
- Alterado: 07/11/2026 12:47
- Autor: Leonardo Nogueira
- Fonte: Agência SP
O chão cedeu sob o peso das mercadorias estocadas. O desabamento no Brás colocou os serviços de emergência em alerta máximo após o colapso estrutural de um imóvel de quatro andares na Rua Maria Joaquina, número 192. O Corpo de Bombeiros retomou os trabalhos de remoção de entulho com pás mecânicas às 6h30 deste sábado (7), depois de paralisar as escavações manuais durante a madrugada pelo risco concreto de desmoronamento das paredes remanescentes.
O tremor da estrutura interrompeu a madrugada dos socorristas. Por volta das 11h, dois cães farejadores treinados para resgate em desastres percorreram o perímetro interno e não encontraram qualquer vestígio de corpos soterrados. As autoridades não registraram nenhuma queixa de desaparecimento formal, afastando o temor de vítimas presas nas partes mais profundas da edificação comercial.
A retirada rápida impediu um cenário trágico na região central de São Paulo. Ao todo, 35 trabalhadores conseguiram escapar da edificação onde operava uma loja de confecções, sendo que oito saíram por meios próprios nos primeiros estalos e outros 27 foram resgatados diretamente pelas guarnições operacionais.
Desabamento no Brás expõe perigo da falta de vistoria

A apuração técnica revelou falhas graves de regularização no endereço comercial. A corporação confirmou que o estabelecimento funcionava sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), certificado indispensável que atesta as condições mínimas de segurança estrutural e combate a incêndio:
- Imóvel de quatro pavimentos operava sem laudo oficial do Corpo de Bombeiros;
- Oito ocupantes fugiram no instante exato da ruptura das primeiras vigas;
- Vinte e sete funcionários precisaram de auxílio técnico para transpor os escombros;
- Quatro pessoas feridas seguiram para a UPA da Mooca e passam bem, sem risco vital.
A dimensão do sinistro exigiu um cerco conjunto das forças de segurança do estado. A resposta imediata envolveu 72 bombeiros e 27 viaturas operacionais, recebendo suporte de viaturas de área da Polícia Militar e de técnicos da Defesa Civil.
“O prédio não possuía o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. O emprego de maquinário pesado neste sábado garante que a remoção das lajes aconteça sem colocar em perigo a vida dos socorristas.”
Essa instabilidade física forçou a Defesa Civil a interditar os imóveis vizinhos por precaução. A pressão lateral das paredes condenadas impede o trânsito livre de pedestres e veículos pela Rua Maria Joaquina.
Sobrecarga de tecidos e apuração pericial
Relatos de funcionários indicam que o excesso de peso estocado nos pavimentos superiores precipitou o desastre. No instante do acidente, trabalhadores descarregavam rolos pesados de tecido trazidos por contêineres, concentrando toneladas de carga nas lajes mais altas do edifício comercial.
A Polícia Civil abriu inquérito técnico para responsabilizar os proprietários do galpão. Peritos do Instituto de Criminalística examinarão os pilares partidos para checar se reformas clandestinas ou desvios de planta agravaram a fadiga do concreto.
O tráfego de compradores na região central permanece desviado pelos agentes de trânsito. A prioridade exclusiva das máquinas pesadas é liberar o leito da via pública e garantir que nenhuma laje despenque sobre os prédios contíguos durante o processo de demolição controlada.
A fiscalização rigorosa sobre depósitos têxteis torna-se urgente para proteger os trabalhadores do maior polo de confecção da América Latina. Com a confirmação de que os cães não detectaram vítimas sob as lajes e o atendimento médico garantido aos sobreviventes, as investigações do desabamento no Brás agora miram as irregularidades administrativas que colocaram dezenas de vidas em risco extremo.